domingo, 22 de maio de 2011

Ué! Não era pra ter acabado?

Amanheceu e continuará amanhecendo.
Corrijam-me se estiver equivocado, mas o dia de ontem não deveria ter raiado! O que aconteceu? Aliás, o que não aconteceu?

Não havia uma penca de "homens de deus" alardeando para todo mundo se converter, ou soltar a periquita de vez, que o fim-de-semana não viria?

Não sei se me falha a memória, mas na semana que acabou, os Estados Unidos foram infectados com outdoors, cartazes, adesivos e voadores dizendo, em síntese, "Na sexta eu vou pro céu, e você vai pro inferno, lara-la la-la-la". Há um pastoreco panaca avisando que até o meio do século, o mundo será destruído e só os fiéis da sua igreja serão levados para o reino dos céus nos braços dos anjos, ainda que em muitos países as pessoas jamais tenham tido a chance de ouvir falar da bíblia. Mas um ainda mais pirado saiu cantando "O mundo vai acabar! Acabar! Acabar! Nesta sexta vocês vão se lascar! Se lascar!". Cadê ele?
Pô, meu! Eu já chutei a canela do meu chefe, comprei um Rolls Royce com cheque sem fundo, desafiei o Tyson para uma luta tipo "vencer ou morrer", compus um hino de louvor à seleção argentina e tudo mais! Cadê o fim do mundo?

Onde foi, aliás, que essa gente encontrou que o mundo acabaria na última sexta-feira? Eu digo onde foi, foi em suas cabeças dementes, suas mentes deturpadas e seus cérebros em curto-circuito, tudo isso causado pelo orgulho exacerbado e o desejo de ser superior a alguém. Você não gostariam de saber o que falariam a seu respeito, se os contrariarem.

São pessoas sem religião. Eles têm dogmas, tabus, listas de personas non gratas (que somam mais de seis bilhões) e a nota fiscal da compra da verdade absoluta. Mas por isso mesmo não têm religação nenhuma com o Criador. Aparecem sorridentes e de narizes empinados em photographias, mas por dentro a maioria se corrói em desejos contrariados, rancores fartamente nutridos, segredos inconfessáveis e a firme decisão de descontar suas frustrações em alguém. Só me preocupa o facto de, com absoluta certeza, haver gente deles manuseando armas de grande poder destructivo nas forças armadas. Não estão no comando do arsenal nuclear, ou se veriam tentados a precipitar o fim do mundo na marra. Eles contaram datas (imprecisas) e idades na bíblia, fizeram os cálculos e decidiram que a metade dos tempos já tinha passado, e que na última sexta seria exactamente o fim da última metade. Fizeram o que a maioria faz, interpretaram tudo ao pé (chulezento) da letra, explicitando o completo desconhecimento de que a bíblia não foi redigida na língua inglesa, que nem existia na época, e saíram soltando cousas piores do que o infame "em caso de arrebatamento, este veículo ficará desgovernado, porque eu vou pro céu e você pro inferno; rá, rá, rá".

Não é preciso que ateus radicais se assanhem, nem mesmo que teístas radicais de outras doutrinas façam barulho. O comportamento arrogante e impensado desses "cristãos" é a pior contra propaganda que o cristianismo pode ter, os abutres podem simplesmente se empoleirar e esperar que eles mesmos se matem, para terem seu banquete. Os seres das trevas rolam de rir, pois gente assim é brinquedo fácil para suas mãos, conseguem fazer algum estrago com pouco esforço, só se orientando pelos pensamentos que os abilolados escondem de suas comunidades. Mas de quem já não depende da óptica para ver, não há como esconder um pensamento. Da mesma forma que muda o cérebro, muda também os padrões do perispírito, que é perfeitamente visível até mesmo a muita gente encarnada. Eles sabem o que pensamos, quanto mais o que fazemos.

Não, o mundo não vai acabar em 2012, nem no meio do século, nem na próxima virada de milênio. Ele cumprirá seu papel e completará seu ciclo natural, sendo engolido pelo Sol daqui a muitos bilhões de anos. É, pelo menos nisto muita gente acertou, involuntáriamente, o mundo acabará em fogo. Mas então nenhum de nós estará mais em corpo físico, estaremos todos ajudando a cuidar de planetas novos, talvez ajudando a formá-los. Não estaremos aqui para sofrer cousa alguma, com o tempo os restos mortais do sistema solar serão engolidos por um buraco negro, onde todos os átomos serão esmagados , desfigurados e elementarizados, para no passo seguinte serem expelidos como matéria novinha em folha. na natureza nada se cria ou perde, tudo se transforma.

Há matéria nova sendo criada continuamente por Deus; ou seja, o universo nunca foi criado, ele está sendo continuamente criado e suas porções mais antigas sendo recicladas para novas funções. É por isso que não existe essa conversa de final dos tempos. Há fim de ciclos, que dão lugar a novos, da mesma forma como nossos corpos vêm da terra e voltam ao reino mineral, para seus elementos serem reutilizados em outras funções. Mas essa conversa de que o Criador faz aparecer mundos e estrelas, só para depois fazer desaparecer é mentalidade romana, que não admite a hipótese de nascer de novo sem poder escolher onde, muito menos para pagar por atrocidades cometidas, é caso para psiquiatras tratarem.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Em que eu acredito?

Não O vi, mas me convenceu.

No que me convence. Se não convence minha cabeça dura eu não acredito.

Já me cansei de ouvir gente dizendo que fé tem que ser cega, que se for raciocinar não se acredita em nada, pata-ti e pata-ta. Asseguro que sei no que acredito e que minha fé é a contraparte feminina de minha razão.
Quando era cético, eu não acreditava em praticamente nada, simplesmente porque não me convencia. Eu não tinha raiva das religiões, assim como não tinha raiva dos americanos nem dos soviéticos, que na época ainda existiam. Eu considerava astrologia uma grande picaretagem porque as informações que chegavam a respeito, quase sempre eram de ateus ou de crédulos muito despreparados; ou de crentes chatos aos quais fazia questão de não ouvir.

