sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Fale mais firme!


Às vezes vejo o Livro dos Espíritos e tenho vontade de esfregar nas caras dos autores, algumas coisas que o livro renega e chama de superstição, mas que algumas linhas mais adiante confirma como funcionais, só que com o nome científico e politicamente aceito de magnetismo... E como tem espírita chato! Como tem espirichiita tentando me demover de coisas que eu constactei terem funcionado!

Bem, deixemos os dito para lá, por enquanto, e vamos ao texto que o gancho trouxe. Vocês se lembram do filme O Exorcista? Claro, é um clássico do gênero, que depois descambou em papagaiadas de sustos sem função em filmes correlatos. Vocês sabem qual foi o erro do padre, não sabem? Ok, aos que ainda não entenderam a lição daquela cena, eu vou dizer o que faltou ao padre: AUTORIDADE. O pateta se deixou dominar pela culpa, não controlou os próprios pensamentos e se considerou subalterno do obsessor. Agiu não como um banidor, mas como um soldado se revoltando contra o oficial.

Vamos entender. O que diferencia um cidadão que faz trevosos correrem só de olhar para eles, de outro que berra discursos prolixos e só consegue arrancar risadas, e talvez eles saiam só para terem o espetáculo novamente, mais tarde? Ele tem autoridade. Ele não modula a voz e franze o cenho para conseguir um papel em um filme de pancadaria, expressão e voz não são causas, são conseqüências. Ele está realmente aborrecido, a situação o desagrada e ele se decide a resolvê-la. Sabem aquelas professoras que te fazem calar a matraca e se comportar só um olhar? Eu sei que são raras, tão raras quanto necessárias. É disso que eu falo. Ela não evoca seu título, sua posição social que hoje não é sequer sombra dos meus tempos de escola, nem mesmo o estatuto do servidor público se for o caso. Ela manda ficar quieto, e tu ficas quieto. Ela manda sair da sala, e tu sai da sala. Ela manda ir à secretaria, e tu vais à secretaria mesmo sabendo que estás ferrado.

É por isso que para ser um mago de respeito, não adianta memorizar um milhão de feitiços e evocações, porque isso não te garante se um dia eles se voltarem contra ti; acredite, um dia eles voltam e não será um contra-feitiço que salvará tua pele, não ele sozinho. Chegará o momento em que serão só tu e as criaturas de outros planos. O que farás então? Ligar para a polícia? Eles não ficarão esperando o camburão do bope dos exús chegar para te darem uma lição. Se tiveres consciência de tua força e tranqüilidade para exercê-la, simplesmente mandas todo mundo ir catar coquinho e atirar em quem os enviou, se não tiveres é bom que um mago forte e amigo esteja por perto.

É necessário que o iniciado treine a própria autoridade, não somente sobre outras criaturas e as forças do universo, mas principalmente sobre si mesmo. Não um treinamento meramente protocolar, com hora marcada para começar e terminar, é treinamento contínuo sem data de validade. É preciso ter autoridade primeiro sobre seus medos, porque eles são seus maiores sabotadores, depois sobre as culpas, que são muito pesadas e não te deixam erguer a cabeça para respirar direito. Quando me refiro a medos e culpas, falo de coisas bem mais simples e triviais do que vocês imaginam. Não confundir com desprezo pela dor e pelos sentimentos alheios, isso é psicopatia e custa caro a quem a leva a termo.

Primeiro é necessário ter em mente que o teu sucesso não é a causa da derrocada alheia. Se o outro tiver juízo, vai pegar carona nesse sucesso para construir o próprio. Comer um chocolate suíço, por exemplo, para muita gente é um acto desnecessário de ostentação, alegando que muitos nunca comeram um bombom do fofão. Me digam quantas pessoas saíram da miséria por causa da falência da Varig. É mais ou menos isso, um êxito conseguido por meios éticos e legais nunca deve ser motivo para constrangimento, este que é uma brecha para seres baixos entrarem e sabotarem tuas defesas. Uma das táticas é transformar a culpa em temor pela punição.

Se vais dizer umas verdades a alguém, evite ao máximo magoar a pessoa, mas não tenha pena da mala sem alça que tiver feito por merecer. Uma sacolejada é necessária a todos, de vez em quanto. A tristeza que vier depois, por conta do clima triste que por ventura tiver se instalado, não deve sob hipótese alguma servir de porta para a culpa. É como se um policial se sentisse culpado por ter baleado um meliante que fazia uma criança de refém. Ele pode se sentir triste por isso, se tiver um coração nobre, mas sob hipótese alguma deve sentir culpa ou arrependimento por ter feito a única coisa que poderia ter sido feita. Quem quiser que apresente alternativas para missões futuras.

Uma vez que culpa e medo tenham sido controlados, é hora de cuidar dos pensamentos. Lembrem-se, deixá-los livres e sem controle é como gritar a própria intimidade em via pública, algum malandro vai se aproveitar do que tiver ouvido. Algo útil e colateral de se vigiar os pensamentos, é conseguir diferenciar com mais facilidade os que são realmente teus, dos pensamentos invasores e parasitários. Porque são muitos, talvez vocês AINDA não percebam, mas a densidade de pensamentos soltos a procura de uma cabeça oca e caótica, para fazerem morada, é imensa. Se deixares, te levam para o abismo em um piscar de olhos. Vivo em um lugar particularmente rico desse tipo de resíduos, asseguro que é uma tarefa árdua.

Para quê tanto trabalho? É para que tuas ordens sejam densas, uniformes e compactas. Densas para que não haja um só espaço onde o inimigo consiga colocar alguma sabotagem, uniformes para que ele não encontre defeitos suficientes que lhe sirvam para se apegar, compactas para que tu não se percas em motivos e cerimônias desnecessários. Simplesmente diga "Saia daqui e não volte" da forma como achar melhor, mas não se dê o trabalho de justificar nem mesmo em pensamentos a sua ordem. Querer se justificar é colocar sua ordem em dúvida, é uma falha grave que, uma chance de revanche o outro lado não vai deixar passar.

