sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem segura as rédeas?

Era uma vez um coche, um grande e confortável coche.

O cocheiro conduzia paciente seus passageiros, mantendo o forte animal de tração sob controle. Às vezes ao animal era deixada a decisão do que fazer. Eram situações em que o intelecto humano não conseguia discernir em tempo hábil, quando os instintos prontos são mais importantes do que o raciocínio.

Com o tempo, os passageiros notaram que tudo parecia andar mais rápido com o animal decidindo. Não se preocupavam em investigar e descobrir que o cocheiro dosava a liberdade, para que ele não colocasse suas necessidades básicas acima da segurança. Certo dia um dos passageiros, em um momento de ímpeto, cortou as rédeas que pendiam, enquanto o animal se alimentava. O coche voltou a andar, então deduziram que o cocheiro seria desnecessário, embora não pudessem dispensá-lo.

Livre e sem limites, o animal saiu da estrada para pastar, gerando solavancos e dando aos passageiros a impressão de que as coisas estavam andando mais depressa. na realidade apenas estavam passando por obstáculos que não seriam necessários, se não tivessem saído da estrada. Os que colocavam as cabeças para fora do veículo viam mais do que os que se mantinham em seu conforto, viam que o animal se esforçava para superar pedras e valetas, então retornavam aos outros e contavam o quanto a besta estava se sacrificando para levá-los ao seu destino, algo que jamais viram o cocheiro fazer.

Não notavam também que o percurso acidentado danificava aos poucos o coche, feito para oferecer conforto e segurança na estrada de onde saíram. O cocheiro gritava, para evitar que o animal destruísse o coche e pusesse tudo a perder, o que irritava cada vez mais os passageiros. Mas eles não podiam sair da cabine e acessar o comando. A escada para tanto ficava fora do seu alcance.

Todos iam se acostumando com o desconforto do novo caminho, perdendo os modos e achando tudo aquilo a cousa mais natural do mundo. Logo o interior do veículo estava tão maltratado quanto o exterior, este por desgaste e aquele por vandalismo. Com o veículo quase sem controle, a velocidade era maior, não percebiam que estavam se demorando mais na viagem.

Em um momento de repouso, à noite, o cocheiro tirou uma tira de sua própria roupa e consertou as rédeas. Já o veículo só poderia ser consertado no destino. De manhã reconduziu-o à estrada, sob brados de protestos e ameaças dos passageiros. Chegaram ao destino quase um dia depois do que eram esperados. A comparação do coche e seus passageiros com os que tinham seguido a estrada sem tantos desvios era aterradora. Estavam maltrapilhos, desgrenhados, suados e com restos de comida pelas roupas. O coche tinha seu interior totalmente rasgado, carcaça com avarias e falta de alguns componentes, rodas empenadas e o animal estava ferido, por ter se aventurado em terreno pedregoso.

Se vocês sabem o significado da palavra "vergonha", é o que aqueles passageiros rebeldes estavam sentindo. Se sentiam como mendigos em uma festa de fidalgos. Teriam que retornar ao lugar de origem para reaprenderem a se portar e tratar de suas feridas. A viagem de volta foi feita em uma carroça mais rústica, com animais mais arredios e um cocheiro mais inclemente. Eles se acusavam uns aos outros durante a viagem, alguns passaram a maldizer o lugar que acabaram de deixar. Chegando ao destino, estavam ainda piores, novamente se sentindo mendigos em festa de fidalgos, pois os residentes do local estavam prontos para irem morar na outra cidade. Os que chegaram, pelo contrário, teriam que ir para um lugar ainda mais precário, pois nem ao lugar de origem se adaptavam mais, o que os revoltava.

