segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Recomendando uma astróloga


Patrícia Balan. Minha astróloga de confiança. Pessoa ética e humana, às vezes humana demais. Tão ética que que ainda não se vendeu, já que diz o que o consulente tem que ouvir, não o que ele quer ouvir. Onde encontrá-la:
É também artista plástica, e se subestima bastante:
Ela também está no facebook. Se tens conta lá, faça amizade com ela. Ainda que não creias em astrologia, o que é estranho, já que estás lendo este blog, terás alguém inteligente e de língua afiada para trocar idéias, com acento que eu não aderi à deforma.

Outro astrólogo que recomendo é o Fio, nosso colega de blog que sumiu faz tempo, mas se ele aparecer, podem começar a encher a caixa de diálogos que ele entende do assunto.



Só no Brasil uma profissional ética e competente como ela não tem direito a um desses.

sábado, 5 de junho de 2010

Saber morrer

Uma das falhas crassas da sociedade é (não temer, mas) alimentar o temor pela morte. É importante não ter pensamento fixo nela, mas ter ciência e tranqüilidade de que ela virá e não adianta cultivar temores.

Primeiro porque é inútil, o medo é um mecanismo de defesa e quando a morte chega, não há absolutamente nada que se possa fazer contra. Segundo porque aumenta o sofrimento a cada luto, as pessoas instintivamente imaginam que sua hora vai chegar e variam entre a depressão e a euforia cega, na tentativa de viver tudo antes que acabe. Terceiro porque é insalubre, a pessoa deixa de viver o que realmente lhe faria diferença para melhor por se preocupar em viver tudo antes que acabe. Quarto e último porque é idiota, a pessoa passa a pautar sua vida pelo fim dela, como um viajante que tenta comer de tudo e photographar tudo e todos antes que a estrada termine; não aproveita absolutamente nada.

Os materialistas que cabem ao caso, temem porque, bem, porque acreditam que são apenas bichos dotados de raciocínio lógico (nem tão, vá) e que deixarão de existir, caindo no vazio absoluto de onde suas consciências teriam surgido. Ainda bem que descobrirão o contrário. Se alguém aí se desesperar em algum vale sombrio, em que só estará por descuido com a espiritualidade, é só lembrar deste texto e pode chamar que vamos de turma.

Os não materialistas que cabem ao caso, temem porque sabem que não estão fazendo a lição de casa como deveriam, muitos acreditando que alguns deslizes os lançarão à tormenta eterna e infinita do inferno. Como Deus é mau, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah, ah... Bobagem. Falta de estudos directo na fonte faz isso.

Em ambos os casos houve uma falha na educação para a vida, aquela que deveria preparar a criança para a vida adulta desde a mais tenra idade, que a troca da mãe pela babá, do livro pelo videogame, das prendas domésticas (também para meninos) pelo shopping center, do pai pelo currículo escolar, da vida em família pela mesada (entre muitos outros factores) legou ao esquecimento. Se a pessoa não aprende a viver, não saberá morrer com o mínimo de dignidade própria. Quando digo "viver", subtraia-se a busca insana por prazeres efêmeros e voláteis. Falha-se, neste caso, em ensinar como obter prazer na busca de um objectivo. É como no mercdo financeiro, quando a especulação toma o lugar do trabalho, forma-se uma bolha de prosperidade que estourará a qualquer momento, nós vimos isto, uma estourou logo nas mãos do Obama. Tudo parece maravilhoso, a cousa certa a ser feita, mas rapidamente a casa cai. Na vida pessoal não existe um Obama para tomar as rédeas, elas são tuas.

Uma das informações mais importantes que deveríamos receber da família é a de que um dia vamos morrer. A criança precisa se acostumar a isto. Não, bocó, não é para transformar a vida da menina em um filme de terror. É para não se esquivar quando ela perguntar a respeito, não florear e não monstrualizar, dizer que todo corpo tem uma data de validade e que um dia expira, como tudo no mundo.

Para os teístas, não se deve fazer propaganda da morte. O acto de morrer não é bom, é agonizante. A passagem que se dá pode (ou não, na maioria dos casos) ser boa. Agir com naturalidade é a única receita válida para todos os casos, o resto varia muito. Privar a criança de velórios não a poupa em nada, ela não crescerá mais saudável por isso, também não há porque impedi-la de visitar parentes hospitalizados, quando autorizado pelo médico responsável. Aprender que ninguém está bem o tempo todo, e que uma hora não estar bem é irreversível, ajuda a digerir a idéia de que se vai morrer um dia.

Sim, claro, "A morte não existe". Mas vamos tratar do fenômeno bioquímico a que nos acostumamos como sendo a morte. Para o espírito é facto que se trata de uma passagem, uma mudança de fase. mas não é menos doloroso ter a ausência permanente e irreveresível de um filho.