Seja, nesse momento, como um marechal. Se vão te chamar de reaça, de tirano, de politicamente impatético, não deve ser motivo para tirar teu sono. As pessoas quase sempre não sabem patavinas do que um especialista está fazendo e adoram dar palpites esdrúxulos. Simplesmente diga de modo firme o que desejas. Lembram da história de que a fé remove montanhas? Parece uma parábola, mas o que foi dito é literal. Fale firme aos átomos da montanha, e ela sairá do lugar.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Surto de vampirismo


Caríssimos, a coisa ainda não é alarmante, mas é grave. Há muito tempo venho recebendo queixas de pessoas a respeito. No começo eram casos isolados, mas parece que se tornou uma epidemia. Todo mundo que conhece um pouco da ciência, está reclamando de vampiros de energia que não conseguem localizar.

Ontem, voltando do trabalho, eu senti um pequeno fluxo prestes a sair de mim. Nada fiz além de ficar atento e, para minha surpresa, o vampiro em questão era um cidadão que estava logo atrás, sentado no assento de acompanhante de cadeirante.

Ele não estava intencionando cousa alguma. Meus gestos de tentar aparentemente conter o fluxo, não causavam qualquer reação, visível ou não. Notei com rápidas olhadelas, que ele estava muito, mas muito deprimido, desenganado mesmo. Passei o indicador na testa, para pegar um pouco de óleo e com ele fiz uma cruz na nuca, o que estancou o fluxo.

Novamente o cidadão não mudou seu comportamento. Novamente me pus a pensar no caso, porque eu também tenho notado o aumento de vampirismo que, pelo que percebi, é absolutamente involuntário. Por mais que os governos tentem maquiar a situação geral, com estatística mais compradas do que Fusca 1300, as pessoas estão descrentes com o futuro.

O que isso tem a ver com o vampirismo? Infelizmente, tudo. Uma pessoa em depressão profunda, por exemplo, tende a pensar rapidamente em suicídio, se não conseguir uma distração que seja. Inconscientemente, ela busca algo que lhe dê prazer, e um prazer baixo e fácil é sugar a energia alheia. Eles não fazem de propósito, ao menos enquanto não perceberem o que estão fazendo.

é mais ou menos como uma pessoa que fica presa em uma ilha deserta, e passa a pescar para sobreviver. A intenção dele não é matar o peixe, talvez nem goste, isso é conseqüência do desespero pela sobrevivência. com o tempo, mudando os modos de preparo e usando ervas que porventura encontre na ilha, ele pode passar a gostar do acepipe, mas a intenção primária é se manter vivo até ser resgatado.

Então, caríssimos, antes de mandar um globo de energia torrar o perispírito de um vampiro, façam algo para bloquear a sangria e observem se alguém muda seu comportamento. Porque o problema infelizmente é social e de saúde mental, é generalizado, são milhões de novos vampiros inconsciente pelo país, não dá simplesmente para bloquear todos eles.

Se protejam, vedem seus pontos de energia e fiquem atentos, porque esta situação ainda vai demorar uns bons anos para se resolver.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Deus e os deuses


Monoteístas e politeístas têm se enfrentado ao longo dos milênios, como quase tudo na história, por causa de tradições mal explicadas. Os primeiros levaram a pior durante a maior parte da história, de dois mil anos para cá, a situação se inverteu. Como costuma dizer a Doutora professora Rosane Alencar, os perseguidos tendem a se tornar carrascos piores do que seus antigos algozes. Quem estudou história antiga e medieval, ainda que sem a dedicação necessária, sabe do que estou falando.

Vamos então directo ao assunto: NÃO CONFUNDAM OS DEUSES COM O CRIADOR!!!! Farei um pequeno rodeio para facilitar a compreensão.

Quando Moisés distribuiu cajadadas a torto e a direito, ele não fez por mal... pelo menos não enquanto estava com os nervos ainda sob a pele. Ele fez todo um código de conduta para os hebreus, porque viu logo com quem estava lidando: Um povo que choramingava de fome no Egito, mas depois reclamava que tinham fartura de pão e se sentavam às panelas cheias de carne, mas agora estavam morrendo de sede no deserto.

Qual o momento de maior fúria? Sim, foi o lance do bezerro de ouro. Moisés deveria tê-lo feito criar vida e chifrar todo mundo, mas se contentou em mandar um raio e derreter a tranqueirinha. Depois de novo lá foi Moisés, subindo a ladeira, com duas placas de pedra nas mãos, sabe-se lá sob que temperatura e incidência de raios ultravioletas.

Por que cargas d'água eles, que sempre foram monoteístas convictos, de repente começaram a adorar um bibelô de ouro? Não, não é só por ter sido feito de ouro. Para quem ainda não entendeu, aquilo era magia egípcia, a mesma que eles renegaram durante séculos de cativeiro. Renegaram, mas conheceram muito bem, como Moisés conheceu nos tempos palacianos. O auge do Egito já tinha ficado para trás, e sabemos que Akenaton foi o único faraó a tentar abrir os olhos do povo para o equívoco cometido. Acontece que estávamos (nós estivemos lá, a maioria não se lembra, mas estivemos) pegando atalhos perigosos, adorando fervorosamente as divindades que, no fundo, eram gente como a gente.

Explico: Como em todo o mundo antigo, as pessoas elegiam deuses locais e pessoais, e se reportavam a eles para as rotinas mais triviais do cotidiano. Imaginem como deve ser chato ouvir o dia todo "Oh, grande divindade, sacrifico este passarinho para pedir uma boa noite de sono", "Oh, grande divindade, sacrifico esta lesma para obter saúde sem precisar ir ao médico", "Oh, grande divindade, sacrifico esta bolacha para conseguir um pacote inteiro de graça"... Eram quase todas reportações de caráter egoísta! Gente pedindo a mulher do outro, gente pedindo vingança, gente pedindo a mulher de volta, gente pedindo revanche... Estavam colocando os deuses uns contra os outros! Imaginem a Fraternidade Branca em pé de guerra por causa de mimimi!!! Claro que eles não aceitavam isso! Mas alguém aceitava.

A falta de noção generalizada, não deixava as pessoas atinarem para um detalhe, os deuses que atendiam o pedido sincero e choroso de um pai que implorava para dar de comer aos filhos, jamais aceitariam o sacrifício de uma filha para dar vento e mandar um bando de insanos para a guerra. Fica fácil compreender que várias entidades passaram a atender pelos mesmos nomes, de acordo com o padrão vibratório de quem os evocava. Sabem aquela bipolaridade crônica de Zeus? É por causa disso. Um monte de espíritos baixos atendiam aos pedidos levianos, feito à divindade grega, e por ela recusados.