Eu queria muito acreditar em reencarnação, mas também não tinha elementos para crer nela, então não acreditava e ponto final. Não tem lógica o Criador mandar um coitado nascer na Coréia do Norte, se (na palavra dos fundamentalistas) ele nunca tinha existido e portanto não teria culpa da qual se redimir, na concepção. O que justificaria alguém ser escravo de um Estado, enquanto outro nasce em uma família rica da Suécia? Isto configuraria favorecimento a um de dois seres que sequer existiam, até a fecundação do óvulo. Que sentido haveria em o Criador brincar com a vida alheia desse jeito? Seria dizer que Deus cria e mata só por diversão, escolhendo depois quem lhe agrada para dar paz eterna e punindo com danação eterna quem não teve chances de aprender nada. Pela conclusão da longa ponderação a respeito, a "existência" de Deus tornaria automaticamente existente a reencarnação. Ou seja, nasce em família rica quem fez por onde em uma vida anterior, nasce escravo no século XXI quem deve muito e não tem como pagar em uma vida livre, com possibilidades de crescer socialmente.

Aos evangélicos que vivem me enchendo a paciência a respeito, e demonstram nada saber de política internacional, há países onde a actuação de vocês dá cadeia, quando não dá morte, portanto centenas de milhões de pessoas passam a vida inteira sem ter a mínima chance de conhecer a bíblia. Por que Deus fez isso com eles? Eu já li a Bíblia e nada nela justifica isso. Anos mais tarde vim saber que a maior parte dela foi amputada por questões políticas, muito dessa amputação está nos textos apócrifos.
Em suma, as explicações das igrejas cristãs, por tabela islamismo e judaísmo, não me convenciam. Foi justamente estudando magia que encontrei a verdadeira essência do que é o cristianismo, longe da verborragia retórica romana. Irônico, não?

Eu já acreditava em psicologia, à qual muitos céticos torcem o nariz por não impôr gastos com drogas fabricadas, porque já tinha sido beneficiado por ela, no que aproveitei para estudar um pouco a respeito e me ver do outro lado; até hoje me é útil na lida com as pessoas. Ou seja, cérebro e mente estão interligados, mas não são a mesma cousa cousíssima nenhuma. Assim como um processador sem um software não passa de um pedaço de silício inútil.

Eu não acreditava em elementais, mas uma fonte confiável me fez ver o contrário. Confiei até que um dia vi uma pequena salamandra saracoteando no rodapé do meu quarto, durante minhas preces meridionais. Eu não em encontrava em êxtase, não uso drogas, não bebo e não vejo bbb. Eu estava sóbrio e atento ao mundo material. A quem já sabe do que falo, preciso dizer que o quarto ficou quente?

No frigir dos ovos, de livre e espontânea vontade, ainda que por influência indirecta de uma amiga, passei a freqüentar uma igreja católica. E vejam que bela surpresa eu tive! O padre então responsável pela missa das sete, costumava dizer "Deus, Pai/Mãe de misericórdia...". Hoje é o padre Clóvis, que batizou João Batista, que celebra a missa das sete da manhã, e mesmo ele costuma soltar umas dessas. Passei a acreditar no movimento que as múmias do Vaticano tentam em vão sufocar. Certa feita, meu alfaiate perguntou a um padre, cujo nome não revelo nem que me mandem de novo à fogueira, sobre o que ele achava da reencarnação. Resposta: E o que mais explica a misericórdia divina?.

É de certo modo confortável acreditar sem raciocinar a respeito, ou duvidar sem investigar por conta própria. Isto te livra da responsbilidade de viver de acordo com sua consciência, já que ela fica burra. Burra porque as perguntas que ela faz, e ela sempre faz, ficam sem respostas satisfatórias. A função dela é te cobrar tuas faltas e dar o caminho para repará-las. Assim fica fácil entender os actos dos terroristas "religiosos" e ditadores ateus que ainda infernizam o mundo. O ateísmo, palavra de quem já o seguiu, também é uma fé, no nada, mas é uma fé.

A fé devidamente casada com a razão ganha uma estrutura própria, permite que se mude aquilo em que se acredita sem deixar de acreditar. Exemplifico; Há alguns anos li livros de Lobsang Rampa, que recomendo, um dos quais narra Rampa se dividindo entre dois corpos o de nascença e um cedido por um inglês. O de nascença estaba em Lhasa, já sob ditadura chinesa, onde nasceu. Este era utilizado para manter contacto directo com os monges sobreviventes da invasão, quando adormecia, utilizava o corpo ocidental, que estava aprendendo a utilizar. Quando o corpo tibetano morreu, ele já sabia lidar bem com o inglês e passou a usar só este.

Há uns dias, minha amiga Patrícia Balan disse que acredita ser possível que gente ruim volte como um verme. Decerto que a vida de um verme é insignificante diante das décadas de vida normal de um homem, mas para quem se ligar ao corpo do verme, será uma vida inteira de verme,  sob risco iminente de ser presa fácil para formigas, ou ter seus órgãos dissolvidos pelo veneno de uma aranha. Afinal, os trevosos não conseguem, a muito custo, guiar répteis quando conseguem encontrar desafetos suficientemente "maus", que se encontram encarnados? Já tive relatos a respeito e todos com grande coerência. Ou seja, é possível um humano voltar a ter a sensação de ser um animal selvagem evoluído demais para ser aceito por seu grupo, sendo assim rejeitado e, sozinho, virar prato fácil para grandes felinos. E acredite, tem gente que se corrói tanto pelos remorsos, que pede para sofrer assim.
Há pessoas que se oferecem para um aborto espontâneo, com todo o sofrimento inerente, para ajudar alguém a pagar uma dívida. Alguns de vocês já fizeram isso, só não se lembram.

Em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa eu não acredito. O conhecimento que acumulei é suficiente para separar criaturas místicas de superstições. Eu desenvolvi senso crítico para tanto, sofri pra caramba para chegar ao pé da montanha, onde estou. Assim que derem o sinal verde, estarei descansado o bastante para começar a subir, mas daqui já dá para ver as multidões dos que acreditam ou descrêem por ideologia, por conforto ou por medo. Ideologia e medo eu já risquei do meu mapa. Troquei pelo senso crítico e pela prudência, a diferença é que não me prendem e me cobram quando necessário, deixam meus pensamentos e meu raciocínio livres. Já o conforto, bem, eu estou em um corpo que sempre foi desconfortável, cada vez que preciso reentrar o meu perispírito fica enrugado para servir direito, fico parecendo um maracujá de gaveta da cabeça aos pés espirituais. Nunca tive conforto, então não me apeguei ao dito cujo.