A civilização ocidental, desculpem bater em ferida aberta, é a mais despreparada para o fim da vida. Levado ao extremo da distorção, o termo "carpe diem" foi transformado em um slogan para uma vida de excessos e desconsideração para com os outros. "Aproveitar a vida" se tornou símbolo de promiscuidade e desperdícios. Quando chega a hora, a imensa maioria já está tão apegada à vida que levou, que se desespera e leva o desespero como última e perene impressão da vida. Não preciso dizer o que penso de "Melhor viver dez anos a cem que cem anos a dez". O infeliz que adopta esta aberração como lema de vida, abrevia a própria e a de quem nada tem a ver com sua loucura.

Acostumar-se e perder o medo da idéia da morte tem outro efeito, passa-se a envelhecer com mais dignidade. Embora se procure manter corpo e mente activos, não há mais a preocupação em recuperar a juventude perdida. Não interessa o que charlatães de programas de auditório digam, a juventude jamais volta, é uma fase, um tempo; o tempo não pára. Envelhecendo com dignidade, os efeitos da velhice ficam mais tênues, perde-se menos (ou nenhum) tempo implicando com a saia curta da neta, a música de péssimo gosto dos jovens incomoda menos, até se conseguem alguns acompanhantes de menor idade para saber de novidades e repassar a experiência. Infelizmente esta velhice digna não dá o retorno financeiro que os fabricantes de milagres, que usam e abusam de se chamarem de cientistas, conseguem fazendo os idosos passarem por ridículo.

Ter espiritualidade ajuda, mas asseguro que sozinha não adianta. A hora da morte não aceita ensaios, é tudo no improviso, se sair bem, saiu, se não sair... Vaias ou aplausos são conseqüência da performance do desencarnante.

Ajuda a morrer bem não deixar inimigos. Desde que o inimigo vai cuspir no seu túmulo até se casas com a sua viúva, tudo passa na cabeça do moribundo rebelde. Melhor então fazer o seu possível para acabar com a richa, se ele não aceitar, paciência, a tua parte na inimizade já terá sido extirpada, o problema será dele, porque gente que não aceita reconciliação planta inimizades; inimigos já mortos se aproveitam fácil de quem alimenta inimizades.

Ser útil. Poucas cousas aliviam a consciência como a sensação de a passagem sobre a terra foi mais necessária do que onerosa. Para quem não conhece, experimente ser útil a terceiros, sem esperar recompensas. Haverão os detratores, te chamarão de otário, mas eles também terão suas horas e elas lhes cobrarão o tributo. O rancor não gruda tanto em espíritos úteis, fica mais fácil levar a vida e a outra vida sem esse peso morto.

Se entregar à futilidade e à vida vazia não é o mesmo que satisfazer vontades sinceras. Faça-as. Chocolate é caloria pura, mas uma barra não vai te tornar um obeso. Poupar para conhecer o Rio de Janeiro em grande estilo não deve ser considerado luxo, porque sonho não é luxo. Pessoas viciadas em saúde são tão doentes quanto as viciadas em drogas. Cuide da saúde para ter a certeza de que a morte virá quando tiver que vir, não antacipada por descuidos, mas não deixe de viver a vida à tua maneira, corra artrás dos teus objectivos ou Azrael vai te cobrar a alegria que não foi disseminada, e lhe cabe disseminar. Ele não tem dó de ninguém.

Pague o que deve. Não gaste mais do que ganha para não levar para o túmulo a preocupação da dívida. Há circunstâncias em que é necessário assumir uma, mas na maioria dos casos não é. As ilusões cobram juros altos. Mas o dinheiro gasto em prol da comunidade ou de necessitados é uma poupança que inflação nenhuma corrói. Pensar "Fiz o que pude" enquanto o cérebro se apaga é um antídoto contra a agonia.

Trabalhe. Trabalhe com afinco até o último instante. Quem trabalha direito está mais exposto às provações necessárias e menos ao azar. Um acidente de trabalho te dá direito a regalias, tanto legais quanto morais, em especial dentro da família. Trabalhar em pequenas actividades, quando se torna necessária a aposentadoria, mantém a lucidez e o foco, a vida fica tão cheia que não há espaço para a tristeza que ronda a espreita de um idoso displicente.

Acostume os mais jovens à idéia da tua morte. Saber que filhos e netos vão sofrer muito em luto só interessa ao mau-caráter. Gente de bem como tu quer que eles chorem o que têm a chorar e depois toquem suas vidas. Tenha tato, escolha as palavras de acordo com quem estiver ouvindo, mas não deixe de ser directo. Vamos todos morrer, um dia, não tem jeito. Todos verão o teu corpo decair até se apagar por completo, então é melhor que estejam formalmente prevenidos, o choque é muito menor.

Como sei de todas essas sensações? Já tive uma experiência de quase morte. Senti o corpo deixando de obedecer aos meus comandos e o cérebro se apagando aos poucos. É escuro pra dedéu. Não houve um túnel, mas também não houve noção de tempo, porque meia hora deopois eu acordei e não parecia ter se passado nem um segundo, a consciência permaneceu na activa e minha boca ficou torta por mais uns minutos. O lado bom dessa agonia momentânea, que me custou a poupança e meses de tratamento, foi ter redescoberto a espiritualidade, sozinho, sem influência familiar e aos poucos.