Acontece que os deuses um dia foram gente como nós. Alguns deles estavam na legião de degredados, só que tomaram vergonha mais depressa e ascenderam rápido, antes mesmo que Atlântida afundasse. Alguns ainda antes, mas é outra conversa. O facto é que estávamos adorando seres humanos, altamente evoluídos, mas seres humanos, usando-os como atalho para conseguir nossos intentos geralmente egoicos e socialmente pouco aceitáveis. Estávamos, e ainda hoje estamos, dando a eles uma carga de responsabilidade e um pedestal que não lhes cabe e de que eles não gostam... mas os trevosos a-do-ram ser bajulados, são como bacharéis que passam raspando na prova da OAB, e exigem ser chamados de "doutor advogado".

Por conta dessa vulnerabilidade, e do incômodo, os próprios deuses começaram a mandar gente dar o recado, gente que foi altamente hostilizada, como Akenaton, os profetas bíblicos, o próprio Cristo, que bem pode ser a identidade real de Zeus... mas como éramos (somos) muito rudes, uma palavra suave e gestos carinhosos não produziam resultados, tinha que ser com gente casca-grossa mesmo! João Batista que o diga!

Mas não era só na África e na Ásia que isso acontecia. O "Meu deus é mais forte do que o seu" permeava o mundo inteiro, inclusive nossa bem-quista Irlanda. Talvez por isso Buda tenha preferido não falar em deuses, quando começou a divulgar o caminho da iluminação; quem o percorresse os encontraria por conta própria, e por fim o próprio Criador. Isso dá aos chateus a impressão, que travestem de convicção, de que um budista é ateu.

As mitologias nada mais são do que parábolas, que relatam muito sucintamente, a criação dos deuses, ainda como seres de baixa vibração, passando pela evolução, seus erros, carmas, resgates, até a ascensão. O mito de Hércules é o mais icônico e fácil de entender. Sempre que alguém faz um grande sacrifício a um deus, o mesmo põe a mão na testa e pensa "Quem sou eu para merecer isto??", tanto mais quanto maior o grau de sofrimento envolvido. Não preciso dizer o que eles pensam da autoflagelação, muito menos dos sacrifícios humanos. Quem se dispuser a estudar com afinco as mitologias, vai ter surpresas de que os olhos céticos privam seus portadores.

Todos eles, a partir do momento em que alcançaram a iluminação, tiveram aquele "click" de quem finalmente entende toda a moral da história, e encontra o fio da meada. Muitos deles deram de cara com gente que um dia adoraram como divindades supremas. Oras, elas um dia foram gente como nós, cometeram basicamente os mesmos erros, racharam as caras de vergonha até aprenderem a lição! Quem passa por tudo isso e aprende, não se considera digno de adoração. Raríssimas criaturas passam ilesas por todas as etapas. Tão raras que não entram nas estatísticas.

Algo que um mago tem que aprender desde cedo, é que não importa o quanto sua entidade mais afim seja grande e forte, SEMPRE HAVERÁ UM MAIOR E MAIS FORTE. Acontece que são todos criaturas, e são tanto mais aprimorados quanto mais antigos e testados. Neste conglomerado de galáxias em que vivemos, certamente há os seres que trabalharam no chamado big-bang, que têm um tamanho que não cabe em nossas frágeis imaginações. Mesmo assim eles são criaturas, um dia foram átomos e tiveram que passar a vírus, depois micróbio, enfim... Eles muito menos, gostam de ser venerados, não se consideram dignos. E olha que os caras podem!!!

Por essas e outras que passaram a rejeitar adoração, pedindo que seja dirigida apenas à Fonte, ao Intemporal, ao Supraexistencial, seja lá que nome queira dar ou ainda que prefira não dar nome algum, porque é só quem não precisa dar explicações a ninguém.

Acontece que nestes milênios nós não evoluímos nem metade do que deveríamos, daí a segunda degredação ocorrida em Dezembro último. Se antes defendíamos os deuses com unhas e dentes, como se eles precisassem, hoje defendemos o Criador com unhas e dentes... Defender de quê mesmo? De humanos??? bah! Morri de graça e não achei rir.

Ironicamente, transferimos a adoração politeísta a criaturas extremamente indignas, hoje adoramos pessoas... Artistas canastrões, políticos, jogadores de futebol, até times de futebol, pastores picaretas que muita gente acha que são a redenção da humanidade e querem é lascar todo mundo de uma vez... Os santos, pelo menos, têm alguns protocolos disciplinadores, ninguém coloca Santa Edwiges contra Santo Expedito. Em certa escala, os dois poderiam ser considerados deuses fortes, noutras épocas.

No fim das contas, nós só trocamos rótulos e apresentações, porque os deuses que adoramos em outros séculos, e pelos quais aceitamos morrer na fogueira, são os mesmos que hoje nos apresentam como santos e anjos... e continuamos adorando... Mas nós, bons magos, sabemos desde que despertamos, que eles todos são resultados de suas escolhas e evoluções. Afinal, Pedro não negou três vezes a divindade maior deste planeta, e mesmo assim fez por merecer o que é hoje? Foi até imperador do Brasil!

É uma lição clara no Bhagavad Gita, tudo o que pedimos aos deuses, santos, anjos e afins, é ao Criador que estamos pedindo, é de Sua Providência que tudo acontece, só não faz burlar as próprias leis, como a física. No final das contas, são todos apenas intermediários, que não fazem a menor questão de serem reverenciados, tampouco recompensados pelo bem que praticarem. Só querem respeito e, se não for pedir muito, amizade.

Em suma, para não fazer um catatau homérico, continuamos politeístas, só que de forma camuflada, mesmo acreditando no Supraexistencial, que até a existência criou. Quando? Nunca. A existência não tem início, meus caros, é uma obra contínua, para todos os lados e com infinitas dimensões que se interpenetram, como infinitos fachos de luz podem se cruzar sem causar nem sofrer interferência. Mas isto é outra conversa, para outro texto.

domingo, 2 de setembro de 2012

O lúdico na magia - Exercícios


Há muita gente com  dificuldades em visualizar algo que parece ser tão abstrato, pela cultura ocidental, como os chakras. Da mesma forma, tem dificuldades em deixar as energias fluírem, pelo simples facto de não conseguirem se imaginar como condutores de energia.

