quarta-feira, 18 de abril de 2012

Convenção das Bruxas em Paranapiacaba

Patrícia Ballan, Eddie Van Feu, Carolina Mylius e Renato Rodrigues

Atenção, crianças, esta vaca digitadora finalmente deu uma dentro e se lembrou de falar da Convenção das Bruxas de Paranapiacaba... antes de ele começar. Neste ano, na nona edição.

Seguinte, para quem reencarnou neste mundo pela primeira vez e não sabe de nada, trata-se de uma londrinesca e aconchegante cidade no interior de São Paulo, onde todos os anos há uma convenção de bruxas, magos, feiticeiros, druidas (sim, eles ainda existem) celtas, umbandistas, ocultistas e até fãs de Harry Potter. O melhor da bruxaria positiva brasileira estará lá, de quatro a seis de Maio, com acesso livre.

O evento terá palestras, apresentações, rituais, trocas de experiências, crente dogmopata protestando, câmeras photographicas para tudo que é lado, poções, elixires, badulaques mágicos e tudo mais. O clima não poderia ser melhor, não no Brasil, com as construções antigas e a neblina que costuma aparecer para uma visita, dando o ar místico e misterioso que suplementa o encontro.

Há um espaço específico para os palestrantes e seu público, a Casa das Palestras, onde a amiga Eddie Van Feu fará uma sobre a Irlanda celta, druidas, reis e cavaleiros, no dia cinco, às 14h.

A Eddie, aliás, está organizando uma caravana. Interessados que puderem ir, liguem para (11) 7894-9672 (ID Nextel 9*88547) e falar com Michele. Mas vê se não me faz passar vergonha, não ligue a cobrar!

Esqueçam. acabei de saber que a caravana e a pousada estão cheias, mas a culpa não é minha, publicaram há sete horas e o povo já esgotou as vagas... mas nada impede que vocês vão por conta própria, ou organizem sua própria caravana.

Para informações detalhadas sobre a convenção, inclusive onde comer e dormir, ligue para a Casa de Bruxa: (11) 4994-4327. Querendo ir lá, é na Rua das Figueiras n° 2146, Campestre, São Paulo.

Wedsite da Casa de Bruxa, cliquem aqui.
Website da cidade de Paranapiacaba, cliquem aqui.

Não precisa ser bruxo para ir, basta ter bons modos e saber se comportar. Tietagem, pode, mas sem encher a paciência.

segunda-feira, 26 de março de 2012

A montanha eterna

Fonte: http://www.meupapeldeparedegratis.com.br/

Um discípulo, após muitos ciclos de aprendizado, se dirige ao seu mestre. Rigoroso, o homem avisou desde o começo que até para ter dúvidas, é necessário saber duvidar...

 - Mestre, posso, agora, fazer as perguntas que pediu para eu esperar até o momento certo?

 - Responda às minhas, primeiro. Como dormiu, filho?

 - Bem, mestre, obrigado.

 - Acordou alguma vez.

 - Três, somente, para verificar ruídos.

 - Que tipo?

 - Não sei explicar. Acordei com a sensação de que os outros precisavam de algum auxílio e fui me certificar.

 - Então vocês já está pronto para ter dúvidas e fazer suas perguntas. Comece.

Como de hábito, o discípulo faz um gesto de reverência, se senta em posição de lótus e começa a servir o chá com um pão rude, recheado de castanhas que ele mesmo colheu e armazenou, durante o outono. Aliás, enquanto os outros reclamavam das colheitas abaixo das expectativas, ele buscou alimentos para o mosteiro em outras fontes, sem que seu mestre precisasse instruir a respeito...

 - Mestre, responda à minha ignorância, o motivo de você aceitar homens e mulheres em seu mosteiro.

 - Eu não aceito.

O discípulo, surpreso, faz um olhar muito engraçado, tirando alguns risos daquele homem grisalho, mas não tão velho como as pessoas se acostumaram a considerar um mestre, que ele mesmo não se considera. Em todo caso, precisa ser chamado por algum nome, além do próprio de nascença, que é muito comum, então aceita a alcunha, mas não admite que o tomem por 'senhor', não se considera digno...

 - Alguns monges só aceitam homens, outros só mulheres. Algumas monjas só aceitam mulheres, outras só homens. Nos quatro casos, ele agem de acordo com a sua natureza, com seus motivos e seus objectivos.

 - E quais os do mestre?Por que 'não aceita' homens nem mulheres?

 - Porque não aceito sexos aqui dentro, eu aceito pessoas. Minha natureza é a de compartilhar meu aprendizado, na medida da capacidade de cada um de vocês, sem olhar para o que é supérfulo, para que cresçam e se sintam plenos em seus próprios caminhos. Meu objectivo é fazer vocês escalarem a montanha eterna, me alcançarem e, com a ajuda da Fonte, que me ultrapassem.

 - "Montanha eterna", mestre? Nunca nos falou dela?

 - Pois bem, agora te falo, é o caminho que vocês estão fazendo. Enquanto as pessoas, apegadas aos seus orgulhos e suas vergonhas, raramente conseguem se fixar além da base da montanha, quase sempre oscilando entre ela e o vale, você está em uma altitude em que pode ver boa parte da região.

 - Eu não reclamo, mestre, porque abracei este caminho de minha própria vontade, estava ciente dos fardos e da escassez de repousos, de que fui alertado. Mas minha fraqueza ainda questiona o motivo de ser tão íngreme, às vezes a ponto de ser quase vertical, com o peso nos puxando para o vale.

 - É justamente para isso, para que você despenque e se esborrache ao menor descuido.
Mais uma cara cômica e mais uma gargalhada do homem, que sempre ensina aos discípulos que ter bom humor é a única amenidade que podem ter, ao aceitarem suas lições...

 - Por que eu deveria me estatelar como uma fruta podre, mestre?
Mais uns risos e ele responde..

 - Não deve. O risco de cair é proposital. Com ele, você se mantém ocupado demais para pensar na vida alheia. Você se concentra na única pessoa que realmente merece sua raiva, seu desprezo e toda a sua ira.

Um breve olhar, dentro dos olhos, e ele percebe ser consigo...