Sei de um patriarca judeu que, momentos antes de falecer, chamou o filho e a esposa, recém-casados, abençoou a união e mandou que fossem para a lua-de-mel. Depois fechou os próprios olhos com a mão direita, a uniu com a esquerda no peito e morreu. Isto não é conversa de evangélio, aconteceu nos rincões do Amazonas, na primeira metade do século vinte. Quer morte mais serena e tranqüila do que esta? Aqui sim, a espiritualidade faz toda a diferença para muito melhor, este senhor sabia no que acreditava e porque acreditava, então não teve receios e a própria morte lhe foi cooperativa.

Ateu ou teísta, trate de se acostumar e aos mais jovens à idéia da morte o quanto antes, a vida ficará muito melhor. Quando vocês se reencontrarem, eles vão te agradecer.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Simples assim

Eu andava em meu antigo ceticismo pelas sombras de minhas próprias presunções, quando em um momento me perguntei o que seria de mim no futuro, já que a situação não mostrava ( e ainda não mostra muita) luz no meu caminho.
Em um momento raro de descanso veio uma figura imponente e extraordináriamente bela, fazendo desaparecer tudo mais ao redor. Me perguntei em pensamento quem seria e ela me respondeu: Eu sou você amanhã. E desapareceu quando cumpriu com o que veio fazer.
O que a tomographia mostrou foi um cérebro normal, a mente irremediavelmente aberta ela ainda não mostra.

sábado, 8 de maio de 2010

Teophobia

É justo reivindicar respeito pela posição que se assume. Se não convence, não há como acreditar. Por muito tempo houve discriminação contra os ateus, e ainda hoje há quem olhe torto para quem não tem uma religião. É inconteste que muitas seitas são verdadeiras fábricas de ateus, distorcem ao seu bel prazer as escrituras sacras, estas já deturpadas por traduções mal feitas, e fazem na prática exactamente o oposto do que é pregado. Pegaram o sexo e os sectários de outras religiões para anti-cristo e os matariam a todos se pudessem. Ateus então, não mereceriam sequer serem considerados pessoas. Fanatismo religioso é uma granada que destrói quem a tem, mas fere a todos por perto.

Nos últimos anos, porém, tem havido um exacerbo do que seria justo. Chegou ao ponto de um ateu ter (em suas palavras) tentado converter os teístas ofendendo suas religiões, com actos como colocar santos em posições sexuais, rabiscar piadinhas contra o islamismo e vandalizar os lugares públicos de preces. Tudo o que o idiota conseguiu foi dar combustível e oxigenar as alas mais radicais. Além de pagar multa, prestar serviços públicos e arcar com as custas judiciais. Tudo isto na Europa, que alardeia sua tolerância étnica e religiosa para o mundo todo. Bem feito.

Está havendo um ódio teophobico. Deixei de ler revistas até então bem conceituadas nos meus padrões, sem ligar para o viés ateísta que têm, por passarem a publicar textos extremamente tendenciosos, ridicularizando tudo o que não pode ser picado e analisado em laboratório. Quando dão espaço a religiosos fazem parecer que eles falam de uma agremiação sócio cultural, com fins de preservação de uma tradição e nada mais. Quando vi, estavam atirando até contra mim. Aliás, não só revistas como programas de televisão. Não é coincidência haver também um crescimento de programas e revistas claramente dirigidos para religiosos, especialmente aos menos tolerantes, que se gabam de testemunhar "milagres" todos os dias na igreja que freqüentam.

Equilíbrio, se uma asa cresce a outra também precisa crescer.

Uma religião não é uma agremiação étnica, mas não adianta tentar explicar isto a quem quer ter sempre e a qualquer custo a última palavra. A falta de respeito cega a ponto de tornar os ateus radicais exctamente iguais aos radicais teístas, confundindo dogma e religião. O primeiro é invenção humana, uma legislação que tem falhas como tudo o que o homem faz. Quem se guia por ele está dizendo, por tabela, que D'us é o homem que escreveu aquilo, então não tem como não fazer idéias equivocadas. Palavras mudam com os milênios, conceitos mudam os sentidos das frases e os textos, se traduzidos por quem não conhece a fundo o idioma quando da época, perde completamente o sentido original. Tradução, claro, se faz por homens.

Estamos aqui falando do Criador, não de uma criatura que surgiu junto com o monte de galáxias que eles chamam de O universo, mas é só um monte de galáxias, fora do qual ainda não se consegue enxergar com as técnicas disponível; questão de tempo e pesquisas. Se para quem estuda e medita à sério é difícil imaginar, que dirá quem não tem interesse? De não ter interesse a não respeitar há um abismo.

Os teístas não acreditam que vão continuar vivos depois de morrerem, eles acreditam que só o corpo físico vai morrer e a parte não material continuará com outras atribuições. Para um teísta o corpo não é a pessoa, é um instrumento que ela usa para agir no mundo e ao qual está ligado por um espaço de tempo. Em suma, a morte seria apenas a paralização das actividades biológicas do organismo ao qual estamos ligados, apenas ligados.