Lobsang Terça-Feira Rampa disse que tudo começa na imaginação, que os ocidentais perdem uma ferramenta poderosa por ignorarem-na. E é verdade. A imaginação modifica o cérebro, o que faz gente honesta se perguntar os motivos de a neurologia não a utilizar, mara auxiliar os tratamentos. Todo e qualquer pensamento molda cérebro e mente, mas a imaginação tem um poder adicional, porque é mais próxima àquilo que o indivíduo deseja.

Por essas e outras, enumero algumas dicas simples e lúdicas de como desenvolver a capacidade de visualização.
  1. Os chakras: Imagine-os como cata-ventos. Ponha-se em frente a um espelho e veja os sete cata-ventos girando, coloridos, brilhantes, cada vez mais rápidos. Imagine-os com seus eixos colados ao teu corpo, nas partes correspondentes. Quando estiveres craque em localizá-los, passe a meditar imaginando-os a girar, cada vez mais depressa, mas acelerando dentro do que puderes acompanhar. Com o tempo, imagine leds nestes cata-ventos, porque os chakras brilham muito, tanto mais quanto maior a freqüência vibratória;
  2. A aura: Imagine-se dentro de várias bolhas coloridas e transparentes, mas tão finas que as cores só sejam vistas nos perímetros. Essas bolhas têm o formato aproximado de teu corpo. A primeira é quase rente ao corpo, a segunda um palmo mais volumosa, a terceira varia de pessoa para pessoa, mas podes imaginá-la a meio metro de tua pele, para começar. Imagine que elas têm iluminação própria e que brilham mesmo à luz do dia. Quando a imagem dessas bolhas áuricas estiver clara, imagine que todas elas têm milhões de filamentos com espessuras microscópicas ligadas ao teu corpo, o que acontecer com ele as afetará e vice-versa;
  3. O fluxo de energia: Por infantilesco que pareça, imagine os Ursinhos Carinhosos. Eles soltam raios coloridos pelas suas barrigas. De onde saem esses raios? De seus corações bondosos, é claro. Ainda que pareça açucarado demais, é mais ou menos isso o que acontece. Agora imagine um ursinho soltando raios por diferentes partes do corpo, de acordo com seu desejo, com cor e intensidade propositados. Imagine o fluxo de energia percorrendo braços, tronco, pescoço, os nervos ópticos, pernas, enfim, cada parte do corpo servindo de canal. Agora imagine-se sendo esse ursinho. Pronto, já podes começar a exercitar esta parte;
  4. Telepatia: Tenham em mente as anteninhas de vinil do Chapolin Colorado. Imagine que elas estão ancoradas em uma espiral que cobre todo o teu crânio. Feito isso, vem um exercício simples, mas que pode ser constrangedor para alguns. Ande normalmente pela rua e preste atenção nos pensamentos que lhe vêm. Olhe ao redor e tente deduzir de que pessoas eles vieram, porque a maioria deles não terá sido sua. Aja com discrição nesta hora, porque muita gente não tolera ser encarada, e uma simples olhadela de lado pode ser interpretada como desafio. Lembre-se, o mundo está neurótico, então aja com discrição. Localizadas as prováveis fontes dos pensamentos desagradáveis, imagine as antenas se regulando para bloquear aquelas pessoas naquele momento. É um talento que poucos conseguem desenvolver, porque requer muita dedicação, mais do que a vida neurótica permite à maioria, mas vale à pena. Quando conseguires bloquear e filtrar, estarás pronto para tentar se comunicar com alguém, só peço que se porte com sapiência, porque receber mensagens telepáticas pode causar incidentes graves, especialmente se a pessoa jamais esperar receber uma;
  5. Contacto com outras dimensões: Bem, aqui há o complicador do livre arbítrio. Eles podem escolher se te aceitam ou não, sem terem que dar satisfações a respeito. Ainda assim, a comunicação pode ser facilitada da seguinte maneira: Imagine cinco portas dentro de tua mente. Podem ser mais, mas o básico é haver cinco. Uma abrirá permanentemente para um vale cheio de pedras preciosas e flores silvestres, a seguinte para uma montanha altíssima, a terceira para um vale de vulcões, a quarta para um ambiente sub aquático, a quinta se abrirá para uma luz muito intensa que virá do alto. Absolutamente sob hipótese alguma mentalize uma porta para baixo. Comece a imaginar os ambientes para os quais as portas se abriram, um de cada vez, tendo o cuidado de vigiar teus pensamentos, porque eles te denunciam e podem te banir de uma vez por todas do lugar. Com o tempo e a aceitação, comece a imaginar uma casinha em cada ambiente, comece com arquiteturas humildes, mas que combinem com os lugares. Com o tempo, as casas poderão ficar maiores e mais complexas, com cômodos e jardins, mesmo a que fica entre os vulcões, esta deverá ficar em um pico seguro. Facilita muito desenhar, ainda que em traços rudes, o que tiveres imaginado, faça ao teu gosto. Com um pouco de sorte e muito mérito, o contacto será feito, mas estejas preparado para ouvir perguntas curtas e grossas, não necessariamente grosseiras;
  6. Telecinese: Aqui a porca torce o rabo e dá lacinho. Porque o subconsciente, à tua revelia, vive te sabotando com "Será que vem? Será que vem?" em um exercício onde a mais tênue sombra de dúvida, é garantia absoluta de fracasso. Aconselho a assistires aqueles desenhos animados dos anos trinta atá meados dos anos setenta, em que o absurdo era o normal. Mas assista a todos os que puderes, para só depois começar com os exercícios. Feito isso, escolha bem os objectos, que sejam leves, baratos e inofensivos. De agora em diante, elimine a medição automática de espaço e tempo que nós temos, na telecinese eles não existem. Não importa se aquela caneca da Betty Boop está longe ou perto, passe semplesmente a ir até ela, sem diferenciar se está ao alcance da carne ou do outro lado do cômodo. Faça este exercício de ignorar a distância até ela deixar de ser um obstáculo físico, para ser apenas uma dimensão que pode ou não ser levada em conta; aqui ela não o será. Quando aprenderes a ignorar o espaço, comece a imaginar a tua aura, aquelas bolhas lá de cima, se moldando ao teu bel prazer. Agora, sempre que for pegar um dos objectos escolhidos, imagine a aura se esticando um pouco para frente, e estique o braço em vez de se encostar no balcão para pegá-lo. Com o tempo o "será que vem?" desaparece, por pura falta de temores para alimentá-lo. É de se esperar que o tato fique mais sensível, e que a aura alheia passe a ser percebida por ele. Às vezes incomoda, mas é útil para conseguir identificar pessoas e animais que não estão no teu camp visual.
Não é tudo, mas é o bastante para o iniciado, ou aspirante, desenvolver não só o controle onírico, mas também o mental e por conseqüência, o auto controle pessoal em todas as situações práticas da vida. Todos os exercícios estão interligados, um influencia positivamente os demais.