 - Compreendo, mestre. Minhas posições políticas me deixaram vulnerável, quando ainda perambulava pelo vale.

 - Não, filho. Suas posições políticas, ideológicas, enfim, qualquer convicção é irrelevante, se você estiver no comando e não deixar que ela tome suas rédeas. Você estava vulnerável porque tinha orgulho de ser o que pensava que era, e vergonha de muitas pessoas não compartilharem de seu orgulho. Lembra-se, quando você chorou como uma criança, ao ver seus antigos inimigos em situação difícil?

 - Foi minha responsabilidade, mestre. Eu ajudei a colocá-los naquela situação.

 - Não. Eles se colocaram naquela situação. Enquanto eles e seus antigos amigos culpavam os estrangeiros de roubarem suas riquezas, empregando suas forças no ataque à ameaça imaginária, seus recursos minguaram, eles descuidaram de seu trabalho e da assistência ao próximo. Você chorou porque eles não eram mais seus inimigos, eram tolos revoltados, que nem por isso deixaram de ser seus irmãos no mundo. Foi a primeira lição que você aprendeu, e aprendeu bem, escalou vários metros em um só dia.

 - Então mostre, mestre, em parábola, como o orgulho e a vergonha impedem que as pessoas comecem a subir a montanha eterna?

 - Não impedem. Orgulho e vergonha são duas grandes pedras gêmeas, uma não se afasta e não subsiste sem a outra. Como pedras, o lugar delas é no vale. São pedras afiadas, mas brilham bonito e escondem bem o rosto de quem as porta. Ferem, mas convém a quem as carrega.

 - Às vezes precisamos usar pés e mãos para escalar esta montanha.

 - O que é quase impossível com duas pedras pesadas e ferinas ocupando mãos e visão. São pedras feitas para se admirar, mas no lugar delas, às vezes para se proteger à sua sombra quando a luz é muito forte. Não se deve querê-las para si, elas têm utilidade limitada e restrita.

Alguns minutos de silêncio permeiam o quarto, enquanto ouvem-se sons de mantras em música pelo mosteiro. De tão ocupados, tão absorvidos em suas funções, os iniciados raramente vêem suas diferenças. O trabalho incessante, seja no que for, é uma regra de ouro do mosteiro, eles não têm tempo para pensamentos frouxos...

 - A serenidade do mosteiro, mestre...

 - Sim?

 - Não é do mosteiro. É nossa.

 - O que faz um lar, uma comunidade, uma nação, discípulo, não é o território, não é seu hino, não são seus estandartes, muito menos o seu rei. Tudo isso muda. Um terremoto abala a terra e ela desaparece sob seus pés; a língua muda com o tempo, e as palavras do hino fazem cada vez menos sentido; Os estandartes desbotam e rasgam com o uso, sem o qual eles não se justificam, conquistadores chegam e os trocam pelos seus. O que faz um lar, uma comunidade, uma nação, discípulo...

Deixa-o responder à própria dúvida...

 - São as pessoas que integram o lar, a comunidade, a nação. Sem elas, nenhum deles existe. Eu não tenho vergonha de ter sido um tolo, teria se ainda o fosse.

 - Sem vergonha, não há orgulho.

 - E minha caminhada montanha acima torna-se viável. A montanha é eterna porque jamais se chega ao seu cume, então.

 O mestre observa seu discípulo, percebe que está consciente de sua respiração, de seu corpo, da posição de cada dedo, a ponto de saber onde está um pequeno pedaço de pão, que pega e mastiga com suavidade. Respirando com serenidade, deixando cair uma lágrima. O mestre sabe que é de alívio...

 - Mestre, esclareça à minha ignorância, por que disse que é "quase impossível" subir a montanha sem usar as mãos?

 - Você acaba de subir alguns metros sem usá-las. O seu coração está tão leve, que em vez de puxá-lo para baixo, o puxa para cima. É o coração, não a cabeça, a parte mais pesada de uma pessoa. A cabeça, como os milênios provaram, não nos serve para nada além de nos dar meios de como comer, ver e ouvir.

 - Minhas mãos não podem ficar vazias mestre.

 - Então as dê aos seus irmãos e ajude-os a subir.

 - Como o mestre tem feito por mim?

 - Como meu Mestre tem feito por mim.

Serve mais um gole de chá de frutas e se serve em seguida. Passam a falar do mosteiro, dos aprendizes, das pessoas lá fora, que precisam de ajuda mais do que imaginam. Agora sim, ele é um noviço.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Não significam nada?


O que significa uma placa informando "proibido estacionar" em uma esquina? Nada. Absolutamente nada! É tudo invenção de figurões, que querem controlar nossas vidas, decidir o que nós devemos fazer com nossos carros, limitar nossa liberdade e ganhar dinheiro com multas. Por isso que eu não acredito nessas bobagens, que são até bonitinhas, dão a sensação de segurança ao mostrar um limite imaginário, para fazer as massas se comportarem direito, et cétera. Mas não, elas não existem de verdade, não mesmo. Já passei de duzentos por hora em um autódromo, que tem condições controladas e seguras, já andei na contramão quando não havia nenhum outro carro na pista, já dei cavalo de pau, já parei no meio da pista e tudo mais. Comigo nunca aconteceu e nunca soube de alguém que tivesse sofrido por causa dessas "placas de trânsito". O que isso prova de modo inconteste, dando-me a nota fiscal da verdade única e absoluta? Prova que leis de trânsito são superstições. E quem as segue é trouxa, é otário, é ignorante e merece ser humilhado em público. Eu sou biólogo com triplo PhD, sei que é impossível um organismo evoluir e se tornar um semáforo, portanto cale a boca agora!!!

É mais ou menos o que escrevi acima, que ouço e leio de ateus radicais, sobre os ritos, a religião, o folclore e (principalmente) o casamento. Já me ofenderam soltando fogo pelas ventas, por isso. Mas experimente estacionar na esquina. Pode ser que nada aconteça, mas o risco de um caminhão arrebentar a tua lateral, por falta de espaço para manobrar, é grande... Já aconteceu com uma Caravan, na esquina aqui perto. Nunca mais apareceu.