Há os que defendem que as crianças não deveriam ser levadas a uma igreja, pois não têm capacidade de discernimento para decidir se querem ou não seguir uma religião. Os pais iriam, então, sozinhos? Deixariam as crianças com quem? Ou seriam obrigados a abdicar da freqüência enquanto não atingissem dezesseis anos? A mim mais parece militância anti-religiosa do que pregação de respeito ao direito de escolha. É como dizer que a criança deveria andar pelada, durante o verão, por não ter discernimento para escolher um modelito elegante.

É de criança que se forma a personalidade para o mundo, assim como os laços familiares. Gostem eles ou não, e os radicais não gostam, ir à igreja periodicamente com a família reforça sim os laços entre pais e filhos. Poderia ser um clube, mas aceitar um compromisso que nem sempre é agradável ajuda a se preparar para a vida, que a vida nem sempre é agradável. Sair com a família só quando é divertido ou conveniente é um veneno, pois na adolescência a família raramente é divertida e quase nunca conveniente. Se não houver o compromisso moral firmado, os laços familiares se afrouxam facilmente. Gostem ou não, e houve época em que eu não gostava, a religião favorece o estreitamento desses laços.

Os efeitos espirituais de que tanto gostam de caçoar não são fenômenos, são ações. Espíritos são pessoas e elas podem, ou não, estar dispostas a colaborar com a charlatanice bem paga que muitos chamam de ciência. Se eles não querem responder ás suas perguntas é porque não estã na tua alçada. O que a maioria faz é exigir repetição até encontrar provas de fraude, e a pessoa em questão tem mais o que fazer.
Onde estão os espíritos? Em sua dimensão. Eles podem nos ver da mesma forma que uma pessoa com visão normal pode ver através do vidro. As outras dimensões, que os magos conhecem muito antes da charga romana contaminar a Terra, não são outras terras com destinos diferentes, são mundos similares sobrepostos, da mesma forma como fachos de luz se cruzam sem haver interferências. Eles podem nos ver, mas nós não a eles porque o Universo não é louco. Já fazemos besteiras demais do jeito que estamos. Mas um dia a comunicação será retomada do modo como era no início.

Atribuir a D'us a culpa pelas mazelas do mundo é agir como o criminoso, que culpa a vítima porque usava roupas curtas. Não é O Criador quem leva as pessoas boas e deixa as más no mundo, nós é que (majoritariamente) não suportamos uma pessoa realmente boa por muito tempo. Gente boa faz nossos defeitos aparecerem mais, isto incomoda muito. Gente civilizada faz nossas grosserias parecerem animalescas, isto incomoda muito. Gente má, por outro lado, nos dá motivos para reclamar sem a preocupação de fazer a nossa parcela para resolver o problema. Gente má se esmera em seduzir, isto apraz. Gente má faz tudo para entreter, isto apraz. Nós mesmos tratamos as pessoas más muito melhor (inclusive votando nelas) do que as boas pessoas. A culpa, se é que cabe usar esta palavra, é nossa. Pessoas boas são pessoas, se não se sentem bem tratadas elas vão embora de um modo ou de outro.

Catástrofes? Nós invadimos lugares que os nativos de então diziam ser perigosos. Nós ignoramos todos os sinais da natureza, por mais de um século, de que estávamos degradando nosso próprio meio de vida. Nós expomos nossos filhos e a nós mesmos aos perigos que o mundo reserva para os incautos. Por que cargas d'água o planeta deveria se moldar às nossas vontades? Ele tem seu próprio ritimo, sua própria evolução. O mundo nos avisou, não temos o direito de culpar a ninguém. Aliás, a arrogância alegadamente racional do homem é que o fez se declarar proprietário do mundo, mesmo sem ter encaixado uma pedrinha sequer para formá-lo.

Doenças existem porque suas causas existem, óbvio! E nós não fazemos o mínimo para evitá-las, deixando tudo nas mãos de profissionais diplomados, engomados e bem pagos pelos laboratórios que fabricam as vacinas. Daqui vem outra mazela da humanidade, esses profissionais sacrificam anos de vida pessoal para fazer algo que preste, dão as instruções completas para erradicar as doenças e nós só nos lembramos de tomar a vacina. Higiene pessoal, cuidar da cidade em que vivemos, enfim, agir como uma comunidade em vez de um monte de egoístas sem escrúpulos é o que deveríamos ter feito.

Quando falamos que as pessoas "morrem", vamos deixar algo bem claro, os teístas acreditam e muitos recebem provas suficientes para acreditar, que nossos amados não desaparecem. A morte biológica, como já disse, não mata a pessoa. A dor é pela separação (o que mesmo assim não é bom para ambas as partes) não por uma aniquilação na qual nós não acreditamos. Insistir em repetir "Seu filho morreu, não existe mais" pode constituir um pedido para lhe provar de forma cabal a vida pós-túmulo, por suicídio involuntário. Estará ofendendo a família em luto. Ficar longe de uma pessoa amada, à força, é tão doloroso quanto um luto por óbito.