Há algo em que acredito e que poucos, senão raros, estudiosos (ateus e teístas) se deram o trabalho de investigar. As mitologias, que em tantos pontos se cruzam em todas as culturas do mundo, são dramatizações e romanceamentos da história de cada espírito superior responsável pela Terra. Elas narrariam superficialmente as vidas e o aprendizado de cada um deles. Eles já foram como nós, não nasceram perfeitos, se purificaram ao longo de milênios, na riqueza e na pobreza, como homem e como mulher, atravessando todas as fases que seus respectivos planetas de origem ofereceram. Nisto eu acredito não só porque faz sentido, mas também porque é uma conclusão à qual cheguei por conta própria. Era uma simples idéia que minhas saídas semi-conscientes do corpo acabaram embasando e consolidando.
Eu não admiro menos alguém que já foi imperfeito, muito pelo contrário, que mérito há em receber tudo de graça e de uma só vez? Que lições alguém assim teria a dar?
Quando Roma adoptou Jesus como o nome do arquiteto deste mundo, quis de certa forma preservar o culto ao Sol... E não é que, sem querer, eles erstavam absolutamente certos!!!

Provas podem ser manipuladas e explicações podem ser embaralhadas para confundir e induzir. Então há uma pergunta que faço quando alguém quer me converncer de algo, seja do que for: Justifique e fundamente. Para algo de bom a época de cético serviu.

Edição em 23 de Maio de 2011. Por conta da pane no Blogger, o texto sofreu amputações e distorções que precisei corrigir. O conteúdo, porém, está intacto.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Um louco matou pelo Islã?

Aprenda a ler a mensagem, mais do que as letras.
Demônios Internos encontra meios cruéis para me avisar que está empoeirado. Li hoje cedo a notícia de um lunático, que segundo a irmã teria ligações com muçulmanos(?), que entrou em uma escola pública e atirou em quem viu pela frente, foi baleado por um policial e preferiu se matar a ser preso. Todas as evidências apontam para premeditação, mas as evidências já me puniram injustamente muitas vezes, então prefiro não fazer juízo e esperar pelos autos, e provável publicação da carta que teria deixado.

Já há grupos de idiotas querendo usar o episódio como pretexto para uma caça aos muçulmanos. Fräu Schroeder já questionou se o Vaticano seria culpado, caso o atirador fosse católico. Acontece que o islamismo não é uma nação, não é um país, nem mesmo tem caixa postal. É uma religião. Não adianta procurar um povo ou etnia para tirar satisfações.

Para os ignorantes que teimam em dizer que só é religião a que segue o Velho Testamento, e o interpreta ao seu modo torpe e estreito, tenho uma surpresa amarga. O Corão é baseado no Velho Testamento, assim como a Bíblia. O Velho Testamento, aliás, foi tirado da Torat, que é judaica.

Sim, leigos espevitados que andam com uma bíblia mofando debaixo do braço e acreditam serem os portadores da verdade absoluta, os muçulmanos seguem as mesmas bases que vocês. As mesmíssimas.
A Veja mostrou nesta semana que um membro da Al Qaeda (sem "u", depois explico porque) está no Brasil, como um cidadão de vida dupla, por assim dizer. Já vi gente anunciando isto como o princípio do fim do mundo, ligando a reportagem à tragédia do Rio de Janeiro. Meus leitores habituais já conhecem minha alergia à idiotice, pois estou coçando e tossindo. Li comentários de gente afirmando que isto é "Falta de Deus", no que os ateus estão aproveitando para retrucar "Mas o Islamismo não é monoteísta, como o cristianismo e a judaísmo?". O cristão ignorante é um prato cheio para qualquer ateu minimamente esclarecido. E a maioria deles estuda muito.

Vamos a notícias recentes. Um pastor nos Estados Unidos queimou um exemplar do Corão. É tão tapado e charlatão que não sabe que queimou junto um pedaço importante da Bíblia. Este mesmo procarionte não está nos Estados Unidos só porque quer. Ele fugiu da Alemanha e vários outros países europeus. De quem? Da polícia. O picareta está aproveitando a onda de retardo mental promovida pela ala radical dos republicanos para lucrar o que puder a qualquer custo. Ele está ganhando fábulas, quando deveria abrir um bar para se sustentar e não cobrar pelo sacerdócio. Protestos já estão acontecendo pelo mundo e feridos já aparecem. Eu não dou um centavo pela vida dele, hoje; não que já valesse mais do que isso.
Me lembra muito a época das malfadadas cruzadas, quando levas de coitados saíam à caça de muçulmanos, que nunca tinham visto, e faziam baderna em qualquer cidade que encontrassem. Como quase todos jamais tinham saído do município, ninguém conhecia o mundo externo e todos os outros lhes pareciam estranhos, mesmo que no mesmo país e falando a mesma língua. Uma vez que "mulçumano" era algo que não conheciam, então atacavam e saqueavam todo mundo pela frente, pois não conheciam absolutamente nada.

Vamos para notícias um pouco mais velhas, para quem acha que o Brasil não tem intolerância religiosa. No ano passado aconteceram ataques físicos de seitas "cristãs" a templos umbandistas e centros espíritas. Um desses centros, que fica à margem de uma via expressa, já tinha perdido a conta dos vidros que precisou trocar. Outro caso, mais grave, foi um centro umbandista, que vi de cara ser de vibração elevada, invadido por fedelhos que quebraram tudo, ameaçando os presentes para que não reagissem. Se aquela casa fosse de magia negra, como eles acusam todos os umbandistas de serem, estariam todos mortos, porque os espíritos das trevas são extremamente vingativos e não medem conseqüências para atingirem seus objectivos. E essa gente está abertinha para ser usada e abusada por seres das trevas... Na verdade já está sendo.

Uma notícia da qual quase ninguém se lembra. Um pastorto do maior conglomerado de macumba e magia manipulativa do Brasil, que diz ser do reino de Deus, estapeou e chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida diante das câmeras. Não entro no mérito de dogmas de quem ainda acha que a Igreja vende santos, o facto é que ele cometeu um desrespeito imenso à comunidade católica em um país que não é só majoritáriamente católico, é oficialmente católico. Está na Constituição. Ele não contava com a reação pronta da Santa Sé e se esqueceu que a Globo ainda está no ar.

Se há, caríssimos, alguém em quem devemos ficar de olho, não é na comunidade muçulmana, é nas igrejas caça-níqueis que proliferam sem controle pelo país, a maioria (aqui) só para malandros enriquecerem sem terem que pagar impostos. Enquanto berram "Aleluiah Jesus", balbuciam "Morram, ímpios, queimem no inferno". Eu digo sem medo que a maioria é satânica, porque vive em função de Satanás, que nossos leitores sabem que já foi exilado e aguarda degredação definitiva. É gente que consegue eleger políticos, compra e aluga concessões de rádio e televisão, às vezes as ganha no lugar de faculdades. Não é no quintal do outro que crescem nossas ervas daninhas, é no nosso.