Por causa da manipulação da instituição Casamento, ao longo da história pós-atlântica, o número de pessoas que lhe negam e renegam sistematicamente qualquer valor é grande. Gente que nem tem (a maioria) intenções perversas, mas que gosta de gritar e encerrar o assunto para não ouvir de volta. Ah, como eu detesto retórica e prolixia! Deixo o outro ficar com a sua razão, não vai acreditar em absolutamente nada do que suas cartilhas não lhe permitem crêr. Casamento significa, na mais superficial e tímida hipótese, que a tua liberdade irresponsável já não existe mais. Escolha logo, ou casa ou permanece torrando a grana em caprichos, passando noites de esbórnia, fazendo viagens sem avisar ninguém, et cétera.

Bom, caríssimos, os ritos, mandingas e corruptelas mágicas são como as placas de trânsito, que indicam que caminhos seguir e suas regras, para chegar-se aonde se quer ir. O que faz as cousas acontecerem é o nosso contacto com o astral, muitas vezes a prática faz com que o próprio iniciaco consiga adiantar alguma coisa sozinho, mas isso depois de ele ter seguido as placas e respeitado os sinais.

Um tipo de ritual interessante, é o de passagem. Negligenciado pela sociedade de consumo, que hoje acredita que as galinhas já nascem (acreditem, muita gente jamais viu uma galinha) fatiadas e plastificadas no supermercado, disposta a pagar por uma praticidade a qualquer custo, o rito de passagem não age só no astral, ele prepara o indivíduo para o porvir, evita que o mundo da próxima fase o pegue desprevenido. Ele pode até apanhar, mas terá dado também suas bordoadas e garantido o devido respeito.

Por exemplo: Deixar a menina, que vai comemorar seu debute, uma semana antes da festa, privada de muitos de seus hábitos. Durante esta semana, ela sairia da escola e iria directo para os estudos em casa, sem ligações intermináveis para as amigas, longe inclusive de celular e internet. Não seria impedir o uso, mas atê-los às possibilidades do tempo de que um adulto dispõe, afinal é uma adulta que ela está se preparando para ser. Enquanto os garotos de quinze anos ainda estão fazendo campeonato de cuspe a distância, as meninas já estão aptas a assumir a lida doméstica e arranjar um emprego de verdade, não somente um bico. Como um bom iniciado preza a cobrança segundo a capacidade, as meninas têm sim que ser iniciadas antes nas obrigações de uma mulher. Assim, o debute serviria como despedida, a última noite de criança, no decorrer da qual os adultos deveriam tratá-la gradativamente com mais seriedade, até passar a ter com ela somente conversa de adultos. Mas funciona? Sim, funciona. Antes de as pessoas começarem a pagar para evitar qualquer mínima frustração, era este o papel da festa de quinze anos, avisar que a menina já estava apta a arcar com responsabilidades do mundo duro e implacável lá fora, não para encher o orkut com cenas de bebedeira e transgressões desnecessárias; o que prolonga indefinidamente, em vez de encerrar a infância que já cumpriu com seu papel.

Para o menino valeria a mesmíssima cousa, mas nunca antes dos dezessete anos, pelamor-da-bicicreta--véia-zangada, dificilmente ele não vai te fazer enfiar a cabeça no esfíncer, de tanta vergonha. Ele poderá até estar pronto para receber ordens de um oficial das forças armadas, mas para assumir a responsabilidade de um verdadeiro adulto, demora um pouco mais. O rito da formatura é mais adequado, embora também beneficie a menina.

O ritual do casamento não começa e termina na igreja. Ele começa no noivado e termina na lua de mel. Há cerca de cem anos, e ainda hoje em muitos lugares, casar era só garantir a perpetuação da família e estreitar laços entre comunidades, então os pombinhos se toleravam porque sabiam um que o outro não tinha culpa nenhuma. Só. Hoje, pode-se ver o seguinte: Os dois percebem que se bicam e atam namoro sério, um período no qual (ao menos deveriam) se conhecem em seus defeitos e virtudes, negociam como adultos que já são e aparam as arestas. Feito isso, vem o noivado, quando passam um a mandar mais na vida do outro. É assim mesmo, um passa a mandar no outro, interferir em tudo, mesmo sem querer, dando a ideia exacta do que se terá que agüentar no matrimônio. Paralelamente, os recursos antes destinados à satisfação pessoal, passam a ser empregados na construção da parte material do casamento. No frigir dos ovos, os dois vão se parecendo mais um com o outro, até as auras passam a vibrar de maneira mais próxima. Com a proximidade do enlace, que foi (NÃO FOI???) devidamente planejado e embasado, aquela euforia do "Ah, eu quero dar pra ele até arder!!!" cede paulatinamente lugar à serenidade, à vontade de trabalhar e construir uma vida em conjunto... Cruzes! Que oração mais careta!!! Mas é isso mesmo! Casar dá muita dor de cabeça, quem quer juntar só por juntar, para trocar fluidos e sair dizendo que tem vida sexual, esqueça o casamento.

No dia do casamento, a preparação dos noivos tem uma função clara, com seus devidos significados. Trocar a roupa normal pela da cerimônia, pode ser visto pelos dois e pelas famílias como o abandono da vida antiga, pela entrada na nova. Isto é muito importante pelo seguinte, os dois mostrarão à sociedade (gostem muitos ou não) o tipo de relação que terão. Mais ou menos luxo do que são capazes de sustentar, dá clara ideia de que o descontrole financeiro é um inimigo próximo e poderoso. Evite-se mandar fazer um fraque só para o casamento, bem como um vestido exclusivo e repleto de pérolas bordadas, se não forem muito ricos; e não há miséria que justifique usar mulambos feitos de TNT colado com cola tenaz, isso demonstrará um apego material imenso, que fará o casamento naufragar na primeira crise. Alugar roupas limpinhas e bem feitas é a medida para a maioria, a própria locadora faz os ajustes.