Culpar D'us pelos males do mundo é cousa de homens pré-históricos, que não tinham discernimento e achavam que uma cobra trocando de pele era uma divindade.

Eu tenho amigos ateus, eu já estive no caminho do ateísmo. O que nunca fiz, porém, foi desrespeitar ou tentar ateizar os outros. Fazer pouco da crença alheia é faltar com o respeito, muitos ateus se vangloriam de ignorar o quanto acreditar é importante para quem acredita. Não é só para consolação, é religação com O Criador. Não acreditar não isenta de respeitar.

Aos teístas equilibrados, aqueles que balançam mas não caem no buraco (porque ficar firme não é trabalho para reles humanos) peço o mesmo comportamento para ambos os radicais: Ignorem. Mantenham o devido respeito, mas o exijam também. Se eles insistirem, ignorem e saiam do lugar antes que uma granada (que pode ser uma bomba de bobagens) exploda. Tua sanidade saberá recompensar.
De resto, que Deus lhes dê tino.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por que o medo?


Quanto medo, oh, quanta histeria!

Bilhões de medrosos, medo em vão.

Fraternidade Branca está até admirada,

Com o medo desse povão.

O pavor que a proximidade de 2012 está causando me faz ter dúvidas sobre o nível evolutivo da humanidade. Até parece que estamos o paleolítico, não no século XXI da era cristã.

Ninguém vai morrer, se não for a hora. O mundo só vai se acabar de rir da nossa idiotice. A única utilidade de livros e filmes apocalipiticos sobre o tema é garantir empregos para quem trabalha no ramo; talvez por isto eu deteste esse gênero.

Não há mistérios sobre 2012, há sim muita ignorância. Os povos que fizeram essas profecias simplesmente colocaram no papiro (ou na pedra, na casca de árvore, et cétera) o que já estava previsto. Estes povos, nestas épocas, foram a última leva de espíritos que puderam voltar para Capela, ou outro planeta que, na época, faria o nosso de hoje parecer devoniano. Eles recuperaram o paraíso perdido, por isto tiveram condições e acesso ao cronograma da Terra. Eles fizeram suas lições de casa, nós não, por isto ainda estamos aqui e vamos nos lascar bonitinho, mas não do jeito que o cinema faz parecer.

Acontece que a Terra tem seus ciclos e o actual já terminou. Mudanças climáticas estavam previstas, o que não significa que teremos inundações avassaladoras, ondas infernais de calor nem furacões que humilhariam qualquer outro que a humanidade já conheceu. Não senhor, as florestas que preservamos, os rios que protegemos e a camada de ozônio que deixamos intacta se encarregarão de deixar tudo mais agradável. Sim senhor, a nossa previdência e nossa consideração para com os outros nos renderá os frutos que merecemos. Fizemos um belo trabalho, não acham?

Desculpem o sarcasmo, mas nós estamos sofrendo e vamos sofrer ainda mais por nossa exclusiva culpa. Lembrem-se de que não chegamos hoje ao planeta, já estivemos nele em outros corpos. Tu, que hoje é um ecochiita doente, com certeza foi um madeireiro dos mais perversos e inescrupulosos, e agora está tentando a qualquer custo reparar seu erro. Mas não dá, benzinho, não desse jeito. Radicalismo de esquerda e radicalismo de direita são radicalismos do mesmo jeito, e foi com radicalismos de mentalidade que chegamos ao tricentésimo fundo de poço em que estamos. Radicalismo destrói, sempre.

Até a idade moderna ainda havia tempo para minimizar a situação. Poderíamos ter consumido recursos, mas sem desperdícios. Poderíamos ter empreitado expansões, mas não para escravizar. Poderíamos ter aplicado recursos nos avanços científicos, mas não para destruir. Poderíamos ter vivido até muito melhor do que vivemos, mas egoísmo é uma doença degenerativa da retina, nos deixa cegos se não for tratado. O problema é que o egoísmo refresca enquanto danifica, tal qual o morcego que abana enquanto lambe o sangue e passa raiva animal.

Mesmo com o passar do tempo, poderíamos ter amortecido os efeitos danosos, mas o apelo do prazer a todo custo foi mais sedutor. Apelo, alías, que nos degredou para cá.

Agora que dei a bronca, bando de covardões, vamos à boa notícia.
Passado o susto, quando todos saírem debaixo da cama e virem que o globo continua inteiro, as cousas tendem a voltar ao normal. Não o que nós chamamos de normal, mas ao verdadeiramente normal.