Com o tempo, alguns deles precisaram ser internados, protestando, mas tiveram que ser internados para a segurança dos demais. Estavam tão animalizados quanto as bestas de tração dos coches. Não admitiam que sua ousadia fora de hora tinha causado todos aqueles problemas, insistiam em culpar e punir seus companheiros de viagem.
O grupo foi desmembrado. Os que tinham mais condições, foram reencaminhados às casas que ocupavam, para aprenderem com os novos donos a se comportar. A maioria ficou em cabanas nos arredores, recebendo visitas rotineiras para se reacostumarem à civilização. Outra minoria só recebia visitas de médicos e enfermeiros, às vezes de amigos e parentes, pois tinham se tornado agressivos. Alguns, os que mais se aproveitaram dos desvios, só recebiam a visita de médicos e enfermeiros muito fortes, sua alimentação era balanceada para não permitir fortalecimento muscular e os profissionais orientados a não lhes dar ouvidos, somente os tutores travavam (difíceis) diálogos com eles.

Os mais civilizados puderam voltar rapidamente à cidade mais refinada, nos coches dos próximos grupos. A maioria restante foi aos poucos retomando as casas na vila principal e se reacostumando aos bons modos, percebendo que não precisavam se empanturrar para terem uma boa nutrição; e que a comida não correria do prato, poderiam comer com calma. Estes passaram a dar aos demais as lições que aprenderam com seus erros, alertando-os dos perigos de ceder ao afã pela emoção. Emoção e prazer devem ser conseqüências e não objectivos, repetiam quantas vezes fossem necessárias. O empenho em ensinar e ajudar acelerou sua recuperação e logo estavam prontos, alguns para irem a cidades ainda mais refinadas do que aquela de onde voltaram.

O último a se recuperar e poder voltar ao convívio, vendo o mundo completamente diferente, chorou ao rever as ruas. Sabia que sua degeneração era culpa exclusivamente sua e de ninguém mais. Fez o que fez porque quis. Mas como os outros aprendeu a controlar seus pensamentos, para que seus raciocínios não fossem utilizados para fins torpes. Aprendeu e decidiu ficar para ensinar e ajudar a evitar que o erro seja repetido.

Pensamento e raciocínio são semelhantes, mas aquele é a origem, o outro é a sua manipulação. Um animal pensa, afinal gera pulsos neurológicos, alguns produzem ferramentas e formulam escolhas. Raciocinar é uma arte bem mais fina, que depende do controle do pensamento. Todos o fazem inconscientemente, mas visualizar um triângulo vermelho sem que a mente comece a especular a respeito da forma é mais difícil, pois com a especulação o triângulo vermelho começa a mudar de configuração, de tamanho, de tom e logo deixa lugar para um raciocínio derivado, mas completamente diferente. O controle do pensamento se dá quando ele se submete à tua vontade, quando mesmo vendo e ouvindo algo a certo respeito, seu raciocínio não é afetado pela exibição, por mais tentadora que ela lhe seja.

Questão de hierarquia, do que se coloca em primeiro lugar. Pense o que quiseres, mas sem se preocupar com o que se está pensando. caso o pensamento não seja do teu agrado, descarte-o e deixe-o ir embora. Precisa de muita prática e disciplina, mas isto faz parte do aprendizado, não só na magia.
Quando começam as aulas? O que achas que estás fazendo vestido nessa carne?