A entrada na igreja é um ritual poderosíssimo, mas nem mesmo um rito assim entra na cabeça dura de quem acha que sabe "Toda a verdade por detrás de tudo". A noiva indo e o noivo vendo-a chegar, é o sinal dos últimos suspiros da vida antiga, se ainda houver vestígios dela. No decorrer da marcha nupcial, as lembranças da juventude irresponsável vão ficando mais antigas, ainda que tenham terminado ontem, na despedida de solteiro. O pai entregando a moça, já foi sinal de troca de propriedade, hoje é "Se vira que a broaca é tua", sinal de que os dois estão por sua conta de então em diante. Ok, as cousas não andam tão bonitinhas e nem seguem todo o roteiro que manda o figurino, os deslizes são muitos. Estamos falando de humanos, lembram-se? Nem no que escrevi eu cheguei perto de descrever uma situação ideal, citei a possível.

Legal, Nanis, mas onde fica a espiritualidade nessa muvuca? Como eu citei um caso em que o casal (e lá em cima a debutante e sua família) age consciente o tempo quase todo, certo do que quer e disposto a pagar o alto preço, está no começo, no meio e no fim. Quando nós temos consciência (ma medida do possível) plena do que queremos e trabalhamos para sua realização, uma verdadeira brigada de espíritos de todos os níveis começa a agir para ajudar na viabilização. Desde os elementais mais primitivos até os mais elevados serafins da Terra, e alguns de fora, todos mexem nas tramas com que já estão trabalhando para que este passo importante na vida de uma pessoa, que é tornar-se ADULTO, se realize. Porque quando alguém decide abrir mão das cousas de menino para tornar-se homem, significa que também está aberto à evolução, para deixar de ser um espírito expiante para subir a regenerante, e logo em evolutivo. É claro que as trevas NÃO QUEREM ISSO NEM A PAU! Difamar esses ritos de passagem e amadurecimento faz parte de suas trapaças, corromper um conjugue que esteja em um momento de fraqueza, também.

Quer dizer que existe essa conversa de casamento para a vida toda? Eu sou testemunha de muitos, que só melhoram com o tempo. São casais que fizeram mais ou menos o que eu escrevi logo acima. Ninguém me contou, eu os conheço, e como pessoas eles são melhores a cada dia que passa. Quem não tem consciência da imoportância de uma relação longeva, não é capaz de conceber o quanto ela pode ser benéfica ao casal, quando as partes são sócias igualitárias na relação. Ninguém pode ser cobrado pela compreensão que não tem, mas os que têm o são, e quando acatam essa cobrança, todo o preço pago pela evolução que tiveram parece, ao fim de uma encarnação, medíocre.

Há muitos outros ritos, tantos que ninguém sabe quantos são. Quem conhecer dez por cento, é um verdadeiro Mestre no assunto. Mas estes dois são os que mais movimentam nossa sociedade e, sinceramente, são os que melhor ilustram o que todos os outros fazem pela pessoa. Entenderam por que não é qualquer música que serve para um casamento?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A mais negra treva à mais clara luz


Já não bastasse o cataclisma pelo qual passou, com o colapso e completa destruição de sua comunidade, pela mesma fonte que lhes susteve por tanto tempo, agora se vê com os seus saindo de uma deriva melancólica, para a área mais perigosa em que poderiam estar.

Não há como evitar, sabem da iminência das conseqüências, mas a atração é irresistível. seguem cada vez mais rápido para aquele monstro frio e insensível.

Não têm onde se segurar, uma fonte de atrito para frear, enfim, absolutamente nada detém a aproximação acelerada. Não que faça diferença, que adiante, mas todos se desesperam e entram em pânico. Já aquele indivíduo, de tão aterrorizado com o destino que vê os demais grupos terem, não consegue sequer lacrimejar. Fica em sua impotência extrema, que seria facilmente confundida com resignação.

Na verdade quer sair daquela situação a qualquer custo, daria tudo o que pudesse providenciar para tanto. Mas vê, triste e de coração cada vez mais miúdo, comunidades muito mais fortes sendo engolidas, algumas com brilho extraordinário, ao redor das quais muitas outras prosperaram, perecendo nas garras daquele ser inominável e impassível, insensível aos gritos de dor e desespero de suas vítimas.

Com o tempo, suas entranhas sentem a proximidade do monstro. As suas e as de todos os outros. Não adianta repassar tudo o que aprenderam sobre não sofrer antes da hora, o tempo foi muito generoso, mas todo ele não foi suficiente. Resistiram à ruína de uma sociedade extremamente complexa e numerosa, à sua completa destruição por quem lhes deu o sustento desde o começo, de forma intempestiva e explosiva. De sua comunidade local, pouco resta, nada que lembre (nem nos mais loucos devaneios) o viço e a prosperidade que já teve.

Por alguns instantes, inútil tentar medí-los, a dor e o desespero dão lugar às lembranças mais lindas que guarda. Não que não tivesse problemas, por muito tempo eles tiveram muitos problemas, conflitos barbarescos que davam vazão à mais extremada selvageria já lhes cobriu o solo de escarlate, mas depois acabou. Um período incomparávelmente maior de paz e prosperidade tomou conta de tudo. Passou a amar maternalmente aqueles a quem queria esganar, nos primeiros tempos. Mas eles cresceram muito e foram para outras paragens, levando consigo as lições e as boas lembranças que lá tiveram.

Chorou por incontáveis anos pelas saudades, como muitos outros de sua comunidade, mas no fim a resignação de que tinham cumprido maestralmente seu papel com eles, acalentou-lhes de tal forma os corações, que viveram em uma paz sem precedentes, até sua estrela explodir.

Maldita lembrança da explosão! Agora se volta à realidade e ao desespero. Vê que a passagem a memória durou muito tempo, porque estão extremamente próximos ao monstro, estavam distantes quando começou a recordar. A qualquer momento serão eles os devorados.

De tão perto vêem que é muito pior do que imaginavam. Em vez de simplesmente devorar as vítimas, o monstro as dilacera vivas, lentamente, de modo que elas nem mesmo têm mais forças para gritar.

O monstro nem esperou terminar a vítima da vez e já começa a destroçar sua comunidade. Vê seus amados irmãos indo, impotentes, à gula voraz e insaciável do monstro, já calados de tamanha dor e tamanho desespero. Nem com a morte prévia podem contar.