Começará a haver alterações genéticas, os sentidos que estavam suprimidos serão reactivados, como clarividência, clariaudiência, telepatia, memória de elefante, entre outros. Já há gente nascendo com os novos genes prontos, só aguardando para que entrem em ação. No início os primeiros despertos serão notícia, os jornais alardearão a proliferação de sensitivos, até todos perceberem que todos são sensitivos, que isto sim é absolutamente normal e que o estado anterior (o de hoje) era como uma cegueira de nascença, pela qual o indivíduo não consegue nem conceber a existência das formas, quanto mais de cores. Precisa dizer que advocacia e política nunca mais serão as mesmas?

É certo que as outras espécies também terão sua evolução acelerada. Muitas serão extintas, outras surgirão no lugar. Desde os século XIX os animais domesticados já nos captam as ondas mentais, e algumas dementais, não vai muito mais que um século adiante para que o sujeito conversando com seu cão deixe de ser visto como excentricidade. Roberto Carlos que o diga.

Também haverá uma queda drástica na nossa já baixa fertilidade, se compararmos com os outros animais, que têm seis filhotes de cada vez, brincando. Com efeito, a população vai se reduzir paulatinamente até estabilizar, não sei ainda quantos, mas sem dúvida seremos menos de um terço do que somos hoje. Com isto o mercado imobiliário terá que se adaptar muito rapidamente, pois as cidades vão se esvaziar. Terão forçosamente que oferecer imóveis maiores, quintais, áreas verdes e ainda manter (talvez reduzir) os preços, porque a demanda de hoje não existirá mais. Por maiores que sejam os novos imóveis, muitos espaços ociosos retornarão às mãos da União (no caso do Brasil) e terão uso público, como parques e bosques.

Vidências reactivadas mais vegetação em expansão, teremos de novo o contacto com os elementais. Aquele adesivo que diz "Eu acredito em gnomos" será igual a "Eu acredito na gravitação".

Vocês vão encontrar muitos espetáculos pela internet, gente anunciando as últimas unidades de lotes no céu, outros que tudo se reduzirá a nada, outros ainda tecendo comentários longos e acéfalos sobre o tema. Eu já disse e repito: Não acreditem em tudo o que lerem, ouvirem e (principalmente) virem. Há focos de informações confiáveis, mas são poucos. Não confiem na razão parca de que dispomos, se dêem tempo (ainda há, não se preocupem) e não acreditem em alarmistas. Quem vai ficar de fora da festa já está marcado e desesperado pela degredação iminente, o que não é o caso da imensa maioria.

Sejam bons, se preocupem com o próximo, ajudem uns aos outros, dê para ela o último biscoito do pacote, façam o que puderem do jeito de vocês. Não precisam mudar radicalmente suas vidas, porque para isto realmente não há mais tempo. O que tiver que acontecer de mais profundo, dificilmente se dará até 2012, mas se acontecer será um espetáculo e toda a Fraternidade Branca fará festa.

Vá passear, namore com juízo (mas namore), marque suas festinhas, se divirta, que quando chegar a hora de ir para casa, nossos tutores nos avisarão.

domingo, 8 de novembro de 2009

Dogma e religião

Aparentemente indissociáveis, são completamente incompatíveis. Não que não existam dogmas verdadeiros, eles existem, mas um dogma é uma verdade inquestionável, contra à qual nenhum argumento vigora. Todos os dogmas verdadeiros são preexistentes à humanidade, como a gravitação e o magnetismo.
Para ser inquestionável se necessita da perfeição, que está fora do alcance de qualquer criatura. Mesmo um Papa. Ainda que ele receba inspiração do alto, terá que interpretá-la, nisto vai usar os conceitos de que dispõe, que são humanos; falíveis.

É neste ponto que a maioria dos teístas e ateus erram crassamente, um tentando defender e o outro atacar as religiões, se baseando em seus dogmas. Tendo um dogma religioso sido erigido por homens, muitas vezes de coração duro, ele terá destes os conceitos pessoais de conduta sobre o qual se apoiará. Tal dogma terá sido, quase sempre, formulado para controlar um povo de tendências primitivas e altamente rebelde, não se aplicaria mais à maioria dos povos.

Analisar uma religião por dogmas é reduzí-la a um partido político. Quem o faz se esquece da verdadeira função da religiosidade, que é nos colocar de volta ao caminho do qual nossa rebeldia e orgulho exacerbados nos tiraram.

Para retomar o ponto de onde paramos, é necessário fazer o que se chama errôneamente de "pobreza de espírito". Não é pobreza, é desapego. Pobreza é escassez de recursos, ter menos do que se necessita para uma vida plena. Completamente fora de propósito. Para se retomar o caminho perdido é necessário não dar à matéria (nem a si mesmo) mais inportância do que realmente cabe. Nem menos. Para pessoas muito úteis, ser rico é uma necessidade, pois a abundância de recursos se justifica pelas obras que pratica. Ninguém que faça uso nobre de sua fortuna está privado das benesses celestes, muito pelo contrário.

Se apoiando em dogmas, teístas e ateus se apóiam em impressões humanas, muito susceptíveis à deturpação da conveniência de quem estiver no poder. Foi assim em Roma.