Até que ponto obterás sucesso com eles, depende mais de ti do que de qualquer outro factor. Só posso adiantar que não espere mentalizar um Mercedes-Benz conversível e vê-lo se materializar na sua frente, não pelas próximas décadas. O que eu enumerei é uma bengala, algo que facilitará bastante alcançar teus objectivos, como tem facilitado para mim, mas uma bengala não anda sozinha... e o caminho é bem longo.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Da estreiteza do mal


As pessoas se perguntam, ou deveriam se perguntar, como a indústria do entretenimento tem dado tanta ênfase e força aos antagonistas, especialmente quando eles encarnam perfeitamente o mal. Aliás, me surpreende que muitos iniciados e aspirantes não se questionem a respeito, e até torçam para os cafajestes, só porque o mocinho não é dado a esbórnias e não tenta seduzir o público; reconheço que mocinhos aguados e insuportáveis, têm sido o estereótipo do herói moderno, mas isto é conseqüência daquilo.

Bem, cari leitori, involuntariamente os dogmopatas estão certo, é um sinal do fim dos tempos. Não como eles pensam, e até desejam, mas é. Como os habituais sabem, em Dezembro Satanás, Hitler e toda a gangue que nos arrastou para este planeta expiatório, serão degredados de novo, desta vez para um planeta que faz o nosso jurássico parecer o jardim dos ursinhos carinhosos. Acontece que o líder deles já sabia disso, burramente insistindo em vez de mudar sua conduta, e deixou instruções claras para ser vingado, para que suas legiões sombrias causassem o maior mal possível à humanidade, enquanto pudessem. Se é o que se pergntam, não, ele não dá a mínima para as conseqüências que seus seguidores enfrentarão, por mais essa dívida contraída.

Daí que as hostes abissais estão revoltadas e dispostas a tudo, cegas por arrastar o maior número de pessoas que puderem para seus domínios. A revolta é alimentada pelo desespero de saberem que a revolta é inútil, que só vai acrescentar sofrimento, para quando eles precisarem reencarnar, o que provavelmente significará mandar muitos deles para planetas piores do que o nosso, ainda que provisoriamente, embora nem de longe se comparem ao que aguarda os idiotas que vão embora neste ano.

Denigrir o que é bom, belo e justo, faz parte do desespero. Eles se aproveitam das más tendências, que iludem os artistas por parecerem dar retorno rápido, na realidade apenas um alangésico a disgarçar o vampirismo. Daí também darem carisma e inteligência aos bandidos, em detrimento dos mocinhos. Daí eu não assistir à maioria dos filmes que fazem hoje em dia. Qualquer semelhança com a política não é mera coincidência. Já disse aqui que Brasília é a maior mantenedora de magia negra do país, lembram?

Embora o cenário seja triste e periclitante, carissimi, ele tem prazo de validade. Embora o mal pareça enorme e invencível aos olhos de muitos de vocês, na verdade ele é tão frágil, efêmero e mutável, que só sobrevive em condições muito específicas, em uma fase estreitíssima da evolução de uma humanidade. Posto que o tempo também só existe em certas condições, restando ao espírito puro apenas o espaço e olhe lá, o mal pode ser considerado uma faixa transversal de poucos milímetros, em uma estrada de milhares de quilômetros. O mal só começa a existir depois que a criatura recebe o livre arbítrio, e termina bem antes de se concluir sua jornada carnal... Isso quando ele acontece, alguns raros espíritos passam incólumes do começo ao fim desta jornada.

Acontece mais ou menos assim: A criatura começa a ter condições intelectuais de escolher o que fazer ou não, em vez de simplesmente reagir ao ambiente. Em dado momento, perceberá que escolhendo suas ações, pode mudar o próprio destino, cabendo-lhe então decidir se mata o sujeito ao lado ou o ajuda a caçar e colher mais. Não preciso dizer o que nós escolhemos. Como conseqüência da escolha errada, e aqui cabe o termo, o humano em questão começa a ver que seus problemas mundanos se resolvem mais rapidamente, embora fique momentâneamente sozinho e desprotegido. Daqui ele começa a procurar outros de sua espécie, entre os quais decidirá se repete ou não a façanha, só que em grupo ele pode acabar sendo punido na mesma moeda por seu atrevimento, pagando assim, imediatamente, pelas conseqüências de seus actos, restando então reparar o mal feito à primeira vítima.

O episódio contado é simplificado, porque na alvorada da consciência as dívidas ainda são simples e fáceis de pagar. Mesmo assim é necessário reincidir muito e com muita vontade para que o mal se instale, e nós fizemos isso! Não adiantaram os milênios reencarnando nas peles de povos inimigos, de grupos rivais, porque o mal da nossa humanidade não distingue absolutamente nenhum ítem discriminatório. O mal da humanidade diz apenas "Eu tenho o direito e os outros o dever de suprí-lo" e ponto final. A raíz de todos os males da humanidade é o egoísmo, não importa que rótulos pomposos os intelectuais de ar-condicionado inventem.

