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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Alerta sobre a meditação




  Existe uma histeria anticapitalismo que cresce desde fins dos anos noventa, mesmo com o capitalismo em si já estar morto desde o início do século, e mesmo sem haver nenhum sistema econômico de verdade que funcione; estamos à deriva desde então. Essa histeria acaba gerando uma phobia também a tudo o que é ocidental, gerando o crasso equívoco de que tudo o que é oriental, é bom, justo, puro e virginal. Lamento meus queridos, isso não existe e nunca existiu no orbe dos homens. Quem estuda a sério, sem viés ideológico ou religioso, minimamente a história e a política gerais, sabe que nunca houve nação boazinha, porque nações são formadas por pessoas, espíritos degredados; trocando em miúdos, malas que não se comportaram e foram expulsos dos planetas de origem.

  Well, a vítima mais recente dessa histeria antiocidental é a meditação. O que houve? Alguém não conseguiu ficar relaxado e de bem com a vida, depois de uma sessão de meditação? Por incrível que possa lhes parecer, sim, é isso mesmo. Vamos ao breve histórico.

  Hoje em dia e em noite, qualquer um que aprende a relaxar um pouco já se considera um mestre Ascenso da meditação transcendental. Com a recusa inconsistente de muitos “cientistas” em reconhecer benefícios que não resultem de interferências químicas, não existem parâmetros legais e técnicos para definir quem está ou não apto a orientar a pessoa à prática meditativa. Mais ou menos como se qualquer um com paciência para ouvir potoca, se achar apto a praticar profissionalmente psicanálise.

  Um grupo de “pesquisadores”, baseados exclusivamente em casos mal sucedidos, decretou que a meditação não acalma, pelo contrário, só piora o comportamento do praticante... Oi?

  Os casos relatados incluem um sujeito que saiu de uma sessão altamente estressado, a ponto de ter feitos horrores ao volante até bater em um poste. Relatos de angústia, medo, frustração e outros bichos do gênero, são numerosos. Vocês, gente minimamente familiarizada com os benefícios e riscos potenciais da lida espiritual, devem estar de cabelos em pé, se perguntando se alguém esperava se livrar da samsara com duas ou três sessões de meditação. É por aí mesmo.

  Vamos aos factos para os que acabaram de chegar, e aos que só estão olhando pela janela e pensam que assim terão a mesma carga de experiência dos que põe a mão na massa. Meditação não é brinquedo, não é inofensiva, não é nem mesmo garantia de sair mais alegre de uma sessão, mesmo que conduzida por um RARO instrutor competente. Meditação, se mal feita, pode induzir ao suicídio, meus amigos. Já explico, só um minutinho...

  O que a prática meditativa faz, basicamente, é primeiro acalmar a mente, depois abri-la, em seguida organizar para facilitar consertar o que for necessário. Acontece que um bom orientador só pode fazer o que lhe compete, que é conduzir e socorrer, se for necessário, o praticante. Se tu começas a praticar, a responsabilidade pelo trabalho é tua. É aqui que os materialistas mais pegam no pé, porque meditação é vendida como um milagre ao alcance de todos, como se fosse um tarja preta que dispensa controle e receituário. Bem, pode ser um milagre, mas sua operação é responsabilidade e risco do praticante. Vamos aos pontos citados:

·         Acalmar a mente consiste basicamente em controlar a respiração, deixar lá fora o mundo exterior e permitir que os pensamentos fluam. O que mais frustra é justamente a falha das pessoas no controle da respiração, porque querem efeitos imediatos como um tiro na testa. Nisso, não conseguem deixar lá fora os problemas que não fazem sentido em uma sessão desse naipe. Por conseqüência com trema, para agravar a coisa, os pensamentos não fluem como deveriam. Eles deveriam correr e ir embora, mas ficam retidos no colesterol psíquico da ansiedade e do apego, e uma vez retido o pensamento se torna muito evidente, trazendo à tona todas as lembranças e lambanças relacionadas a ele. Vocês sabem muito bem o que a maioria de nós tem guardada na memória, mágoas e ressentimentos são apenas dois exemplos, e não são os mais graves;