Os "problemas de interpretação", para ser gentil, que nós tivemos com a Bíblia, eles também têm com o Corão. Piora o facto de virtualmente todos os idiomas e dialetos árabes não terem vogais no alphabeto. Se um ocidental disser "Al Qaeda" como se deve, parecerá estar tossindo, pela falta de prática. Em certos países até algumas consoantes mudam de phonema. O "W" soa como "U" na língua inglesa e como "V" na alemã. O "X", em alguns países africanos, tem o som de um estalo de língua. Confusos? Não é serviço para gente comum, como este escriba, estudar o assunto a fundo.

A ausência de vogais e diferenças de dialetos leva tribos islâmicas a lutarem entre si, por mais contraditório que isto possa parecer. Mas alguém aí já esqueceu dos atentados do IRA, na Irlanda do Norte, que queria forçar todo mundo a se unificar e de preferência se tornar católico? Para quem não se lembra, quando a Irlanda se dividiu, os católicos fundaram uma república ao sul, enquanto os protestantes, maioria anglicana, preferiu permanecer sob a coroa da Inglaterra. Mas os cristãos não admitiam que uma parte da ilha permanecesse cristã, leal ao rei (ou rainha) da Inglaterra, que é chefe da Igreja Anglicana. Em nome de não sei quem, mas do Criador é que não é, foram décadas de ataques e fomentação do ódio entre católicos e protestantes. E olha que eles falam o mesmo idioma, usam o alphabeto grego, repleto de vogais e pontuações de extrema precisão.
Ser mais velho tem suas vantagens.

Ah, há um ateu chucrute rindo aí no fundo? Me diz, fofucho, em nome de que religião os países comunistas matam e perseguem opositores. Pois é, então não vem que não tem. Stalin não foi pior do que Hitler porque não teve tempo.

O problema do islamismo é o mesmo do cristianismo, do judaísmo, do flamenguismo e do corinthianismo: o fiél. O fiél é um homem. O homem é um espírito degredado, ou seja, já tem passagem e ficha corrida. O homem é reincidente e me consta que alguns exemplares não estão em sua primeira degredação. É típico do homem (mais) corrompido (do que o normal) colocar a culpa de seus actos em Deus, na religião, no time, no desenho dos Thundercats, em qualquer cousa que não possa ser punida por ser impessoal. É fácil. O homem tem o vício de adaptar a Palavra do Criador aos seus hábitos, quando deveria fazer o contrário. Daí o fundamentalismo ter tanta força nas aldeias mais interioranas de lá, e nos nossos bairros mais afastados. Sem gente estranha indo e vindo, fica mais fácil achar que se está certo, que se é o certo e que só tu és o certo. Os árabes têm tantos cromossomos quanto nós.

Acredito que a comunidade árabe, se já não o fez, repudiará e dirá publicamente o que vai acontecer com o cretino, segundo o Corão. Coincide com a lei de causa e conseqüência reencarnacionista, e há comunidades islâmicas reencarnacionistas, como há entre os cristãos.

Extra! Extra! Actualização às 19h20min. A carta do idiota foi divulgada! Embora haja elementos da cultura islâmica no texto, o paspalho não era muçulmano, era cristão... Não disse? Crente doente e completamente fascinado pelos seus dogmas. É certo que houve orientação externa, resta a polícia investigar o disco rígido para tentar localizar o mentor... "Não ser tocado por fornicador" heim! Esperem para ver quem a polícia designará para a necropsia, mas ele não tem que se preocupar com isso, os monstros que agora o cercam lhe darão muito trabalho pelos próximos anos.

Segue um exemplo da música árabe no Brasil, que eu tenho certeza ser da ignorância da maioria de vocês. O vozeirão da moça é um show:


Para vocês verem o quanto é imbecil culpar os muçulmanos em geral pelo que os idiotas fundamentalistas fazem, até a eterna diva Dalida, que já deve ter saído daquele vale horroroso, cantou em árabe. Ouça e tente não dançar:

sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem segura as rédeas?

Era uma vez um coche, um grande e confortável coche.

O cocheiro conduzia paciente seus passageiros, mantendo o forte animal de tração sob controle. Às vezes ao animal era deixada a decisão do que fazer. Eram situações em que o intelecto humano não conseguia discernir em tempo hábil, quando os instintos prontos são mais importantes do que o raciocínio.

Com o tempo, os passageiros notaram que tudo parecia andar mais rápido com o animal decidindo. Não se preocupavam em investigar e descobrir que o cocheiro dosava a liberdade, para que ele não colocasse suas necessidades básicas acima da segurança. Certo dia um dos passageiros, em um momento de ímpeto, cortou as rédeas que pendiam, enquanto o animal se alimentava. O coche voltou a andar, então deduziram que o cocheiro seria desnecessário, embora não pudessem dispensá-lo.

Livre e sem limites, o animal saiu da estrada para pastar, gerando solavancos e dando aos passageiros a impressão de que as coisas estavam andando mais depressa. na realidade apenas estavam passando por obstáculos que não seriam necessários, se não tivessem saído da estrada. Os que colocavam as cabeças para fora do veículo viam mais do que os que se mantinham em seu conforto, viam que o animal se esforçava para superar pedras e valetas, então retornavam aos outros e contavam o quanto a besta estava se sacrificando para levá-los ao seu destino, algo que jamais viram o cocheiro fazer.

Não notavam também que o percurso acidentado danificava aos poucos o coche, feito para oferecer conforto e segurança na estrada de onde saíram. O cocheiro gritava, para evitar que o animal destruísse o coche e pusesse tudo a perder, o que irritava cada vez mais os passageiros. Mas eles não podiam sair da cabine e acessar o comando. A escada para tanto ficava fora do seu alcance.

Todos iam se acostumando com o desconforto do novo caminho, perdendo os modos e achando tudo aquilo a cousa mais natural do mundo. Logo o interior do veículo estava tão maltratado quanto o exterior, este por desgaste e aquele por vandalismo. Com o veículo quase sem controle, a velocidade era maior, não percebiam que estavam se demorando mais na viagem.