É enganoso, e até perigoso, taxar de mau um ser que acabou de adiquirir consciência e tem sua primeira vida como humano. Nesta fase, ele não intenciona fazer mal aos outros, ainda está muito subordinado às necessidades fisiológicas e não compreende mais do que um palmo além delas. Seu raciocínio ainda está limitado à altura do umbigo, quando muito. Só aos poucos é que vai perceber que fazendo isso, aquilo vai acontecer. Ele não sabe que colocar a cabeça na boca de um leão é perigoso, sus instintos simplesmente dizem para não fazê-lo e ponto final, então ele não faz. Só quando passar a perceber que os animais que o leão come também foram mortos, é que começará a raciocinar a respeito. Até lá, só o medo hormonal o afastará do perigo.

Da mesma forma, antes de ascender, o cidadão já terá se livrado do mal, sem o que não conseguiria levantar a cabeça acima do lodo de suas paixões, assim não conseguindo ver o que a escuridão delas nos priva. Uma vez percebendo essa luz, já sem ser cegado por ela, consegue-se perceber que os danos causados pelo mal, são maiores do que os prazeres proporcionados. Mais uma vez, apenas analgésicos para não se perceber a picada do vampiro. Uma vez percebida a sua presença, este vampiro não consegue mais se aproximar e busca outra vítima, ou definha até virar pó.

E como nós chegamos ao nível de maldade de hoje? Melhorando muito. Os crimes que hoje nos parecem bárbaros, hediondos, monstruosos, noutras épocas eram práticas toleráveis. O que a bíblia descreve do sofrimento dos cristão, não é nem metade do que lhes aconteceu. Torturar cristãos e simpatizantes até a morte, de modos que não colocarei aqui porque não é para suas cabecinhas impressionáveis, isso inclui o tenentão da rotan aí, era um entretenimento popular na época de Nero. Para desviar atenções da decadência de Roma, a prática intensiva do mal a um grupo incoveniente era incentivada pelo império. Sim, Nero faz parte da turma que vai se lascar rapidinho.

E como nós chegamos àquele nível de crueldade? Vestindo a carapuça. Foram muitas encarnações repetindo para nós mesmos "é isto o que eu sou, é isso que eu vou fazer", alimentando larvas astrais horrendas e formas-pensamento mostruosas, que foram facilmente confundidas com demônios e desuses do submundo, mas eram só criaturas astrais saídas de nossas mentes lesadas. Quando lhes eram feitas perguntas, na realidade elas respondiam o que nós queríamos ou temíamos ouvir, porque era de nós, indivivualmente ou em grupo, que elas se alimentavam e se supriam de argumentos. Entenderam agora quem responde ao comando de pastores picaretas e místicos corrompidos? Pois é. Houve uma longinqua época em que era infinitamente pior.

O que acontece hoje, é que há muita gente que não reencarna desde aquela época! Há cidadãos que têm medo de enfrentar as conseqüências de seus actos desde o alto império romano, alguns até antes, mas sabem que terão que fazê-lo de qualquer jeito, a partir de algum momento. Essas pessoas têm clara na memória as lembranças de suas épocas, e inspiram fortemente os trevosos revoltados. Foi o que eu disse, eles vestiram a carapuça e não conseguem mais sair sozinhos desse círculo vicioso. Terão que ser abortados muitas vezes, e viver muitas vezes com limitações totais de suas inteligências, como várias encarnações com hidrocefalia.

Certo, eu falei de um monte de coisas e cousas, que fazem o tempo de maldade parecer uma eternidade. Exactamente isso, o tempo faz parecer. Acontece que o tempo e o espaço são ilusões das quais dependemos, e dependeremos por muito tempo, para nos orientar em nossa jornada triste. Mas são só ilusões. O tempo muito mais do que o espaço. Com isso poderemos fazer uma comparação simples, já que o tempo nada mais é do que a nossa permanência em dada faixa evolutiva, assim podemos fazer uma medição simplificada do tamanho do mal, quando ele existe, na existência de uma criatura.

Quando o  espírito é criado, então puro e à imagem e semelhança do Criador, ele não é bom nem mau, pois um adjetivo só existe em função do outro. Dos bilhões de anos entre a primeira experiência biológica, como algo mais simples do que uma priocarionte, até o momento em que adiquire consciência, já como uma criatura altamente complexa e de cérebro extremamente sofisticado, não existe um só segundo de maldade. Durante todo este período, só existe a satisfação de necessidades, a agressividade em maior ou menor grau ditará tendências, nada além de tendências. Ser altamente agressivo durante uma caçada, com as caças, é desejável em um caçador primitivo, até porque toda a agressividade tem seu clímax quando o animal é abatido, daí em diante é só alegria. As armas de fogo facilitaram a vida do caçador, mas tiraram-lhe o clímax que o mantinha calmo em sociedade.

O mal acontece quando a agressividade é utilizada contra seus pares, deliberada e desnecessáriamente, não um ou outro, mas as duas juntas: deliberação e futilidade de agir daquela forma. Tomando o princípio darwiniano, de que não temos sequer cem milênios de real civilização humana na terra, provavelmente nem cinqüenta, o tamanho do mal é insignificante. É mais ou menos como 20m em um trecho de 1km, não dá meia quadra. E, apesar de o desespero coletivo, o famoso efeito manada, berrar histericamente o contrário, o mal está dando seus últimos suspiros; ele não dura nem três séculos mais.

Temos que considerar ainda, que de então para frente nós teremos um longo caminho de regeneração. Vai no mínimo um milhão de anos para que consigamos retomar o nível que tínhamos, quando começamos a fazer baderna em Capela e fomos degredados para cá. Depois deste período, ainda teremos alguns milhões de anos até voltarmos a ser espíritos puros. Daqui em diante, tudo terá sido apenas experiência, não nos causando boas nem más reações, nos será indiferente em nossas vidas eternas, servindo apenas para as funções de mestres de planetas, a que toda criatura está destinada.