·     1 -    A mente aberta, no meio de toda essa bagunça é como um intestino descontrolado. Milhares de pensamentos e ressentimentos, que talvez o inconsciente nem tenha avisado que estavam lá, começam a gritar todos ao mesmo tempo. Aqui acontece uma versão muito piorada da projeção do ego. Algo que seria minimamente controlável, em situações normais, se é que existe alguma, agora flui como se ganhasse vida própria, como se uma larva astral se aproveitasse de toda essa baderna para se alimentar e fomentar mais baderna; e é o que acontece. Sentimentos ruins se retroalimentam até o praticante estar à beira de um colapso, seja por infarto, seja por um surto psicótico... Foi o que aconteceu no caso. Felizmente o cidadão arrebentou o carro em um poste, não na multidão que não deixa Nova Iorque dormir;

·    2 -     Como organizar tudo isso? Como sair à tona para respirar, diga-se de passagem, se a pessoa insiste em atacar todos os seus medos e frustrações ao mesmo tempo? A que é talvez a função mais nobre da meditação, fica travada. Como um computador mesmo, que só destrava desligando na tomada ou tirando a bateria. Infelizmente não dá para desligar o corpo humano e religar depois, não sem uma parafernália médica tecnológica gigantesca que poucos hospitais no mundo têm. A salinha da “escolinha de meditação” não tem. Com a organização travada, não há como consertar coisa alguma, e a tendência é tudo se arrebentar de vez. Por favor, que seja o carro no poste, não vocês no chão de um precipício!

3 -  O que a meditação faz de verdade, como vocês devem ter percebido, é colocar nossos demônios diante de nossos olhos, prontos para serem analisados e postos sob nosso comando, situação em que deixam de ser nocivos e podem ser até bons, de vez em quando. Mas se tu não os controlas, eles te controlam. E sem noção de bom e mau, certo e errado, seguro e perigoso, eles vão arrebentar coma tua vida e, se brincar, com as próximas três encarnações, por carmas adquiridos em surtos psicóticos.

  Agora alguém aí, provavelmente o fulano que só observava tudo da janela, pergunta como deixam uma coisa tão perigosa ser praticada sem um atirador de elite por perto. Acontece que as técnicas meditativas foram desenvolvidas em épocas muito remotas, quando o cidadão trabalhava de manhã, ia descansar, voltava mais tarde, parava para o almoço, tirava uma sesta, recebia uma visita, concluía o serviço do dia e ia para casa. Naquela época, não essa profusão quase selvagem de mídias ao alcance da mão, muito menos a ansiedade por usar todas ao mesmo tempo. Era relativamente fácil a pessoa ficar em silêncio absoluto todos os dias, nos mesmos horários, sem ser perturbada.

  Hoje isso beira a utopia. Aquele maldito aparelhinho que reúne dezenas de funções de dezenas de aparelhos em um só, fácil de extraviar, roubar ou dar pau e inutilizar todas elas de uma só vez, é quase obrigatório até para se manter o emprego. Ainda não tenho smartphone, mas sei que nem encontrarei celular de teclado, quando precisar substituir o actual. Vou dar umas dicas para remediar o problema, até encontrarem alguém que realmente saiba o que está fazendo e possa orientar o praticante de forma segura, sem precisar de um soldado fortemente armado para controlar surtos.

  Cultive uma rotina. Palavra que causa calafrios em muita gente, a rotina é vital para disciplinar a mente, esqueçam o conceito imaturo de que a rotina poda a liberdade. Não confundir “rotina” com “bitolar”. Se tu não sabes a diferença, está na hora de sentar-se no divã. A meditação é como uma locomotiva ultra poderosa, que pode te ajudar a arrastar o mundo, mas também pode de atropelar.

  Decidindo-se a aceitar uma rotina mínima, reserve nela um tempo para o nada. Sim, nosso amigo nada é capaz de muitas boas coisas, se o deixarmos trabalhar. Desligue tudo o que não for essencial e puder ser desligado, sente-se da forma mais confortável possível, mas não a ponto de ficar com sono, foque a visão no vazio e deixe rolar. Aos poucos, com o tempo, tu vais se acostumar a ouvir o som da respiração. Qualquer alteração do ritmo respiratório não vai mais passar despercebido pela mente consciente, e será um sinal amarelo que teu ego saberá interpretar a contento e em tempo hábil.

  É só? Sim, é só, mas não é fácil como parece. As tentações, os medos, a ansiedade e as neuroses vão te chamar a todo momento, até se acostumares ao nada. Facebook, Tweeter, WhatsApp, televisão, seriados e outras bobagens vão exigir tua atenção até perceberes que realmente não precisas deles o tempo todo. Na verdade, com o tempo, vais perceber que não precisas de nenhum deles mais do que de vez em quando, o que poderá causar indisposições sociais, mas é um custo de que deves ter ciência e estar disposto a pagar para ter paz. PAZ.