Vão sendo dilacerados, inicialmente devagar, mas a cada elo que se rompe, os mais próximos ao glutão são acelerados até se soltarem sem volta, e então desaparecerem naquelas trevas que luz alguma consegue iluminar.

Não entende o motivo daquilo. Aquele é o seu mundo, ou o que resta dele. Não compreende o motivo de tamanho sofrimento, não se lembra de terem feito por merecê-lo.

Agora sente-se sendo puxado e rasgado. Jamais, em toda a sua longa existência, imaginou que pudesse haver uma dor tão grande. Grande a ponto de emudecer e perder completamente a capacidade de pensamento, de raciocínio, de tudo. Não há noção de tempo, só de dor.

É finalmente separado dos demais e, em vez de atenuar, a dor aumenta. A pressão faz com que sua extremidade "de baixo" vá mais depressa de a "de cima", rasgando-o aos poucos. Nem mais se lembra do monstro que lhe causa o sofrimento, só sabe da dor que está sentindo. Agora, em um tempo incomensurável, só existe a dor. Perde completamente o sentido de si mesmo, naquela escuridão dura e densa, que o estica e comprime ao mesmo tempo. Nem dá para se acostumar à dor, porque ela não pára de aumentar.

Já está dentro do monstro. Depois de ser separado daquilo que foi o seu mundo, agora tem sua casa, sua família mais íntima sendo separada, impotente, para depois ser brutalmente comprimida. A imensa distância que separava os elétrons do núcleo se reduz rapidamente a zero, logo as partículas começam a encolher, despencando em si mesmas até que as subpartículas começam a se tocar. Só existe a dor.

O tempo passa, afinal há um evento em andamento, o esmagamento contínuo que solidifica mesmo o efeito de campo em uma nova partícula. Só existe a dor. Não sabe quanto tempo se passou, sabe que que ele passou, provavelmente é a única coisa que aquele monstro não consegue destruir, afinal a própria destruição é um evento em andamento. Se os humanos ainda existissem, eles poderiam medí-lo. Mas provavelmente não há mais uma só partícula inteira do planeta Terra, o buraco negro já deve ter engolido tudo. A Lua foi vaporizada quando o Sol se expandiu.

Já no centro do monstro, tão brusca e dolorosa quanto o dilaceramento, é a inesperada expulsão que começa. O frio extremo, que faria o zero absoluto parecer tórrido, se converte imediatamente em um calor terrível, que faz a lembrança que tem do Sol parecer gélida.

Estranhamente volta a ter forças para gritar, e grita como jamais o fez nas dezenas de bilhões de anos que já conheceu. Com seu grito vem uma luz insuportável e uma aceleração terrível, que nem durante a atração gravitacional pôde conhecer. Não imagina que força seja esta, que o empurra tão violentamente para fora daquele gargalo faminto.

A dor passa rapidamente e se acostuma com a luz. Embora estejam todos diferentes, reconhece os seus naquele jato extraordinariamente denso e luminoso, tão concentrado e organizado, que a coluna não se dispersa por muitos anos-luz.

Sente um prazer indescritível, que faz desaparecer a lembrança do sofrimento passado. Sente-se forte como jamais em toda a sua existência. Está renovado, completamente diferente. Não sabe de que elemento químico faz parte agora, é diferente de tudo o que conheceu. Um estalo e então compreende, é aquele o motivo de tamanho sofrimento, não cometeu erro para ser punido.

Afastando-se rapidamente, olha a singularidade lá em baixo, agora com um pouco de carinho. Graças a ela, os milhões de anos de estagnação terminaram. Não é um monstro, é um médico, um reciclador que regenerou suas estruturas e deu-lhe vida nova. Que importa o tempo que passou lá dentro? Valeu à pena.

Olha para os astros desesperados, seguindo rapidamente para a renovação. Não adianta dizer-lhes algo agora, ele mesmo não ouviu senão os gritos. Eles compreenderão tudo, quando chegar a hora. Compreenderão e serão gratos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

A data importa?


Depende. Meu avô dizia que Jesus nasceu em Quatro de Abril. Ele tinha cacife espiritual para fazer uma afirmação dessas.

Para rituais de passagem, de celebração, enfim, para fins específicos, a data faz diferença sim. O universo tem seu próprio tempo e não vai mudá-lo por nossa causa. Quem tiver algo a fazer no dia Vinte e Cinco de Dezembro, que não seja celebração natalina, fique à vontade.

Dizer que o significado muda para cada um, é o mesmo que dizer que as placas de trânsito têm outros significados para pessoas diferentes, eu não aderi ao relativismo torpe que tomou conta do mundo. As impressões e as lembranças são individuais, as multas de trânsito não se importam com nossas bagagens pessoais.

Apesar de uma série de entidades aniversariarem neste dia, que foi eleito mais por questões comerciais e políticas do que espirituais, há algo que a maioria absoluta desconsidera (ou desconhece) sobre esta época do ano: É o mês em que o plano superior tem mais facilidade em acessar nossas mentes.

Gostem ou não, os inimigos da época natalina, é quando as pessoas mais se comovem e se condoem. Se alguém duvida, deixe seu umbigo de lado e passe a ver e conhecer as pessoas, tentando vê-las como elas são, não como se fossem você na mesma situação e com a tua mentalidade.

Para isto, de facto, a data em nada importa, mas ela foi adoptada como ponto de maior humanidade, e é quando os tutores têm mais facilidade em agir aqui em baixo. Na verdade, é a época em que parece menos ridículo à sociedade, ser caridoso e generoso, então muita gente com bondade reprimida (falarei disto noutro texto, é assunto exaustivo) realmente festeja as proximidades do Natal, porque então pode dar vazão ao Papai Noel que fica no armário todo o resto do ano; especialmente no carnaval, quando as pessoas perdem a vergonha de se usarem umas as outras e as trevas se sentem mais à vontade, então a bondade desinteressada passa a ser quase uma subversão.