A bem da verdade, a maior parte da responsabilidade pela ploriferação dos ateus é dos próprios religiosos. Em vez de interagir com a essência doce e morna de sua religião, se entrega à dureza áspera e amarga de suas leis. Leis feitas (ou interpretadas) por homens, quase sempre carregadas de misoginia e etnocentrismos, muitas vezes feitas para manter intacta a situação que lhes parece mais confortável, confiando que "um dia" alguém encontrará um modo suave de reorganizar tudo. Até hoje a maioria dos povos espera que alguém no futuro o faça. Não hoje, sob hipótese alguma, seria escandaloso e imoral. Que moral. Para que serviria hoje? Quem freqüenta templos e pratica as regras de uma religião é, em sua imensa maioria, um prato feito e suculento para qualquer um com um pingo de cultura.

Regras são necessárias para nosso actual nível de evolução moral, mas só se aplicam ao nosso tempo, de modo algum podem resistir por mais de um século sem alterações. São regras humanas, aplicáveis à maioria dos humanos, na maioria dos lugares. Há humanos e lugares aos quais só causam problemas, mas sacerdotes e seguidores insistem em aplicar essas regras a todos, como se tivessem sido impostas pelo Altíssimo.

A fé não pode ser cega, pois é por ela que o religioso se guia. Lembram de alguém ter falado sobre cegos guiando cegos? Pois é assim que são aqueles que seguem os dogmas de uma religião sem olhar para os lados e sem se importar com as conseqüências de seu radicalismo.

Eu tenho fé. Sei no que acredito e porque acredito. Não é da conta de quase ninguém, pois é uma programação feita para mim, como minhas impressões digitais.

Quem disse que a fé deveria ser cega o fez por questões políticas, criando um dos dogmas mais nocivos da história da humanidade, pois acaba por louvar a ignorância. Então, mais uma vez, tenho que dar a mão á palmatória do ateu. A religião deveria alavancar nossa evolução, não atrasá-la.

Nós estamos atrasados, muito atrasados. Mundos que eram primitivos durante a nossa idade antiga, nos ultrapassaram em muito. Enquanto discutimos se isto é certo ou errado à luz da lei, eles simplesmente testam e estudam para colocar ou não em prática.

Na dúvida de minha mediocridade humana, sigo um único dogma. Não no sentido mundano e egoísta, que desvirtuou seu nome, confundindo-o com paixão: Só o amor vale à pena.

sábado, 5 de setembro de 2009

Judia na roda

Esther é a última convidada a falar. Foi uma semana inteira para os convidados explanarem sobre suas religiões, tirando dúvidas e quebrando mitos. Caprichosa ao extremo, se deu ao trabalho de redigir pequenos livretos sobre a Torat, feitos em papel-jornal, sucintos e objectivos.
É anunciada pela nova directora, pois a última pediu transferência após ter sido nocauteada em público pela judia, se levanta em seu longuete azul claro e vai à frente...
- Amigas, bom dia. É um prazer estar com vocês de novo, desta vez para um assunto tão aprazível e esclarecedor. Quero agradecer ao Padre Bernardino, ao Pastor Isidório, ao amigo Abdulah, à Monja Fuji e à directora, por terem contribuído para a boa formação moral dos meus filhos. Eu sou judia, minha família veio ao Brasil fugindo do nazismo. A precocidade da fuga permitiu que todos os documentos que juntamos nos últimos três séculos fossem salvos, e eu gostaria de dividir com vocês um pouco da sabedoria e das lições que meus antepassados transmitiram. Aliás, nossos antepassados, pois nossas religiões têm todas uma raiz comum e a minha trouxe à luz algumas das de vocês. Somos irmãos, então.
Despeja um pouco da imensa sabedoria que o estudo com afinco de suas tradições lhe deu. Inclui factos históricos já comprovados, mostrando que não é uma fanática que acredita que anjos caibam na Terra e percam seu tempo exterminando infiéis. Como Abdulah, mostra que a mulher é muito mais forte em seu meio do que o folclore cristão faz parecer...
- Nossa submissão não é ao marido, mas à nossa tradição, é ela quem nos guia os passos. Não uma castração, mas um porto seguro aonde vamos quando as tormentas deste mundo de provações ameaçam-nos com um naufrágio. Um judeu que se preze sabe quem realmente manda na casa.
- Você escolheu o seu marido?
- Escolhi. E o deixei de molho por uns meses até que demonstrasse respeito por mim... Casei cedo, às vésperas de fazer dezoito anos.
Esther, mãe de Sarah e Jacob, conhecida na comunidade como "A Dona de Casa", conduz placidamente a entrevista, conseguindo simpatia dos presentes para com o judaísmo e até confirmando convites para uma visita à sinagoga. Ninguém reconhece a pugilista de batom que desacordou a antecessora de Carolina. Mas quando o assunto é religião, sempre aparece uma serpente para contaminar o paraíso. Uma fiél da igreja "Deus é Só Meu e Ninguém Tasca" se manifesta, afirmando que vai tirar os filhos daquela escola de ímpios...
- Que absurdo é esse em falar que o Meu Senhor Jesus era judeu? Ele é o Deus vivo, o rei dos reis...
- Descendente directo de Davi. Ele escolheu nascer judeu, não existia cristianismo naquela época.
- Não, existiam as trevas, o reinado de Satanás. Vocês rejeitaram e mataram o Messias!
- Está parecendo daqueles jornalistas que falam de Israel e só soltam besteiras. Ele foi crucificado por uma elite que se rendeu à sedução de poder dos romanos. Pela coragem que teve em cutucar feridas publicamente, é sim digno de admiração e respeito. Ele estudou a Torat, (com toda aquela sabedoria) a Kabbalah e conhecia nossas tradições como o judeu que escolheu ser.
A fanática solta uma gargalhada que ressona por todo o ginásio, não só isto, fica claro que não são risos de ironia ou humor, mas risos nervosos de ódio incontido. Fica claro que só não investe contra Esther porque sabe que apanharia. Ela começa a declamar o velho testamento de frente para trás, de trás para frente, da direita para a esquerda e vice-versa. Não que saiba o que significa a maioria das palavras, apenas memorizou sistematicamente...
- Você gosta do Velho Testamento?
- Eu amo a Palavra do Senhor, é minha muleta, meu amparo, meu abrigo...
- Então você gosta um pouco do judaísmo. O Velho Testamento foi todo tirado da Torat. Tudo o que você disse eu aprendi no idioma original, sem distorções e perdas por traduções sucessivas, em hebraico. Por exemplo, Eva não foi nasceu da costela, os dois eram unidos pela costela e foram separados. Vocês não devem levar ao pé da letra um documento redigido ao longo de milênios, rico em entrelinhas e com passagens que só os sacerdotes mais preparados estão aptos a compreender. Toda a alegoria da Gênesis é uma lição de maturidade para a vida, não um relato histórico e histérico de um deus rancoroso que dá as costas pela primeira falha de seus filhos. Ele sabe que somos falhos, não exigiria santidade de quem mal sabe raciocinar e amar menos ainda.
A fanática faz uma cara de desprezo, sem esconder que ferve por dentro, apontando-lhe o dedo...