  Chamadas profissionais e de emergência são outra conversa, mas o que não for essencial, e é justamente esta a área que mais te toma tempo e paz. Vais se surpreender com o tempo livre que vais encontrar, porque até as baladas sagradas de todo fim de semana podem perder importância. Quem for teu amigo vai entender, quem não for, agradeça-se por ter iniciado a prática e deseje boa viagem.

  Usufrua de tua paz.

sábado, 15 de março de 2014

O mito do touro manso



Tenham paciência taurina, o texto é longo.

   Um ledo engano arraigado no inconsciente popular, é a crença de que os signos de terra são mansos e passivos. Grande parte desse erro crasso vem da própria concepção mais aceita sobre os filhos da terra: fixo, estável, frio. Mas vem também de um equívoco de interpretação da ciência formal, sempre acreditamos que estamos em terra firme, seguros, fixos, nem nos lembramos que há terremotos e erupções vulcânicas, até elas nos pegarem de surpresa. Aliás, para quem não sabe, maremotos, tsunamis e alguns furacões, também são causados por terremotos no fundo do mar.

   Há uma comparação aparentemente tola que os geólogos fazem, mas que é muito fiél à realidade. Se a Terra fosse uma maçã, a terra firme seria e teria a espessura de sua casca. Confusos? Vocês se impressionam demais com os números das petrolíferas e dos mergulhos dos batscafos. A maioria de vocês percorre, todos os dias, distâncias maiores do que as profundidades que eles propagandeiam. O ponto mais profundo do Oceano Pacífico, a Fossa das Marianas só chega a onze quilômetros. Mesmo depois dessa profundidade ainda há a crosta, que tem entre trinta e oitenta quilômetros de espessura. Parece muito? Pois a terra tem cerca de 12.756km de diâmetro.

   Vejamos agora, reticências... Temos entre trinta e oitenta quilômetros de terra sólida, mas quase treze mil de diâmetro total, essa terra sólida sustenta inclusive os oceanos... Então, de que é feito o resto dos mais de doze mil e quinhentos quilômetros restantes de planeta? Eu respondo, dois pontos: Magma. Em palavras miúdas, uma mistura de terra, rochas, silício, ferro, e outros metais derretidos, com temperaturas que variam de 3500°C a mais de 5000°C, em seu núcleo.

   Ok, a litosphera é um isolante térmico extremamente eficaz, permitindo que as águas profundas sejam frias, mas ainda assim os vulcões submarinos costumam soltar grandes quantidades de magma e gases sulfurosos quentes, às vezes a mais de 300°C. Só a pressão esmagadora das fossas abissais para manter a estabilidade da fase líquida, nessas condições. Ah, aqui temos mais um perigo do mito: Pressão. Logo falaremos a respeito.

   Essa eficácia térmica é o que nos permite enfrentar temperaturas amenas, como a de Dezembro do ano passado, quando os cariocas chegaram a suar em frescos 50°C. Do que estão reclamando? As coisas poderiam estar bem piores, imaginem se a poluição se dissemina pelos oceanos e eles passam a absorver e conduzir mais calor!

   Agora vocês devem estar se perguntando, e se não estão tratem de se perguntar, se os astrólogos não cometeram algum equívoco, ao fazer a analogia entre Touro, Virgem e Sagitário a um elemento tão traiçoeiro! Bem, vou deixar vocês pensando por uns minutos, assistam a um desenho enquanto isso.



   Pronto? Pensaram? Então vamos lá, os astrólogos não cometeram erro algum! Nós é que somos escravos plácidos do senso comum e suas limitações estúpidas. A analogia é perfeita, mostra exactamente o que é um signo de terra. Sim, ele tem solidez; Sim, ele tem estabilidade; Sim, ele é confiável; Não, ele não tem paciência infinita! Só porque o touro parece ser mole, lerdo e eternamente meditativo, não significa que ele não vá avançar subitamente sobre vocês, a mais de cinqüenta quilômetros por hora com seus mais de setecentos quilos; mas pode passar de uma tonelada.