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Conversa com o Mestre - 01

- Sabe, eu penso assim; se está escrito é porque tem algum valor. Então, por que duvidar? Está lá, você é vingativo, não perdoa os que te desobedecem. E não deve mesmo, pois eu não perdoaria. Imagine só, eu dou tudo, faço tudo pela pessoa e ela me trai? Não, está errado, tem que ser punido, quanto mais severamente melhor.
Outro dia eu estava lendo e vi um exemplo típico. Uma criança pequena fazendo birra pra continuar brincando na lama. Aquela criança não faz nada! Ela não produz coisa alguma, só suga dos pais e é assim que ela agradece! Por que não pode ser quietinha, ficar calminha e brincar comportadinha, do jeito que os pais querem? Se fosse filho meu, teria levado uma surra na frente de todo mundo.
Eu sei muito bem que você é um vingador implacável, justo e generoso. Quem anda na linha não tem o que temer, mas ai de quem sair dela! Vai sofrer por toda a eternidade!
Eu vejo, eles pensam que não, mas eu vejo os desvios que eles cometem! Ahá! Dentre eles, nenhum se salvará.
- Filho, quem escreveu isso?
- Você!
- Há a minha assinatura lá?
- ... Não, mas... Faz milênios que é divulgado como sua palavra e tudo mais!
- Você conhece bem outros idiomas.
- Graças à sua providência!
- Então sabe o quanto uma tradução pode por a perder todo o sentido de um texto.
- Mas está escrito que nada poderia ser acrescido ou extraído!
- Quem escreveu isto?
-...
- Se você não me conhecesse e alguém falasse a meu respeito, você acreditaria de pronto?
- Mas você é...
- Se você não soubesse.
- Eu, desculpe, investigaria.
- Não se desculpe. É exactamente o que você deveria fazer. Eu pedi muitas cousas, mas foram teus irmãos que gravaram em letras, alguns deles estavam muito aborrecidos.
- Você os orientou, não orientou?
- Sem quebrar seu livre arbítrio. Por que você acha que eu não deveria perdoar as faltas, inclusive as suas?
- Mas como pessoas imperfeitas podem entrar no céu?
- Não podem, não porque eu não deixe, mas porque elas não conseguem. Uma vida não basta. Quase ninguém consegue sequer se perdoar em uma vida, que dirá ascender à perfeição de que você fala! Acha que eu ficaria feliz em mandar um de vocês para um sofrimento interminável?
- Não, mas tem gente que pede!
- E eu deixo ir. Mas deixo voltar assim que percebe o erro que cometeu. Você não me pediu perdão tantas vezes por coisas tão pequenas? E eu não perdoei todas?
Vocês são como aquela criança, que muitas vezes precisam chorar pelo brinquedo tirado de suas mãos, pelo seu próprio bem. Mas não cabe ao adulto impor-se com violência, a desproporção de forças é muito grande. Eu não faço mais do que vocês podem suportar, por mais que vocês errem.
- Claro que não, uma faísca de teu amor pode abrasar a Terra!
- Imagine então esta faísca sobre você. Eu os educo segundo as condições de cada um. Você já cometeu erros crassos, mas também actos de nobreza, tudo de acordo com sua capacidade de entendimento. Não deves forçar o outro a atingir a tua capacidade porque ele tem seu próprio tempo, e você com o seu não deve se forçar mais do que sua própria capacidade, para alcançar outro mais adiantado. Brincar no barro não é cousa de adulto, mas é cousa de criança. Não confunda as necessidades, cada fase tem as suas e cada dia tem seus problemas. Não resolverá os seus vigiando os alheios, mas pode conseguir algo se tentar ajudar, como eu sempre faço com você.
- Sei, está escrito que você é justo.
- Tento ser, mas não porque está escrito. O faço por amor a vocês. Realmente, quem anda na linha não tem o que temer, senão o trem do fanatismo. Mas não sou eu quem pune os que andam fora, estes são punidos por suas próprias escolhas. Se você se agarrar à âncora, você vai para o fundo do mar, apesar da sensação de segurança que ela dá.
Eu não sou implacável, apenas faço o que devo e na medida em que devo fazer por vocês. Rigor quando é preciso, amenidades quando é possível. Não porque está escrito, porque o homem corrompido escreve o que quer, mas porque é o melhor para vocês. Quando eu disse para que se amassem uns aos outros como eu a vocês, eu não estava sendo metafórico.
- Mas é tão difícil! E disseram que você até jogou um anjo no inferno por sua rebeldia!
- Ele se jogou nas profundezas porque se agarrou à âncora de seu orgulho. Quem seria capaz de me ameaçar?
- Ninguém em todo o universo!
- Então o que a rebeldia dele representaria para mim?
- Nada?
- Até menos do que nada, mas piedade. Não acredite só porque está escrito ou só porque falam a respeito, nem só porque lhe parece simpático. Muitos se queixam de você, a maioria por motivos torpes. Eu sei o que você faria ou não, em sã consciência e não acredito só porque me dizem, por mais que sejam e mais tempo que repitam a calúnia.
- Mas se eu me aprofundar, como fica a minha fé?
- Fortalecida. Eu criei o mundo, cabe a você descobrir como eu o fiz. Sete dias mal dão para fazer uma porcelana, quanto mais um mundo inteiro! Eu não contrario as leis decorrentes de minha criação. Se eu fiz, vocês também podem, se descobrirem como.
- Tá me falando que é tudo como um jogo?
- É tudo como uma escola. Se aprender com jogos saudáveis te apraz, assim te ensinarei.
- Jura? O que é a supercorda?
- Duas partículas se atraindo e se repelindo alternadamente. Agora descubra como elas o fazem.
- Mas daí vou descobrir seus segredos!
- Quanto tempo você leva para descobrir o infinito? Por mais que saiba, sempre haverá mais a se saber. Sempre haverá um professor capacitado às suas necessidades.
- Então errar não é passagem para o inferno?
- A única passagem para qualquer lugar é a tua vontade firme, que te mostrará os caminhos para chegar lá, seja aonde for.
- Quanto tempo eu tenho pra aprender?
- O teu tempo.
- Jogo a bíblia fora?
- Não. Aprenda a ler com a mente, para que o coração fique livre para sentir. Não inverta os papéis.
- E... Quando começam as minhas lições?
- Esta foi a primeira.
- Passei?
- Raspando, mas passou.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Um lugar para pensar besteiras