Claro, há os azedos que querem continuar azedos (principalmente chateus) e acusam pessoalmente de hipócrita os papais-noéis que saem do armário, inruirindo onde estavam no restante do ano; como se fosse de suas contas. Mas estes são casos para outras encarnações, dificilmente virarão gente em suas correntes. Ignorem-nos ou, no máximo, repassem-nos para seus advogados.

Agora pensem na quantidade de pessoas que não dão a mínima para esta época, porque em suas culturas o Natal ocidental nada significa, além de um aumento na exportação. Numéricamente, os que festejam são minoria, embora uma minoria que impõe respeito, mesmo em número. Pois esta minoria, sozinha, facilita o contacto dos planos superiores no mundo inteiro, inibe a ação das trevas e acelera (um pouquinho só, mas acelera) a evolução de toda a humanidade. E sim, a beleza visual e musical que eclode nesta época ajuda muito. Beleza comove.

Além do mais, o rapaz homenageado é o governante deste planeta, e seu satélite. Ele teria avisado se a mudança de data o incomodasse. As entidades elevadas que o acompanham, e aniversariam então, não se sentem desprestigiadas por isso. O que importa é que, nesta época, nós fazemos o que eles, e especialmente Ele, querem que façamos o ano inteiro.

Sabem o que mais? Tem funcionado tanto, que as pessoas têm saído do armário mais cedo e voltado mais tarde, cada vez mais, nos últimos vinte anos. A produção de panetones é só um reflexo disso. Mais do que isso, a lembrança recente de uma época prolongada, encoraja as pessoas a deixarem seu egoísmo de lado durante o carnaval, e guardarem um pouco para as pessoas que são quase esquecidas durante os "festejos". Não, eu não ouvi falar disso, eu sou um dos que não torra tudo em Dezembro, conheço muita gente que mantém essa fraternidade o ano inteiro, mas nos arredores do Natal só o reforça.

Não é por causa própria que o Mestre valoriza tanto esta época, é por nossa causa, porque nós a escolhemos para tirar do armário a bondade que deixamos mofando no resto do ano. É por isso que a antecipação e prorrogação do espírito natalino, absolutamente nada têm de ruim. Ou alguém aí vai deixar a chance de ser mais humano porque comércio lucra mais?

Cuidem de sua própria evolução, deixem de lado aqueles que deturpam e, principalmente, aqueles que querem reduzir o significado do Natal. Para aquilo que realmente importa, a data não importa.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Se eu fosse fundar uma igreja

http://inphotograph.com/29/blog/gougane-barra/

Um e-mail que circula pela rede, mostra uma reportagem da Folha de São Paulo, onde a facilidade em se 'criar uma religião' sem qualquer critério sério é escancarada, inclusive pelo baixo custo e alta rentabilidade da isenção de impostos. Não se funda uma religião, é mais pessoal e intransferível do que o dna.

Meu alfaiate, presidente de um centro espírita, já recebeu propostas para usar de sua cultura e carisma para enriquecer, abrindo uma igreja. Ele recusou, claro, ou já não seria meu alfaiate.

Às perguntas sobre como seria uma igreja minha, estejam certos de que atrairia bem poucos seguidores. Por que? Vejam a seguir;

Seria completamente diferente desses caça-níqueis que proliferam e ganham simpatia política, pelo país. Ela não começaria com a abertura de um templo, começaria como se deve, em gestação lenta e cuidadosa. Eu me enfiaria em estudos e meditações, ampliaria minhas práticas de caridade e me exporia mais na internet, divulgando com mais amplitude minhas ideias. Levaria no mínimo cinco anos, provavelmente sete ou oito, para eu me sentir pronto para a empreitada. O motivo é que eu, fundando essa igreja, seria o sumo sacerdote, não dá para ser sequer pastor de ninguém apenas memorizando um texto sacro, seja ele qual for. Se conhecimento fosse sabedoria ou santidade, o messias seria um computador. Não é na memória que se deve guardar com mais carinho um conhecimento, é no coração. A memória falha.

Eu não sairia caçando seguidores, muito menos oferecendo três milagres pelo preço de dois para tirar fiéis de igreja alheia. Eu estaria em busca de gente que pudesse me ajudar a fundar a igreja, sem colocar anúncios em jornais para isso. Os que eu conseguisse seriam treinados nos mesmos moldes em que eu tiver sido, até estarem em condições de me ajudar. No decorrer dos treinamentos, que não durariam menos de um ano, cada um demonstraria seus talentos e sua competência, o que diria então qual seria seu grau na hierarquia da igreja, e também os ônus correspondentes. A função deles seria de sacerdócio, não existe bonificação nenhuma em ser (um legítimo) sacerdote na Terra. Os estudos não acabariam com os treinamentos para o início dos trabalhos, estariam apenas começando, inclusive para mim. Disto vocês podem imaginar que eu não conseguiria nem doze sacerdotes, principalmente porque NINGUÉM poderia viver do sacerdócio, ninguém poderia receber presentes caros dos fiéis, dispor à vontade dos recursos da igreja, enfim, precisariam ter vocação para a cousa. O dinheiro sairia de nossos bolsos, no começo. A contribuição dos fiéis seria livre. Então não haveria templos suntuosos, grandes espetáculos, canais de televisão concedidos ou comprados, enfim, seria tudo muito modesto e honesto.

A quantidade de graduações eu veria durante minha própria preparação, mas a estrutura católica me parece bastante coerente. Só não haveria discriminação às mulheres, como não houve no cristianismo original. Gingles e propagandas, como se fosse uma loja, estariam previametne banidos.

Nossos seguidores seriam co-responsáveis pela igreja. Pode-se dizer que eles fariam parte de sua hierarquia, pelo que também seriam cobrados em sua conduta, decerto que com possibilidades de ascensão. Eles teriam participação activa nos ritos e seriam encorajados a estudar e meditar, trazer novidades e divulgar nossos calendários. Aos sacerdotes caberia prestar atenção aos presentes, para detectarem qualquer sinal negativo; teriam sido preparados para isso. O amparo espiritual e psicológico ao seguidor faria parte da rotina.