Em um momento de repouso, à noite, o cocheiro tirou uma tira de sua própria roupa e consertou as rédeas. Já o veículo só poderia ser consertado no destino. De manhã reconduziu-o à estrada, sob brados de protestos e ameaças dos passageiros. Chegaram ao destino quase um dia depois do que eram esperados. A comparação do coche e seus passageiros com os que tinham seguido a estrada sem tantos desvios era aterradora. Estavam maltrapilhos, desgrenhados, suados e com restos de comida pelas roupas. O coche tinha seu interior totalmente rasgado, carcaça com avarias e falta de alguns componentes, rodas empenadas e o animal estava ferido, por ter se aventurado em terreno pedregoso.

Se vocês sabem o significado da palavra "vergonha", é o que aqueles passageiros rebeldes estavam sentindo. Se sentiam como mendigos em uma festa de fidalgos. Teriam que retornar ao lugar de origem para reaprenderem a se portar e tratar de suas feridas. A viagem de volta foi feita em uma carroça mais rústica, com animais mais arredios e um cocheiro mais inclemente. Eles se acusavam uns aos outros durante a viagem, alguns passaram a maldizer o lugar que acabaram de deixar. Chegando ao destino, estavam ainda piores, novamente se sentindo mendigos em festa de fidalgos, pois os residentes do local estavam prontos para irem morar na outra cidade. Os que chegaram, pelo contrário, teriam que ir para um lugar ainda mais precário, pois nem ao lugar de origem se adaptavam mais, o que os revoltava.

Com o tempo, alguns deles precisaram ser internados, protestando, mas tiveram que ser internados para a segurança dos demais. Estavam tão animalizados quanto as bestas de tração dos coches. Não admitiam que sua ousadia fora de hora tinha causado todos aqueles problemas, insistiam em culpar e punir seus companheiros de viagem.
O grupo foi desmembrado. Os que tinham mais condições, foram reencaminhados às casas que ocupavam, para aprenderem com os novos donos a se comportar. A maioria ficou em cabanas nos arredores, recebendo visitas rotineiras para se reacostumarem à civilização. Outra minoria só recebia visitas de médicos e enfermeiros, às vezes de amigos e parentes, pois tinham se tornado agressivos. Alguns, os que mais se aproveitaram dos desvios, só recebiam a visita de médicos e enfermeiros muito fortes, sua alimentação era balanceada para não permitir fortalecimento muscular e os profissionais orientados a não lhes dar ouvidos, somente os tutores travavam (difíceis) diálogos com eles.

Os mais civilizados puderam voltar rapidamente à cidade mais refinada, nos coches dos próximos grupos. A maioria restante foi aos poucos retomando as casas na vila principal e se reacostumando aos bons modos, percebendo que não precisavam se empanturrar para terem uma boa nutrição; e que a comida não correria do prato, poderiam comer com calma. Estes passaram a dar aos demais as lições que aprenderam com seus erros, alertando-os dos perigos de ceder ao afã pela emoção. Emoção e prazer devem ser conseqüências e não objectivos, repetiam quantas vezes fossem necessárias. O empenho em ensinar e ajudar acelerou sua recuperação e logo estavam prontos, alguns para irem a cidades ainda mais refinadas do que aquela de onde voltaram.

O último a se recuperar e poder voltar ao convívio, vendo o mundo completamente diferente, chorou ao rever as ruas. Sabia que sua degeneração era culpa exclusivamente sua e de ninguém mais. Fez o que fez porque quis. Mas como os outros aprendeu a controlar seus pensamentos, para que seus raciocínios não fossem utilizados para fins torpes. Aprendeu e decidiu ficar para ensinar e ajudar a evitar que o erro seja repetido.

Pensamento e raciocínio são semelhantes, mas aquele é a origem, o outro é a sua manipulação. Um animal pensa, afinal gera pulsos neurológicos, alguns produzem ferramentas e formulam escolhas. Raciocinar é uma arte bem mais fina, que depende do controle do pensamento. Todos o fazem inconscientemente, mas visualizar um triângulo vermelho sem que a mente comece a especular a respeito da forma é mais difícil, pois com a especulação o triângulo vermelho começa a mudar de configuração, de tamanho, de tom e logo deixa lugar para um raciocínio derivado, mas completamente diferente. O controle do pensamento se dá quando ele se submete à tua vontade, quando mesmo vendo e ouvindo algo a certo respeito, seu raciocínio não é afetado pela exibição, por mais tentadora que ela lhe seja.

Questão de hierarquia, do que se coloca em primeiro lugar. Pense o que quiseres, mas sem se preocupar com o que se está pensando. caso o pensamento não seja do teu agrado, descarte-o e deixe-o ir embora. Precisa de muita prática e disciplina, mas isto faz parte do aprendizado, não só na magia.
Quando começam as aulas? O que achas que estás fazendo vestido nessa carne?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conversa com o Mestre - 01