La-rala-la-la...
Existe um lugar onde se pode pensar besteira. Um lugar onde os bichos podem ser soltos à vontade, desde que estejas fazendo o que o lugar foi feito para se fazer. É lá que os fluídos ruins, as larvas astrais, os obsessores e maus pensamentos hesitam entrar.

Errou quem pensou em uma sala especial, purificada e dedicada a uma divindade guerreira. Não é a sacristia, não é um convento franciscano e tampouco uma cabana no Himalaia. Eu falo do singelo e frugal banheiro.

Sim, caros leitores, o banheiro é um dos lugares mais potencialmente importantes, mas também um dos mais desdenhados de uma casa. Lugar aonde os garotos costumam ir para descarregar hormônios, o banheiro tem uma característica que muitos praticantes e iniciados deixam passar desapercebida, que é a facilidade de circulação de energias, com a circulação a também grande facilidade em nos limpar dessas energias.

Lembrem-se de que Paulo Coelho, no auge do desespero, antes de abandonar a vida sem regras, recorreu ao chuveiro para se livrar de ser engolido pelas sombras. Funcionou, ou ele teria desandado de vez e talvez estivesse nos umbrais mais profundos.

Como funciona? Mesmo sem torneira e ducha ligadas, o banheiro é particularmente rico em ralos, que levam aos encanamentos de esgoto da cidade, que nunca páram de receber e encaminhar água suja; mesmo suja continua sendo água, e como água ela consegue puxar energias como um ímã forte puxa limalhas de ferro. O princípio é o mesmo que a torna o líquido ideal para sessões mediúnicas: magnetismo.

Aqueles feitiços e simpatias de se pular sete ondas, forçar espíritos ruins a atravessarem sete cursos d'água ou a lenda de que um vampiro não pode atravessar um rio, têm todas o mesmo princípio. Assim como a parte material da água consegue dissolver praticamente tudo, ainda mais com a ajuda do sabão, a parte sutil também o faz. Não, caros iniciantes, não são só os humanos que têm espírito, nem mesmo só os seres vivos. Uma espiritualidade extremamente primitiva é inerente a tudo o que existe, e a da água é bastante forte. Por isso se aconselha um banho de mar para descarregar. Por isso os espíritos das trevas incentivam à poluição e degradação dos mananciais.