   Lembrem-se das lições básicas de magia, a terra tem em si todos os outros três elementos, e pode facilmente se converter em qualquer um deles, às vezes sem que os incautos percebam. É assim que um terremoto transforma o mar calmo em um tsunami devastador, contamina térmica e cineticamente a atmosphera e provoca furacões gigantescos, enterra cidades inteiras debaixo de rocha derretida, bloqueia a luz do sol até por meses com milhões de toneladas de fuligem e particulados em suspensão... Aliás, o próprio terremoto é um aviso claro de que a estabilidade é passageira e precisamos ficar atentos sempre.

   Por que? Porque nos acomodamos fácil no conforto das aparências, geralmente não percebemos que estamos irritando o Minotauro! Ele pede de forma tão aparentemente calma, com sua voz aveludada e gostosa de se ouvir, que tendemos a acreditar que ele está brincando! Nós nos acostumamos a acreditar que um pedido educado não deve ser levado à sério, até descobrirmos que o Exu Caveira estava nos chamando de "senhor" por civilidade, e não por mansidão. Ele só pede respeito. A terra só pede respeito.

   Os signos da terra quase nunca percebem, mas são mestres dos quatro elementos. O facto de quase nunca perceberem aumenta o perigo, porque assim ele dificilmente consegue controlar seus rompantes. Prestem atenção aos detalhes e vocês verão coisas inusitadas, que fogem completamente aos seus conceitos. O taurino, principalmente, é um chantagista emocional de marca maior, às vezes faz inveja aos cancerianos mais orgulhosos de suas pitangas. É muito emotivo, por isso mesmo chora e se lamenta de forma tão sentida, mas tão cordial, que às vezes faz até os arianos se sentirem culpados. Mas essa mesma emotividade camuflada, ô bicho tinhoso!, pode fazê-lo sentir subitamente uma raiva tão profunda que até o escorpiano ficaria com receio de se aproximar. Ou vocês pensam que o veneno de alguns escorpiões faz mal a um touro adulto? Só o deixa mais furioso ainda e, o que é pior, quase sempre uma fúria cega.

   Outro erro fatal é acreditar que a força, a solidez, o foco nos resultados, a disposição para o trabalho árduo e a resistência dos elementos terra, são sinônimo de independência completa. ERRADO!!! Não se iludam com a discrição com que um capricorniano retribui um carinho, é da natureza dele ser austero, mas ele precisa de carinho tanto quanto qualquer um, às vezes mais. O facto de os terrosos não demonstrarem certas emoções em público, vem justo da característica de frieza, que não deve ser confundida com frieza de emoções. Por dentro (chegamos ao ponto) existe uma pressão emocional incomparável. Acontece que eles sustentam o mundo, não têm tempo para mi-mi-mi! Por isso explodem quando menos esperamos.

   Tu, ariano, que pensas ser o suprassumo da agressividade, experimente trocar uma só cabeçada com um touro. Ele tem mais do que o dobro da tua massa, no mínimo, te arremessa para longe! Com tamanha pressão contida em um coração quente, a explosão de um elemento terra é a antessala da desgraça. Quem não tem o bom hábito de assistir a documentários, nunca viu um leão fugir apavorado de um touro selvagem furioso. Viu, leão? Vê se controla esse teu orgulho, antes que sejas obrigado a engoli-lo a seco para não seres esmagado. Os terrosos, ainda que não demonstrem em público, e não vão demonstrar nem que a vaca tussa, precisam muito de um cafuné. É como se as placas tectônicas deslizassem mais suavemente sobre a bolha de rocha derretida sobre a qual flutuam, e as tensões pela pressão que enfrentam fossem aliviadas. Nem sempre sexo é o objectivo, mas dormir no sofá mesmo, por alguns minutos, no abraço de uma pessoa específica... Aqui a solidez, a estabilidade e o comportamento frio que tanto apreciamos se revigoram, e as recompensas generosas não tardam a chegar.

   Aliás, um aviso aos navegantes, Wallstreet está brincando com fogo. Aquela representação de touro selvagem, na qual todos os especuladores focam, é de um poder sem comparação. Os elementos de terra são generosos, mas o touro está sendo usado para fins egoístas, e é um touro selvagem! As crises que tivemos não foram as últimas, simplesmente porque o egoísmo inconseqüente de quem se acha um adulto respeitável continua firme. Aquilo não é e nunca foi capitalismo de verdade. Um dia aquele touro vai cobrar pelos seus serviços, por enquanto está apenas mandando as faturas e estão todas atrasadas! Quando ele cobrar, não vai restar nem o alicerce das bolsas de valores para contar história.