Então podemos ficar sentados, esperando pelo bom da festa? Se fizeres isso, eu vou aí e te dou um cascudo. Como aspirante ou iniciado, tens a obrigação de ajudar nesta transição, começando pelo teu próprio ego: elimine-o. Não de uma vez só, mas começe a miná-lo com a negação do teu egoísmo, da tua péssima mania de achar que estás certo, de que tens a solução para os problemas do mundo, que tens o ponto de vista definitivo para A Verdade absoluta a que SÓ OS ANJOS TÊM ACESSO e por isso mesmo são humildes como ninguém. E pare de dar audiência para esses intelectuaizinhos ridículos, que tanta gente iludida aclama como "gênios", mas não passam de marionetes nas mãos dos trevosos.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sobre Bardon 01


Estou lendo o Magia Prática, de Franz Bardon, tradução de Eddie Van Feu. Muita gente desceu a lenha na petulância da amiga Eddie, mas se esqueceu de perguntar ao próprio Bardon o que ele pensa da obra. Muito provavelmente os detratores são os menos aptos a contactar o mago debochado.
Aos que pretendem, e eu recomendo, estudar magia à sério por este livro, direi sucintamente o que podem esperar dele.
  1. Bardon é alemão. Para quem conhece bem ao menos um alemão, isto diz muita cousa, pois ele é curto e grosso. Não é grosseiro, mas não perdoa burrices e chama de burro, na cara, qualquer um com preguiça de pensar. Ele deixa claro que o conhecimento prévio e profundo das ciências formais não o impressiona, então o leitor petulante pode enfiar seus diplomas acadêmicos na sacola e ir tocar noutra freguesia;
  2. É um excelente professor. Ele exige tudo de seus leitores, te obriga a raciocinar, meditar e fazer paralelos entre a obra e a tua própria experiência de vida. Muito provavelmente ele acompanha de perto aqueles que se mostram interessados de verdade pelo aprendizado, muito provavelmente esses alunos já viram aqueles assuntos noutras encarnações, muito provavelmente alguns destes foram seus colegas ou pupilos na magia;
  3. O que leva a este terceiro ítem: Ele escolhe e ajuda como pode os que se interessam de coração pelo aprendizado, especialmente a parte ética, mesmo os alunos de progresso lento e que precisam repetir bastante vezes um trecho, como eu. Várias suposições físicas que eu formulei, desde a época em que era cético, ele confirmou, inclusive a possibilidade de se neutralizar a gravidade a baixos custos, só não sei ainda como, questão de tempo;
  4. Tem mais a ver com Tex Avery do que só a aparência. Bardon tem um senso de humor muito sutil, que premia quem o percebe, mas chama novamente de burro quem tenta levar com formalidade, como um ponto sério e misterioso de sua sabedoria. Não que não seja um foco misterioso de sua sabedoria, mas é algo que se esclarecerá espontâneamente, quando o aluno estiver pronto, sem precisar forçar. Entendeu? Não? Então vá ler outro autor;
  5. Premia novamente o aluno atento e sincero com dicas de práticas mágicas fáceis, simples de serem aplicadas, desde o começo do livro, bastando ter interesse sincero e coragem para raciocinar por conta própria. Não importa se teus métodos não são os mesmo que os dele, esses pormenores variam mesmo de mago para mago, assim como o modo de consultar varia entre bons médicos, sem que isso torne um deles melhor ou pior;
  6. Precisa de paciência e muita, mas muita humildade mesmo! Se fores um mimado, que achas ter nas mãos a verdade de tudo o que existe, ou estacionas teu carro em cima da guia rebaixada para cadeirantes de propósito, vais se irritar muito com a grande quantidade de repetições, tanto de termos quanto de passagens completas. Ele não quer deixar espaço algum para dúvidas desnecessárias, só para as construtivas, por isso mesmo, apesar de repetir "corpo, corpo, corpo, corpo..." como um vinil furado, seu estilo é rápido, não dando tempo para o leitor perguntar ao próprio ego, das formas de aquilo poder servir para enaltecer sua figura. Por ser rápido, as repetições ajudam a fixar as partes já lidas. Ah, se meus professores tivessem sido assim...
  7. Muitos de vocês terão a nítida impressão de que já leram aquilo, a ponto de antecipar com clareza algumas das próximas passagens... e realmente já leram. Como já disse, ele acolhe com carinho e rigor os que já tiverem visto algo sobre o assunto, de forma séria, e dá os lampejos de memória de que necessitam. Como ele consegue? Oras, eu não estou falando do Mister M, estou falando de Franz Bardon!
  8. Alguns leitores, especialmente os que se colocarem como alunos, poderão ter impressões de vidas passadas. Mas não me refiro a vidas recentes, de trezentos ou quatrocentos anos atrás, falo de épocas realmente remotas, do Alto Império Romano para trás. Inclusive, especulando às minhas custas, sentir um cheiro que "não vem de lugar algum" e logo identificar como papiro fresco;
  9. Pela ajuda que ele oferece aos puros de coração... Sempre quis escrever isto em um artigo... Um filólogo com pós-doutorado, que tenha a intenção pura e simples de desvendar mais um autor esotérico, terá um sucesso pífio, enquanto quem ler a tradução mais tosca, de coração aberto, começa a a fazer operações espirituais e outros trecos legais do gênero. Não adianta saber ler alemão em todos os seus dialetos, se não souber ouvir o que ele tem a dizer;
Não é uma leitura fácil, não para quem não gosta de ler, nem para quem não tem imteresse sincero pela reunificação com a Fonte da Criação. Tampouco é um livro para ler, achar legal e guardar na gaveta, até porque depois ele te acerta, no astral. É um livro para se ler, reler, praticar o que se puder com todo o empenho que se possa ter e guardar para consultas. É um livro para a vida inteira. Posso dizer que, depois de começar a ler Magia Prática, a Bíblia e os mistérios do judaísmo ficaram mais claros de compreender. Na verdade, de cara, Bardon me mostrou a raíz mais remota do cristianismo. Onde? Ah, meu amigo, se tu não percebeste, é porque não é para ti... nem Golzinho tijolo.

Sem querer, mas já propagandeando, inevitável neste caso, eu recomendo a compra da obra. Dei minha senha de crédito, confiando que não iriam comprar um Cadillac para eu pagar, e me dei bem. Descontando a demora do que um dia já foi um dos melhores correios do mundo, com pequenos danos no envelope, prudentemente de papel espesso, o livro se paga logo nas primeiras páginas. Não é por ter sido transcrito e  traduzido por duas amigas de alma, elas sabem o quanto posso ser ácido, é porque a obra é realmente compensatória. Lógico que a tradução sempre leva traços de quem a fez, mas para o bom mago não importa se o caldeirão é aquecido por aroeira ou pau de goiabeira.