Quando pensamos, recapitulando o pré-chulé da magia, não é só o cérebro que se modifica, a mente também se molda e (pasmem) produz coisinhas tal qual aquele desenho de mansão de amigos imaginários cujo nome me foge agora. Mas só pensamentos bons produzem criaturas legais como os amigos imaginários da... Mansão Foster, creio que é isto. Certo. Imagine-se pensando em algo. Uma bolotinha de energia se forma e se molda aos poucos, tanto mais e mais fiél quando mais se pensar naquilo. Pode durar uns segundos, pode durar a vida inteira. Se for no quanto gostas daquela guria de tranças da tua classe, certamente sairá algo bonito. Se for na raiva que sentes por ela não te dar bola, sairá algo feio.

Isto é, a grosso modo, uma forma-pensamento. É como um microorganismo, que tem como única programação a própria existência. Não tem curiosidade, não tem sentimentos, não tem perspectivas. Ela só quer existir. Como um microorganismo, está disposta a tudo para continuar existindo, então vai vibrar na freqüência daquilo que a criou, te induzindo a pensar mais no mesmo assunto. A forma-pensamento se alimenta disso. Mas ela só pode te induzir, acatar a indução é problema teu.

Ao contrário do micróbio, coitado, que morre antes mesmo que consigamos dar-lhe um nome, a forma-pensamento vive enquanto for alimentada. Vive e evolui. Com o tempo se torna uma larva astral, que tem a capacidade de tomar a forma que quiser. É como uma meleca que se molda fácil e rapidamente a tudo o que lhe for conveniente, ou seja, ao estímulo dos pensamentos e sentimentos que a geraram. Ela pode inclusive se tornar uma obsessora, tomando a forma daquela guria (em uma versão totalmente promíscua) e te fazendo ter "sonhos" libidinosos todas as noites, não se importando com as conseqüências. Alguns crimes passionais têm esta origem. Não que o criminoso não seja culpado, ele é, ele foi invigilante e permitiu de livre arbítrio que os pensamentos ruins continuassem. Ele gostou daqueles pensamentos e os alimentou. Agora imaginem a quantidade e qualidade de formas-pensamento ruins que povoam essas raves cheias de permissividades e abusos de drogas. Se alguém sair de uma gritando que viu um vampiro, provavelmente viu mesmo. Com o tempo um desencarnado pode conseguir vestir direitinho aquela larva astral e tomar a forma que quiser para os propósitos que quiser, inclusive continuar se drogando depois de morto, sugando a aura apodrecida dos usuários. Tens nojo de barata? Então fique longe de raves.

É, moleque, agora sabes porque te mandam estudar ou procurar serviço, quando começas a fazer besteiras. Uma actividade útil que não seja somente em benefício próprio, ajuda a sanear as idéias. No mínimo atenuar. Agora vá caçar algo de útil para se distrair, vá.
Por experiência própria eu recomendo ir ao banheiro, quando estiverem prestes a explodir. Aconselho com mais ênfase se o intestino estiver cheio. Quando faço uma limpeza em alguém, costuma ir tudo para o baixo ventre, que é a parte mais propícia para lidar com essas energias densas. Literalmente defeco as energias ruins.