As crianças seriam tratadas como tesouros. Seriam estimuladas desde cedo, desde a mais tenra idade, encorajadas a aprender sempre, raciocinar sempre. Mas principalmente a interagir e perceber que dependem umas das outras. Brincadeiras e jogos seriam elaborados para tanto, o contacto com o livro viria bem antes de colocarem suas mãos no plástico do computador, por meio de leitura de contos e fábulas. Dentro da comunidade, os petizes seriam estimulados a extravasar sua energia e aproveitar sua infância ao máximo, para evitar que se tornassem adolescentes insuportáveis, porque os suportáveis já enlouquecem seus pais o suficiente. Tão logo pudessem, passariam a ajudar em tarefas mais simples e seguras.

A juventude, essa incomrpreendida... por si mesma. Um ritual de passagem, por volta dos dez anos, marcaria o fim da infância e o início da vida de responsabilidades. Já acostumada a ajudar, a criança entraria na puberdade consciente de que a vida não é feita de brincadeiras. A preparação para o rito envolveria a família inteira, não duraria menos de uma semana. Ao fim da passagem, o jovem receberia uma vassoura e limparia o que sobrou da celebração. Seria o início da preparação para a vida adulta.

A passagem da adolescência para a vida adulta seria um pouco mais dramática, por volta dos dezesseis anos. Já acostumado a dormir na casa de colegas de igreja, ele moraria por uma semana em um apartamento, ou um quartinho, onde teria que fazer todas as tarefas domésticas e ainda se mostrar apresentável, como é com qualquer adulto.

A vida social seria intensa, mas sem futilidades. Bailes, festivais, apresentações, enfim, tudo o que pudesse ser oferecido para estreitar laços, seria providenciado. Apesar da sobriedade das celebrações, que se prestaria apenas para facilitar a conecção do seguidor, as artes seriam uma constante na comunidade. Talentos seriam estimulados e aprimorados.

Ninguém passaria por privações, todo o básico seria fornecido ao fiel em dificuldades, enquanto a comunidade o ajudaria a sair da situação. Caridade externa também faria parte da rotina, e envolveria ostensivamente os jovens, para que aprendessem a se condoer do sofrimento alheio.

Os empresários, adulados em igrejas de fachada, seriam cobrados pelo seu comportamento e pelos salários que pagassem. Não seria tolerada sonegação de espécie alguma, todas as actividades deveriam estar dentro da lei e da boa conduta. Aliás, o tratamento dado às domésticas seria especialmente observado. De que adianta repetir "Meu Deus! Meu Deus!" e sussurrar "Meu dólar! Meu Dólar"? A quem o sujeito quer enganar? Mais uma vez, teríamos poucos fiéis... Provavelmente nenhum político.

Casamentos, sim, celebraríamos, na presença de um juiz de paz. A decoração do templo não seria meramente estética, como é em quase todos os casos, ela seria elaborada para que os noivos, da porta até o altar, tivessem a gradual consciência de que estão mudando de vida, que nada será como antes e que a solteirice ficou definitivamente para trás. Sim, também haveria uma preparação prévia para os noivos, que não poderiam se casar sem conhecer bem os principais defeitos do outro, mas conhecer no dia a dia. Amar um prato com um grande pedaço de torta é fácil, amar um prato cheio de gordura para se lavar é que são elas, todo prato precisa ser lavado de vez em quando. Aos dois ficaria o aviso de que sob hipótese alguma deveria haver hierarquia dentro de casa, a não ser que um dos dois fosse claramente mais preparado para a vida do que o outro, mesmo assim uma queixa sempre poderia e deveria ser feita a um sacerdote.

A hora inevitável da morte separaria o ente querido de seu corpo, que não seria mais seu, e conseqüentemente de sua comunidade. A vontade do desencarnado seria respeitada, mas seria encorajada a doação de órgãos. O funeral seria rápido, dando tempo apenas para as despedidas. O luto seria assistido por gente capacitada e toda a comunidade ajudaria a família a retomar sua vida, que de quem foi o Meste cuida.

Gente de fora poderia aprticipar, por que não? Mas do grosso ficaria de fora, já que a maioria das actividades demandaria uma iniciação que só os fiéis teriam, necessária ao funcionamento da igreja. Convidados poderiam assistir à maioria das peças, filmes e festivais, bem como de alguns passeios e excursões. Mas não se pode dar certas regalias a quem não se comprometer à continuidade, o que só poderia ser cobrado dos seguidores. A aceitação na comunidade dependeria de uma investigação, entrevistas e análise do clero. Seria aceito o casamento com gente de fora, mas não poderíamos nos responsabilizar por ele, embora não fossemos abandonar nosso seguidor.

Em linha gerais, seria isto. Quanto à doutrina, os sacramentos, et cétera, eles apareceriam na medida da necessidade, durante a minha preparação. O importante é manter o homem ciente de que é um deus, não um mendigo, para se conformar com as misérias terrenas. Feito isso, todo o resto é supérfulo. É por isso que teríamos bem poucos seguidores... Isso se eu fosse me meter a abrir uma igreja. Deus me livre!

domingo, 6 de novembro de 2011

Se respeitando a gente se entende


Um dos questionamentos mais comuns, especialmente entre os leigos interessados, é a relação com criaturas de outros planos. Os iniciados repetem incessantemente que se deve impôr respeito e respeitar, para se ser respeitado. O problema aqui é que as pessoas ainda têm na cabeça que "respeito" é o mesmo que dominação, ainda que parcial.

Vamos esclarecer este ponto, mas começando de mais longe, senão os motivos não ficarão claros.

Quando lidamos com gente de... Sim, são gente, mas isto é assunto para outro artigo. Lidando com gente de outras dimensões e espheras, estaremos lidando também com outras faixas vibratórias. O que é isso, para quem acabou de chegar e não sabe onde fica o banheiro? Faixa vibratória é um termo utilizado para designar os limites mínimos e máximos de evolução espiritual, com a qual conseguimos lidar sem maiores precauções. Há gente menos e mais evoluída do que eu, neste mundo, mas a diferença não é grande o bastante para inviabilizar nossa convivência presencial, eu não vou queimar nem ser queimado por ninguém se me aproximar de um cidadão, porque a faixa vibratória dele é muito próxima à minha. Para terem uma idéia, há entidades que precisam recorrer a outras mais baixas, quando querem se comunicar com alguma pessoa comum, porque o contacto directo queimaria rapidamente os perispírito. Há muitos níveis abaixo e acima do nosso, onde a faixa de convivência é muito mais ampla.