Com quantos paus se faz uma varinha?

domingo, 20 de maio de 2012

A árvore gigante


Nenhuma árvore chega aos céus, se suas raízes não chegarem ao inferno. É o mesmo com as pessoas, ninguém consegue alcançar a iluminação, e conseqüente saída da roda reencarnatória, sem saber lidar com todos os seus baixos instintos. A vida é cruél, não?

Não! Não é.

Acontece, que o que fizemos de bom ou ruim, não desaparece. Pode até ser quitado, com as bordoadas das vidas terrenas, mas permanecem em nosso histórico, simplesmente porque tudo o que nos acontece hoje, é reflexo desses acontecimentos. Claro que existe muita perversidade, que as pessoas parecem gostar de colocar seus problemas sobre ombros alheios, que existe muita trapaça, at cétera. Sim, mas daquilo que nos foi designado, tudo está relacionado às escolhas que fizemos, desta ou d'outras vezes, geralmente produzindo dívidas com outras pessoas, que foram prejudicadas por elas; isso inclui a perversidade, o colocar seu peso em ombro alheio e a trapaça.

Sabiamente, o registro de todos os pensamentos e ações estão gravados nos próprios corpos astrais do indivíduo. É como se fosse um disco rígido perfeito, com capacidade infinita, acesso imediato aos arquivos e imune a todo e qualquer ataque. Cada ação que deixamos de resolver, fica no arquivo como erro. Como até os leigos em computação sabem, um erro, um dia, acaba por travar todo o sistema e haverá a necessidade de reformatação. É aqui que mora o inferno, porque a criatura se vê obrigada a a lidar, de uma vez só, com todos os seus erros, até os mínimos, que não foram resolvidos por negligência até com os mais importantes.

E quem dera esses erros ficassem paradinhos, hibernando à espera de uma solução. O disco rígido gira e, mesmo sem querer, acaba rodando aqueles erros, que geram mais errinhos e estragam até a melhor das intenções. Essas boas intenções, contaminadas pelos erros insolutos, acabam sendo usadas para justificar qualquer atrocidade, o que a história contemporânea mostra em fartura. É por isso que o inferno está cheio delas.

Sim, existe um lugar (meta)físico que pode facilmente ser chamado de inferno, e os espíritos muito envolvidos em seu orgulho e incapazes de lidar com seus erros, não se sentem confortáveis para ir a outro lugar senão para lá. Mas não é este inferno que devemos temer, dele saímos com a simples intenção firme de sermos melhores, ou mesmo com a ajuda de benfeitores. O inferno que devemos respeitar muito, é o que nós mesmos criamos, porque deveremos mergulhar nossas raízes nele e absorver seu veneno, até que ele esteja completamente esgotado.

A árvore até consegue crescer com raízes rasas, mas torna-se frágil. Vocês sabem o quanto o vento fica mais forte à medida que se sobe. Quem viaja regularmente de avião, sabe do que estou falando. Chegará um ponto em que a base não suportará e a árvore cairá. Ela pode ser reerguida, mas sem raízes profundas, ficará perenemente dependente de escoras, impedida de crescer mais.

Mas, depois de esgotado o veneno, a árvore consegue voltar a crescer normalmente? Sim, até mais rápido, porque já terá criado raízes fortes, tão amplas quanto profundas, e a escavação feita assegurará sua estabilidade aos ventos.

Até quanto pode crescer a árvore? Infinitamente, para cima e para baixo. Sei, crescer infinitametne para o inferno é algo assustador, mas devo esclarecer que o inferno, como agente repressor e punitivo, não existirá mais. E quem chega a este estágio, compreende facilmente que precisa ajudar os outros a crescerem também, por isso não tem problema algum em manter raízes para mostrar-lhe suas origens, erros, acertos e toda a bagagem que facilitará ensinar aos espíritos mais novos.

Apesar da assistência de quem já passou pela situação, nós quase sempre aprendemos do modo mais difícil, o da tentativa e erro, e erramos muito! Mesmo com toda a ajuda possível, e necessária, nossa 'salvação' é de nossa responsabilidade, só nossa e de ninguém mais.

Nem todos notam as semelhanças entre as mitologias, bem como as "coincidências" entre elas. Aprendi que elas nada mais são do que adaptações, variando de cultura para cultura, das vidas encarnatórias de espíritos evoluídos. Longe da deturpação humana, vemos que todas as divindades tiveram suas fases de infância, rebeldia, maturidade de sabedoria, sendo esta a em que deixam o mundo em definitivo. Ou, a em que suas copas tocam o céu. É por isso que os mitos têm tamanha carga social, psicológica, política, pedagógica, enfim, é por isso que a cada dia os especialistas aprendem mais com elas. E sempre aprenderão mais, elas são o tronco que une as divindades (não confundir com O Criador) que já estão nos céus aos pobres mortais ainda rastejantes, que oscilam do inferno para o limbo terrestre, na maior parte do tempo. Notaram a ajuda imensa que temos e a maioria nem se dá conta, até rechaça por questões dogmáticasa. E os livros de mitologia são quase sempre baratinhos, já que não pagam direitos autorais... Se bem que a Grécia está precisando deles, né...

Compreendendo a necessidade de aprofundar-se em seu próprio inferno, ele começa a ficar menos assustador. Tanto menos quanto maior for a decisão de não se pagar mais juros das dívidas feitas. Sim, claro, o sofrimento que isso causa pode ser muito grande, proporcional à negligência com esta obrigação. É como ir levando a saúde com a barriga e, quando inevitável, se descobrir que o tratamento mais longo, caro e doloroso, é o único recomendado. Ou seja, não é crueldade da vida, exigir que reparemos nossos erros o quanto antes, nem que busquemos olhar de frente os vermes da podridão que deixamos acontecer, por abafar o que já estava ruim. Quanto antes o fizermos, tanto antes nos livramos deste suplício.
Há espíritos raríssimos, que conseguem passar ilesos pelo início do exercício de seu livre arbítrio, até o último suspiro de sua última existência encarnatória. Tão raros, que nem são levados em conta, quando se faz uma estatística a respeito.