"Pronto, agora bosta virou espírito", vai pensar um cético azedo que não foi chamado à conversa. Vamos recapitular de novo, estudantes e praticantes. O espírito, ou seja, todo mundo, não é uma entidade amorpha e intangível. Ele é uma matéria mais sutil, ligado ao corpo por um adaptador chamado perispírito. Embora permeie facilmente a matéria densa de que somos feitos, também respeita as leis da física. Ele se molda ao organismo que utiliza, então nossa parte espiritual também tem intestino, do qual se vale para jogar fora tudo o que não lhe convém. Assim como o intestino muscular joga fora as toxinas, o espiritual também joga, pelos mesmos meios e do mesmo jeito. Acionando a descarga, forma-se um vácuo em ambas as dimensões, que puxa mais um pouco de porcaria. Limpando-se direitinho, de preferência com um banho, as formas-pensamento e larvas astrais danosas não terão mais o que as alimentava e se dissolvem na natureza. Por isto, aliás, é desaconselhável usar o pentagrama com a ponta para baixo em perímetro urbano, tu não sabes que tipo de energia está circulando sob o solo.
O ideal, mas sei que a maioria de vocês treme só de pensar, é tomar um longo banho frio. Porque a baixa temperatura não afeta só o corpo, ele afeta as ligações sutís com ele. O que não estiver bem ancorado, como a pessoa que reencarnou lá, sai mais facilmente. O banho quente, pelo contrário, além de acabar com tua pele fornece energia para os parasitas perseverarem. É por isso que a maioria das histórias antigas de assombração tem uma lareira em algum ponto da trama.
Eu também sei que tomar um banho longo, para quem mora em família, é quase utopia. Sugiro então que faça uma oração, prece, invocação ou o que lhe for mais condizente, no início e no fim do banho. É quase como tomar banho em água benta. E tenham certeza de que alguns de vocês conseguem fluidificar a água e torná-la benta, mesmo jorrando com toda força pelo chuveiro. Tentem que nada custa e em nada assusta, pelo contrário, vão estranhar é o alívio que sentirão.
Mas aqui vão algumas considerações:
  • Como todo "dispositivo", o banheiro precisa de manutenção para funcionar a contento. Mantenha o teu nas melhores condições possíveis;
  • Não sabote tua limpeza, mantenha o banheiro limpo como se fosse comer no azulejo, mas por favor não faça isto!!! Simplesmente deixe-o limpo e organizado. Coma à mesa, utilizando prato e talheres;
  • Quanto melhor a iluminação natural, melhor a ventilação, é como um turbo, que aumenta eficiência e potência do banheiro, e sem riscos de quebrar uma biela;
  • Porque ele absorve energia, desaconselho deixar a porta aberta, ou a tua energia vital também começará a ir pelo ralo, literalmente;
  • Prefira os ralos escamoteáveis, que podem ser fechados quando não utilizados, poupam-nos de agentes patogênicos nos dois planos existenciais;
  • Cerâmica escura pode ser chique, mas assim como um pretinho básico não entra na sala de cirurgia, ela também não deve entrar  no local de purificação. Cor escura acumula e estagna energia, energia estagnada atrai larvas astrais.
  • Incensos, perfumes que não te ataquem a alergia, sais de banho e música suave só fazem bem, mas também podem te fazer demorar demais e gerar uma gritaria lá fora.
Entendidos? Então, já para o banho.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Recontando uma parábola