- Sabe, eu penso assim; se está escrito é porque tem algum valor. Então, por que duvidar? Está lá, você é vingativo, não perdoa os que te desobedecem. E não deve mesmo, pois eu não perdoaria. Imagine só, eu dou tudo, faço tudo pela pessoa e ela me trai? Não, está errado, tem que ser punido, quanto mais severamente melhor.
Outro dia eu estava lendo e vi um exemplo típico. Uma criança pequena fazendo birra pra continuar brincando na lama. Aquela criança não faz nada! Ela não produz coisa alguma, só suga dos pais e é assim que ela agradece! Por que não pode ser quietinha, ficar calminha e brincar comportadinha, do jeito que os pais querem? Se fosse filho meu, teria levado uma surra na frente de todo mundo.
Eu sei muito bem que você é um vingador implacável, justo e generoso. Quem anda na linha não tem o que temer, mas ai de quem sair dela! Vai sofrer por toda a eternidade!
Eu vejo, eles pensam que não, mas eu vejo os desvios que eles cometem! Ahá! Dentre eles, nenhum se salvará.
- Filho, quem escreveu isso?
- Você!
- Há a minha assinatura lá?
- ... Não, mas... Faz milênios que é divulgado como sua palavra e tudo mais!
- Você conhece bem outros idiomas.
- Graças à sua providência!
- Então sabe o quanto uma tradução pode por a perder todo o sentido de um texto.
- Mas está escrito que nada poderia ser acrescido ou extraído!
- Quem escreveu isto?
-...
- Se você não me conhecesse e alguém falasse a meu respeito, você acreditaria de pronto?
- Mas você é...
- Se você não soubesse.
- Eu, desculpe, investigaria.
- Não se desculpe. É exactamente o que você deveria fazer. Eu pedi muitas cousas, mas foram teus irmãos que gravaram em letras, alguns deles estavam muito aborrecidos.
- Você os orientou, não orientou?
- Sem quebrar seu livre arbítrio. Por que você acha que eu não deveria perdoar as faltas, inclusive as suas?
- Mas como pessoas imperfeitas podem entrar no céu?
- Não podem, não porque eu não deixe, mas porque elas não conseguem. Uma vida não basta. Quase ninguém consegue sequer se perdoar em uma vida, que dirá ascender à perfeição de que você fala! Acha que eu ficaria feliz em mandar um de vocês para um sofrimento interminável?
- Não, mas tem gente que pede!
- E eu deixo ir. Mas deixo voltar assim que percebe o erro que cometeu. Você não me pediu perdão tantas vezes por coisas tão pequenas? E eu não perdoei todas?
Vocês são como aquela criança, que muitas vezes precisam chorar pelo brinquedo tirado de suas mãos, pelo seu próprio bem. Mas não cabe ao adulto impor-se com violência, a desproporção de forças é muito grande. Eu não faço mais do que vocês podem suportar, por mais que vocês errem.
- Claro que não, uma faísca de teu amor pode abrasar a Terra!
- Imagine então esta faísca sobre você. Eu os educo segundo as condições de cada um. Você já cometeu erros crassos, mas também actos de nobreza, tudo de acordo com sua capacidade de entendimento. Não deves forçar o outro a atingir a tua capacidade porque ele tem seu próprio tempo, e você com o seu não deve se forçar mais do que sua própria capacidade, para alcançar outro mais adiantado. Brincar no barro não é cousa de adulto, mas é cousa de criança. Não confunda as necessidades, cada fase tem as suas e cada dia tem seus problemas. Não resolverá os seus vigiando os alheios, mas pode conseguir algo se tentar ajudar, como eu sempre faço com você.
- Sei, está escrito que você é justo.
- Tento ser, mas não porque está escrito. O faço por amor a vocês. Realmente, quem anda na linha não tem o que temer, senão o trem do fanatismo. Mas não sou eu quem pune os que andam fora, estes são punidos por suas próprias escolhas. Se você se agarrar à âncora, você vai para o fundo do mar, apesar da sensação de segurança que ela dá.
Eu não sou implacável, apenas faço o que devo e na medida em que devo fazer por vocês. Rigor quando é preciso, amenidades quando é possível. Não porque está escrito, porque o homem corrompido escreve o que quer, mas porque é o melhor para vocês. Quando eu disse para que se amassem uns aos outros como eu a vocês, eu não estava sendo metafórico.
- Mas é tão difícil! E disseram que você até jogou um anjo no inferno por sua rebeldia!
- Ele se jogou nas profundezas porque se agarrou à âncora de seu orgulho. Quem seria capaz de me ameaçar?
- Ninguém em todo o universo!
- Então o que a rebeldia dele representaria para mim?
- Nada?
- Até menos do que nada, mas piedade. Não acredite só porque está escrito ou só porque falam a respeito, nem só porque lhe parece simpático. Muitos se queixam de você, a maioria por motivos torpes. Eu sei o que você faria ou não, em sã consciência e não acredito só porque me dizem, por mais que sejam e mais tempo que repitam a calúnia.
- Mas se eu me aprofundar, como fica a minha fé?
- Fortalecida. Eu criei o mundo, cabe a você descobrir como eu o fiz. Sete dias mal dão para fazer uma porcelana, quanto mais um mundo inteiro! Eu não contrario as leis decorrentes de minha criação. Se eu fiz, vocês também podem, se descobrirem como.
- Tá me falando que é tudo como um jogo?
- É tudo como uma escola. Se aprender com jogos saudáveis te apraz, assim te ensinarei.
- Jura? O que é a supercorda?
- Duas partículas se atraindo e se repelindo alternadamente. Agora descubra como elas o fazem.
- Mas daí vou descobrir seus segredos!
- Quanto tempo você leva para descobrir o infinito? Por mais que saiba, sempre haverá mais a se saber. Sempre haverá um professor capacitado às suas necessidades.
- Então errar não é passagem para o inferno?
- A única passagem para qualquer lugar é a tua vontade firme, que te mostrará os caminhos para chegar lá, seja aonde for.
- Quanto tempo eu tenho pra aprender?
- O teu tempo.
- Jogo a bíblia fora?
- Não. Aprenda a ler com a mente, para que o coração fique livre para sentir. Não inverta os papéis.
- E... Quando começam as minhas lições?
- Esta foi a primeira.
- Passei?
- Raspando, mas passou.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um lugar para pensar besteiras


La-rala-la-la...
Existe um lugar onde se pode pensar besteira. Um lugar onde os bichos podem ser soltos à vontade, desde que estejas fazendo o que o lugar foi feito para se fazer. É lá que os fluídos ruins, as larvas astrais, os obsessores e maus pensamentos hesitam entrar.

Errou quem pensou em uma sala especial, purificada e dedicada a uma divindade guerreira. Não é a sacristia, não é um convento franciscano e tampouco uma cabana no Himalaia. Eu falo do singelo e frugal banheiro.

Sim, caros leitores, o banheiro é um dos lugares mais potencialmente importantes, mas também um dos mais desdenhados de uma casa. Lugar aonde os garotos costumam ir para descarregar hormônios, o banheiro tem uma característica que muitos praticantes e iniciados deixam passar desapercebida, que é a facilidade de circulação de energias, com a circulação a também grande facilidade em nos limpar dessas energias.

Lembrem-se de que Paulo Coelho, no auge do desespero, antes de abandonar a vida sem regras, recorreu ao chuveiro para se livrar de ser engolido pelas sombras. Funcionou, ou ele teria desandado de vez e talvez estivesse nos umbrais mais profundos.

Como funciona? Mesmo sem torneira e ducha ligadas, o banheiro é particularmente rico em ralos, que levam aos encanamentos de esgoto da cidade, que nunca páram de receber e encaminhar água suja; mesmo suja continua sendo água, e como água ela consegue puxar energias como um ímã forte puxa limalhas de ferro. O princípio é o mesmo que a torna o líquido ideal para sessões mediúnicas: magnetismo.