- Eu serei recebida com honras de rainha, pelos anjos. Do meu trono, no céu, eu rirei vendo você ser queimada e atormentada no inferno.
- Você já está no inferno.
- Ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra, ra! Eu sou eleita, eu tenho direito de decidir quem vem comigo ou não para o céu, e você não vai.
- Lamento informar, eu já estou no céu, você já está no seu próprio inferno.
- Eu sou abençoada, tenho carro novo, casa grande, fiscal nenhum me enche o saco, sou amiga de políticos...
- E depois vocês se perguntam porque existem tantos ateus no mundo. Jesus não admitiu que os apóstolos sonegassem, tanto que ajudou Pedro a pagar o imposto. Agora compreendo quais são suas motivações e porque seu marido pediu o divórcio.
Ela emudece, faz uma repentina gritaria como se estivesse na igreja e sai jurando vingança santa. Esther se vira para os presentes, lamenta o ocorrido e continua, sendo interpelada pela directora...
- Então isso é ser judia? Você estava muito segura do que disse, deu uma demonstração de cultura e domínio de causa fantástico.
- É obrigação de um judeu ter consciência do que é. Eu tenho uma visão clara do mundo e do meu mundo. Eu acredito na minha religião, vivo o judaismo, mesmo quando passamos por uma crise que quase custou o meu casamento. Vejo que não dá mais tempo para dizer tudo o que pretendia, mas trouxe uma Torat em português, bem resumida e comentada para quem se interessar.
É necessário fazer um sorteio que agracia uma aluna atéia. Mas antes de encerrar, pedem que explique o que quis dizer, embora alguns façam uma boa idéia, com ela já estar no céu e a outra no inferno...
- Nós temos livre arbítrio. Ninguém te manda para lugar nenhum, nós é que nos encaminhamos para lá. Ninguém com o coração corrompido atravessa sequer a calçada para o portão celeste, não importa quanto conhecimento teórico tenha e o quanto se destaque em um templo, porque o templo que interessa é justo aquele que aquela senhora desdenhou. Se eu for chamada hoje, vou sem arrependimentos, estou ciente de que tudo o que está ao meu alcance eu faço; edifico o meu lar todos os dias; disponibilizo algumas horas do meu dia por gente que talvez eu nem conheça, e levo meus filhos para que também ajudem; busco ser melhor a cada dia, rogo que Jeovah releve minhas muitas faltas e me ajude a repará-las. Minha família é tremendamente estável, passamos por crises sem desagregação, sem perda de respeito. Eu sou feliz não pela glória de ter sobrevivido ao que nos acometeu, mas apesar do que nos acometeu. Isto, uma vez aprendido, se torna parte de você e ninguém lhe toma. Isto é o céu. Agora vamos, que a Mirtes já nos chama.
Como dona de casa exemplar, Esther trouxe os quitutes de seu próprio forno para a reunião.