Acabou a inocência, vocês já sabem o que fazer.
Os irmãos siameses estavam crescendo rápido. Gostavam do facto de poderem levantar pesos elevados e fazerem várias cousas ao mesmo tempo, já que eram dois pares de membros agindo juntos.
Com o tempo, porém, os interesses começaram a diferir. Ela queria colher flores, ele pular no rio; ela queria descansar à sombra da árvore, ele em cima de um galho; ela queria correr atrás de uma borboleta, ele também, mas para espetar a pobrezinha em um espinho. E na hora das necessidades? Ave Maria! Ele se divertia fazendo jatos para longe, ela queria sossego para se agaixar e se limpar. Já não eram mais crianças.
A convivência estava ficando difícil, agravada pela impossibilidade de cada um fazer o que queria. Chegou o ponto em que o pênis dele começava a erigir por qualquer motivo, e os seios dela a se tornarem grandes e protuberantes; eles perceberam isso. Foram ao zelador do jardim para tratar do assunto...
- Realmente, vocês estão crescendo mais rápido do que supúnhamos. A actual condição não lhes serve mais. Vamos separá-los. Acalmem-se, façam uma refeição leve e vão dormir. Durante a noite trabalharemos.
Durante o sono, enquanto os espíritos vagavam livres como não podiam nos corpos, a apoptose fez seu serviço. Eles foram separados. Assim que acordaram, tomaram um baita susto ao se verem distanciando um do outro. Ele teve ereção instantânea, pediu licença e correu para uma moita, voltou em seguida para conversarem sobre o assunto. Apesar do medo inicial, combinaram que continuariam a fazer basicamente as mesmas cousas de cunho coletivo, mas cuidariam de assuntos particulares sem interferência do outro. As personalidades rapidamente se opuseram, já trilhavam caminhos distintos.
Durante o almoço, com o peixe que ele pegou e os tubérculos que ela colheu, o zelador apareceu à sua frente. Sabia bem de tudo o que tinha acontecido, mas deixou que eles mesmos falassem. Pelas falas percebeu que ainda não estavam prontos, seus corpos amadureceram mais rápido do que o intelecto, mas estavam bem mais avançados do que era esperado...
- Vocês dois não são mais crianças. Está chegando o momento de assumirem a responsabilidade para a qual foram criados. O que vocês sentiram hoje cedo foi atração sexual, de que lhes alertei há uns anos e com a qual terão que lidar, quando saírem ao mundo. Doravante lhes ensinarei a lida com a manutenção do jardim, para que se acostumem com o trabalho manual e se preparem melhor para o que virá.
O trabalho ajudava a tirar a atenção do sexo, os dois logo aprenderam e se valeram disso. Os dias, que às vezes eram enfadonhos, começaram a ficar curtos, recheados pelas actividades e pelo cansaço moderado no fim da tarde. Tiravam um dia por semana para descansar, mas depois voltavam ao batente, pois crianças ocupadas são até mais felizes.
Em poucos anos o zelador viu que estavam quase prontos, então os chamava todas as noites, fora dos corpos, para que se familiarizassem com o mundo lá fora. Que mundo grotesco! Que primitivismo! Quanta selvageria! Corpos incomparávelmente mais densos e limitados do que os seus. Mas era, como eles mesmos, um mundo de espécies novas, ainda muito jovens e sem noção de si mesmas...
- Estas serão as matrizes. Vocês vão ensiná-las a agir mais com a razão e os sentimentos, menos com os instintos, para que evoluam e fiquem prontos para o início de sua jornada.
- Vai levar muito tempo!
- Sim, meu filho, muito tempo. Mas porque vocês ficaram prontos antes do esperado e os encontraram ainda em estado selvagem.
- Por que eles pegam as fêmeas à força?
- Porque não sabem pedir. Não sabem sequer articular palavras! Para ambos só a química de seus cérebros importa. Vocês terão uma missão dura, os exilados começarão a encarnar e provavelmente corromperão os primitivos. Sua função, pelos próximos vinte e cinco mil anos, será balancear as emoções extremistas que eles alimentarão, por se sentirem seguros nelas.
Todas as noites, durante mais de um milênio, os dois estudaram e trabalharam com afinco, estudo e trabalho para forjar sua formação e seu caráter. Em contraste, tinham uma espécie indolente e espertalhona para colocar nos trilhos.
Certa feita, cheios de confiança, os dois foram a uma árvore à qual foram proibidos de se dirigir até terem a devida permissão. Sem saber de onde, a confiança os preenchia e ambos se aproximaram. Estranharam a ausência do zelador, mas a árvore precisava ser limpa, como todas as outras, então foram limpá-la. Adão puxou a última folha seca do galho e com ela veio uma fruta. Ofereceu-a à Eva, que agradeceu, mas disse que ele estava mais cansado e precisava repor suas energias. Combinaram de dividir a fruta, comeram cada um sua metade e ouviram um estrondo, após o quê o zelador desceu da árvore, em seu corpo apode...
- Vocês estão prontos, é hora de irem embora.
Choro, claro, afinal sempre viveram naquele lugar e a serpente os avisou com uma racionalidade dura, quase cruél. Entretanto, findados os protestos, um grupo de anjos veio explicar a verdadeira natureza de seu professor, que aprendeu a ser duro e suave de acordo com a necessidade, como eles deveriam ser com seus tutelados de então em diante. A serpente, explicaram, estava tão triste com a partida quanto eles, mas sabia que era o melhor e que eles seriam mais felizes após a missão cumprida, após a qual poderiam voltar ao seu lar. Apenas dez anos de despedida e últimas orientações, então desceram ao mundo. Sabiam que tudo o que fizessem seria deturpado, mas precisava ser feito. A serpente disse adeus e voltou ao jardim, sem demonstrar s tristeza pela separação, mas sabia que eles nunca ficariam sozinhos na empreitada.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Por ódio ao papa

Ambos querem proibir isto
Caros leitores, é com tristeza que confirmo mais uma previsão pessimista. Eu detesto estar certo.
Foi-se a época em que os ateus simplesmente se defendiam dos fanáticos teístas e evitavam confrontos desnecessários, facto que então suscitava minha admiração por sua conduta.