Aqueles feitiços e simpatias de se pular sete ondas, forçar espíritos ruins a atravessarem sete cursos d'água ou a lenda de que um vampiro não pode atravessar um rio, têm todas o mesmo princípio. Assim como a parte material da água consegue dissolver praticamente tudo, ainda mais com a ajuda do sabão, a parte sutil também o faz. Não, caros iniciantes, não são só os humanos que têm espírito, nem mesmo só os seres vivos. Uma espiritualidade extremamente primitiva é inerente a tudo o que existe, e a da água é bastante forte. Por isso se aconselha um banho de mar para descarregar. Por isso os espíritos das trevas incentivam à poluição e degradação dos mananciais.

Quando pensamos, recapitulando o pré-chulé da magia, não é só o cérebro que se modifica, a mente também se molda e (pasmem) produz coisinhas tal qual aquele desenho de mansão de amigos imaginários cujo nome me foge agora. Mas só pensamentos bons produzem criaturas legais como os amigos imaginários da... Mansão Foster, creio que é isto. Certo. Imagine-se pensando em algo. Uma bolotinha de energia se forma e se molda aos poucos, tanto mais e mais fiél quando mais se pensar naquilo. Pode durar uns segundos, pode durar a vida inteira. Se for no quanto gostas daquela guria de tranças da tua classe, certamente sairá algo bonito. Se for na raiva que sentes por ela não te dar bola, sairá algo feio.

Isto é, a grosso modo, uma forma-pensamento. É como um microorganismo, que tem como única programação a própria existência. Não tem curiosidade, não tem sentimentos, não tem perspectivas. Ela só quer existir. Como um microorganismo, está disposta a tudo para continuar existindo, então vai vibrar na freqüência daquilo que a criou, te induzindo a pensar mais no mesmo assunto. A forma-pensamento se alimenta disso. Mas ela só pode te induzir, acatar a indução é problema teu.

Ao contrário do micróbio, coitado, que morre antes mesmo que consigamos dar-lhe um nome, a forma-pensamento vive enquanto for alimentada. Vive e evolui. Com o tempo se torna uma larva astral, que tem a capacidade de tomar a forma que quiser. É como uma meleca que se molda fácil e rapidamente a tudo o que lhe for conveniente, ou seja, ao estímulo dos pensamentos e sentimentos que a geraram. Ela pode inclusive se tornar uma obsessora, tomando a forma daquela guria (em uma versão totalmente promíscua) e te fazendo ter "sonhos" libidinosos todas as noites, não se importando com as conseqüências. Alguns crimes passionais têm esta origem. Não que o criminoso não seja culpado, ele é, ele foi invigilante e permitiu de livre arbítrio que os pensamentos ruins continuassem. Ele gostou daqueles pensamentos e os alimentou. Agora imaginem a quantidade e qualidade de formas-pensamento ruins que povoam essas raves cheias de permissividades e abusos de drogas. Se alguém sair de uma gritando que viu um vampiro, provavelmente viu mesmo. Com o tempo um desencarnado pode conseguir vestir direitinho aquela larva astral e tomar a forma que quiser para os propósitos que quiser, inclusive continuar se drogando depois de morto, sugando a aura apodrecida dos usuários. Tens nojo de barata? Então fique longe de raves.

É, moleque, agora sabes porque te mandam estudar ou procurar serviço, quando começas a fazer besteiras. Uma actividade útil que não seja somente em benefício próprio, ajuda a sanear as idéias. No mínimo atenuar. Agora vá caçar algo de útil para se distrair, vá.
Por experiência própria eu recomendo ir ao banheiro, quando estiverem prestes a explodir. Aconselho com mais ênfase se o intestino estiver cheio. Quando faço uma limpeza em alguém, costuma ir tudo para o baixo ventre, que é a parte mais propícia para lidar com essas energias densas. Literalmente defeco as energias ruins.

"Pronto, agora bosta virou espírito", vai pensar um cético azedo que não foi chamado à conversa. Vamos recapitular de novo, estudantes e praticantes. O espírito, ou seja, todo mundo, não é uma entidade amorpha e intangível. Ele é uma matéria mais sutil, ligado ao corpo por um adaptador chamado perispírito. Embora permeie facilmente a matéria densa de que somos feitos, também respeita as leis da física. Ele se molda ao organismo que utiliza, então nossa parte espiritual também tem intestino, do qual se vale para jogar fora tudo o que não lhe convém. Assim como o intestino muscular joga fora as toxinas, o espiritual também joga, pelos mesmos meios e do mesmo jeito. Acionando a descarga, forma-se um vácuo em ambas as dimensões, que puxa mais um pouco de porcaria. Limpando-se direitinho, de preferência com um banho, as formas-pensamento e larvas astrais danosas não terão mais o que as alimentava e se dissolvem na natureza. Por isto, aliás, é desaconselhável usar o pentagrama com a ponta para baixo em perímetro urbano, tu não sabes que tipo de energia está circulando sob o solo.
O ideal, mas sei que a maioria de vocês treme só de pensar, é tomar um longo banho frio. Porque a baixa temperatura não afeta só o corpo, ele afeta as ligações sutís com ele. O que não estiver bem ancorado, como a pessoa que reencarnou lá, sai mais facilmente. O banho quente, pelo contrário, além de acabar com tua pele fornece energia para os parasitas perseverarem. É por isso que a maioria das histórias antigas de assombração tem uma lareira em algum ponto da trama.
Eu também sei que tomar um banho longo, para quem mora em família, é quase utopia. Sugiro então que faça uma oração, prece, invocação ou o que lhe for mais condizente, no início e no fim do banho. É quase como tomar banho em água benta. E tenham certeza de que alguns de vocês conseguem fluidificar a água e torná-la benta, mesmo jorrando com toda força pelo chuveiro. Tentem que nada custa e em nada assusta, pelo contrário, vão estranhar é o alívio que sentirão.
Mas aqui vão algumas considerações:
  • Como todo "dispositivo", o banheiro precisa de manutenção para funcionar a contento. Mantenha o teu nas melhores condições possíveis;
  • Não sabote tua limpeza, mantenha o banheiro limpo como se fosse comer no azulejo, mas por favor não faça isto!!! Simplesmente deixe-o limpo e organizado. Coma à mesa, utilizando prato e talheres;
  • Quanto melhor a iluminação natural, melhor a ventilação, é como um turbo, que aumenta eficiência e potência do banheiro, e sem riscos de quebrar uma biela;
  • Porque ele absorve energia, desaconselho deixar a porta aberta, ou a tua energia vital também começará a ir pelo ralo, literalmente;
  • Prefira os ralos escamoteáveis, que podem ser fechados quando não utilizados, poupam-nos de agentes patogênicos nos dois planos existenciais;
  • Cerâmica escura pode ser chique, mas assim como um pretinho básico não entra na sala de cirurgia, ela também não deve entrar  no local de purificação. Cor escura acumula e estagna energia, energia estagnada atrai larvas astrais.
  • Incensos, perfumes que não te ataquem a alergia, sais de banho e música suave só fazem bem, mas também podem te fazer demorar demais e gerar uma gritaria lá fora.
Entendidos? Então, já para o banho.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Recontando uma parábola