Funciona assim: Os pensamentos que conseguimos manter sem esforço é que moldam o que nós somos, influenciando na potência de nossa aura. Quanto mais autruísta e elevado é o pensamento médio, mais rápido nossos chakras giram, acelerando a freqüência com que nossos corpos astrais, que formam nossa aura, vibram e mais forte é a luz que eles emitem. Por isso também devemos estar atentos aos nossos pensamentos, eles revelam cousas que teimamos em guardar no subconsciente. Para a maioria absoluta dos que estão encarnados, os pensamentos são secretos, mas para qualquer desencarnado e qualquer criatura de outras dimensões, eles estão claros e inequívocos à sua frente, como uma confissão de tudo o que se fez e de nossas reais intenções, não importa se conseguimos enganar até o polígrapho.

Quando dizemos que a pessoa deve se respeitar e impôr respeito, é porque quem não se respeita acaba gerando um padrão vibratório baixo, com pensamentos de auto piedade constantes, se fadando ao fracasso por antecipação. O que um ascencionado vai conseguir com uma pessoa assim? Em quê alguém que só pensa na própria deficiência psicológica, poderá ajudar nos trabalhos mais elevados? Alguém assim não se considera digna de receber grandes responsabilidades, fechando os canais pelos quais poderia receber ajuda para exercer o trabalho. Que canais são esses? Inúmeros. Desde receber instruções directamente dos guardiões do planeta, até mensagems subliminares e ajuda de pessoas encaminhadas para isso. Por isso dizemos que o mestre só aparece quando o aluno está pronto para receber a lição. A maioria de nós se nega a conhecer a gramática, por mera comodidade, imaginem estudar línguas antigas, mortas e desmaiadas.

Então, para se chegar a uma entidade mais elevada, é preciso ter um padrão vibratótio mínimo, com um  mínimo de viés de alta, porque com esse viés algumas adaptações podem ser feitas e a convivência viabilizada. Quando eu falei em queimar, não estava sendo metafórico, o perispírito de uma pessoa comum pode ser muito danificado com a aproximação de uma Mestra Rovena da vida, dando espaço para obsessores e vampiros astrais agirem livremente. Por isso a descida e materialização desses seres às nossas profundezas é tão rara, e sempre cercada de uma adequação do ambiente, uma espécie de "luva mística" para nos preservar. Agora imaginem os seres chamados de Anjos descendo... Sem comentários.

Dentro da faixa vibratória da humanidade, baixa pra cacilda, diga-se de passagem, há uma minoria crescente que se aproxima bastante do limite superior, com um bom viés de alta, que serve de excelente ponte entre as espheras superiores próximas a esta. Essas pessoas são as que conseguem manter seus pensamentos mais ou menos elevados por um período bastante razoável de tempo. São pessoas assim que as entidades escolhem para representá-las, porque não alimentam pensamentos de auto-piedade, não se mantém obcecados por uma revanche, com isso conseguem manter um mínimo de respeito próprio. Assim, podendo olhar as entidades mais próximas de frente, sem querer afrontar e sem permitir afrontas, a pessoa se mostra pronta para os serviços que precisa executar, porque já tem maturidade espiritual suficiente para não fraquejar e para responder á altura quando for convocada a dar explicações.

Não é necessário ser santo para tanto, até porque quem é santo já não reencarna mais. Respeitar-se inclui não se envenenar com as porcarias inúteis que vendem como factor de "liberdade", de "maturidade", de "masculinidade" e outras besteiras ideo-mercadológicas do tipo. Mas ninguém será barrado por causa de um chope, de uma taça de vinho, de um churrasco de vez em quando. Quem está lá em cima sabe que aqui em baixo é muito difícil abrir mão de tudo. O corpo humano suporta uma quantidade de álcool, de carboidratos, de gordura, de hormônios, enfim, suporta a vida "moderna" bem dosada. Quando for necessário jejuar, eles mandam avisar. Não faça ou deixe de fazer só porque alguém não gosta, apenas respeite o corpo que habitas.

Por que falei tanto sobre assuntos tão diversos? Porque todos eles estão intimamente ligados ao respeito por si mesmo. Alguém que cede facilmente ao apelo de um prazer, sabendo que vai se lascar, e provavelmente lascar mais alguém, não está se respeitando. Alguém que pede esmolas porque não quer trabalhar, e conheço gente assim, não está se respeitando. Quem se submete ad aeternum a constrangimentos que nada acrescentam e nada queimam de seu karma, não está se respeitando. Quem senta e espera que alguém venha resolver seus problemas, sem dar um só passo para isso, não está se respeitando. Quem se submete ao radicalismo ideo-dogmático, tentando forçar os outros a aderirem, não está se respeitando nem ao próximo. Estes e muitos outros casos focam o pensamento abaixo da linha do tórax, reincidentemente abaixo do ventre, deixando a pessoa presa ao estágio em que se encontra. Quem estaciona, raramente não tenta fazer os outros estacionarem também.

Uma vez estabelecido solidamente o respeito próprio, este traz de carona a capacidade de se colocar na pele do próximo. Aqui está o pulo do gato, a pessoa que se enxerga razoavelmente bem como merecedora das graças que almeja, não simplesmente alguém a quem o mundo tem obrigação de sustentar, começa a reconhecer que os outros também merecem e precisam, fomentando o respeito mútuo que quase não existe desde que caímos aqui. Perceberam? Respeitando realmente o Deus que há em ti, respeitarás também o que habita o outro, simplesmente porque é o mesmo. Os nossos tutores, ou deuses (O Criador é um só) não estão interessados em elitizar e exclusivizar seus contactos, eles querem é nivelar a humanidade inteira, mas por cima.

Estamos entendidos? Então sim, podemos nos comunicar com os elementais, seus reis, com devas, mestres ascencionados e quem mais se interessar em manter contacto, com naturalidade e sem medo, porque o medo também mina o respeito próprio.