Acabou a inocência, vocês já sabem o que fazer.
Os irmãos siameses estavam crescendo rápido. Gostavam do facto de poderem levantar pesos elevados e fazerem várias cousas ao mesmo tempo, já que eram dois pares de membros agindo juntos.
Com o tempo, porém, os interesses começaram a diferir. Ela queria colher flores, ele pular no rio; ela queria descansar à sombra da árvore, ele em cima de um galho; ela queria correr atrás de uma borboleta, ele também, mas para espetar a pobrezinha em um espinho. E na hora das necessidades? Ave Maria! Ele se divertia fazendo jatos para longe, ela queria sossego para se agaixar e se limpar. Já não eram mais crianças.
A convivência estava ficando difícil, agravada pela impossibilidade de cada um fazer o que queria. Chegou o ponto em que o pênis dele começava a erigir por qualquer motivo, e os seios dela a se tornarem grandes e protuberantes; eles perceberam isso. Foram ao zelador do jardim para tratar do assunto...
- Realmente, vocês estão crescendo mais rápido do que supúnhamos. A actual condição não lhes serve mais. Vamos separá-los. Acalmem-se, façam uma refeição leve e vão dormir. Durante a noite trabalharemos.
Durante o sono, enquanto os espíritos vagavam livres como não podiam nos corpos, a apoptose fez seu serviço. Eles foram separados. Assim que acordaram, tomaram um baita susto ao se verem distanciando um do outro. Ele teve ereção instantânea, pediu licença e correu para uma moita, voltou em seguida para conversarem sobre o assunto. Apesar do medo inicial, combinaram que continuariam a fazer basicamente as mesmas cousas de cunho coletivo, mas cuidariam de assuntos particulares sem interferência do outro. As personalidades rapidamente se opuseram, já trilhavam caminhos distintos.
Durante o almoço, com o peixe que ele pegou e os tubérculos que ela colheu, o zelador apareceu à sua frente. Sabia bem de tudo o que tinha acontecido, mas deixou que eles mesmos falassem. Pelas falas percebeu que ainda não estavam prontos, seus corpos amadureceram mais rápido do que o intelecto, mas estavam bem mais avançados do que era esperado...
- Vocês dois não são mais crianças. Está chegando o momento de assumirem a responsabilidade para a qual foram criados. O que vocês sentiram hoje cedo foi atração sexual, de que lhes alertei há uns anos e com a qual terão que lidar, quando saírem ao mundo. Doravante lhes ensinarei a lida com a manutenção do jardim, para que se acostumem com o trabalho manual e se preparem melhor para o que virá.
O trabalho ajudava a tirar a atenção do sexo, os dois logo aprenderam e se valeram disso. Os dias, que às vezes eram enfadonhos, começaram a ficar curtos, recheados pelas actividades e pelo cansaço moderado no fim da tarde. Tiravam um dia por semana para descansar, mas depois voltavam ao batente, pois crianças ocupadas são até mais felizes.
Em poucos anos o zelador viu que estavam quase prontos, então os chamava todas as noites, fora dos corpos, para que se familiarizassem com o mundo lá fora. Que mundo grotesco! Que primitivismo! Quanta selvageria! Corpos incomparávelmente mais densos e limitados do que os seus. Mas era, como eles mesmos, um mundo de espécies novas, ainda muito jovens e sem noção de si mesmas...
- Estas serão as matrizes. Vocês vão ensiná-las a agir mais com a razão e os sentimentos, menos com os instintos, para que evoluam e fiquem prontos para o início de sua jornada.
- Vai levar muito tempo!
- Sim, meu filho, muito tempo. Mas porque vocês ficaram prontos antes do esperado e os encontraram ainda em estado selvagem.
- Por que eles pegam as fêmeas à força?
- Porque não sabem pedir. Não sabem sequer articular palavras! Para ambos só a química de seus cérebros importa. Vocês terão uma missão dura, os exilados começarão a encarnar e provavelmente corromperão os primitivos. Sua função, pelos próximos vinte e cinco mil anos, será balancear as emoções extremistas que eles alimentarão, por se sentirem seguros nelas.
Todas as noites, durante mais de um milênio, os dois estudaram e trabalharam com afinco, estudo e trabalho para forjar sua formação e seu caráter. Em contraste, tinham uma espécie indolente e espertalhona para colocar nos trilhos.
Certa feita, cheios de confiança, os dois foram a uma árvore à qual foram proibidos de se dirigir até terem a devida permissão. Sem saber de onde, a confiança os preenchia e ambos se aproximaram. Estranharam a ausência do zelador, mas a árvore precisava ser limpa, como todas as outras, então foram limpá-la. Adão puxou a última folha seca do galho e com ela veio uma fruta. Ofereceu-a à Eva, que agradeceu, mas disse que ele estava mais cansado e precisava repor suas energias. Combinaram de dividir a fruta, comeram cada um sua metade e ouviram um estrondo, após o quê o zelador desceu da árvore, em seu corpo apode...
- Vocês estão prontos, é hora de irem embora.
Choro, claro, afinal sempre viveram naquele lugar e a serpente os avisou com uma racionalidade dura, quase cruél. Entretanto, findados os protestos, um grupo de anjos veio explicar a verdadeira natureza de seu professor, que aprendeu a ser duro e suave de acordo com a necessidade, como eles deveriam ser com seus tutelados de então em diante. A serpente, explicaram, estava tão triste com a partida quanto eles, mas sabia que era o melhor e que eles seriam mais felizes após a missão cumprida, após a qual poderiam voltar ao seu lar. Apenas dez anos de despedida e últimas orientações, então desceram ao mundo. Sabiam que tudo o que fizessem seria deturpado, mas precisava ser feito. A serpente disse adeus e voltou ao jardim, sem demonstrar s tristeza pela separação, mas sabia que eles nunca ficariam sozinhos na empreitada.