Recentemente um amigo ateu demonstrou uma carga de ódio muito intensa, se alinhando aos que acham que a humanidade é uma espécie inviável. Publicou em seu blog um vídeo de quase duas horas que pretendia converter os teístas ao ateísmo. Como? Com lavagem cerebral, à moda das igrejas fanáticas.
O vídeo começa como absolutamente todos desse naipe, que já me cansei de assistir. Mostra desgraças, tragédias, sofrimentos, guerras e atribui tudo ao seu inimigo, no caso a religião e o Estado. Depois há uma pausa com imagens ou luzes ao mesmo tempo calmantes e estimulantes, para depois vir a avalanche de retóricas e demonstrações de conhecimento razo.
Funciona, acreditem, com quem está propenso e só precisa de um empurrão. Pessoas que estão desiludidas, que não encontram respostas nas instituições e são cobradas por guias incompetentes e/ou corruptos.
Não funciona com gente centrada. Não funciona com quem encontrou seu caminho por seus meios e arbítrio. Não funciona com quem segue firme apesar de tudo. Mas com gente debilitada funciona que é uma beleza, o sujeito termina a sessão de lavagem pronto para seguir os dogmas de quem o submeteu.
Algumas das mensagens que vi em uma ilustração: "Fé não dá respostas, impede questionamentos" mostrando um encarcerado com a bíblia nas mãos; "Deus existe, então pode tudo", mostrando o episódio das Torres Gêmeas. Sim, caros leitores, os ateus radicais estão nos acusando de irracionalidade e arbitrariedade, se esquecendo que em regimes ateus não impera a liberdade nem o respeito à vida.
Estou falando dos radicais. Sejam ateus ou teístas, eles são farinha do mesmo saco, mudam apenas de embalagem ao varejo, enganam e lucram às custas de gente bem intencionada que quer ver algo mudando para a melhor, no mundo. Eu não comentei a postagem em questão, prefiro manter o bom amigo que ele é.
Sem querer, esse amigo me dirigiu ofensas. Sem querer, pois ele sabe que não sou um monstrengo malvado, sou um monstrengo que tenta ser bom na medida de suas parcas forças.

Um dos estopins foi a proliferação rápida e bombástica de pastores picaretas e suas igrejas caça-níqueis, com idéias misóginas e homophobicas que o próprio Cristo condenou quando andava sobre a Terra.
É o que já disse noutras oportunidades, um radicalismo não vive sozinho, ele precisa criar outro para ter audiência, alimentar o medo dos seguidores e ter respaudo para endurecer sua lida.
Assim como os picaretas, os radicais ateus só admitem um Deus como criatura repleta de defeitos humanos, passional e surgida do nada, portanto impossível de existir. E sendo impossível de existir, um grupo se abstém de colocar sua fé á prova e não raciocina a respeito, o outro simplesmente se vale de factos históricos para afirmar que não existe. Piora haver mongos que afirmam categoricamente que a humanidade conviveu com os dinossauros... Alegam que seis mil anos é tempo suficiente para tudo acontecer... Seis milênios não contam nem a civilização chinesa, que é ricamente documentada com grande precisão. Claro que os espíritos das trevas rolam de rir e estimulam a palhaçada. Eles não admitem o facto de que a maioria das pessoas não veja como eles vêem, não pense como eles pensam e não aja como eles agiriam, se pudessem. Ambos se consideram os guardiões da verdade absoluta e inquestionável.

Tudo isso, meus caros, é por ódio ao papa. Em todas as conversas com ateus e teístas radicais, eu percebi o mesmíssimo ponto, ambos odeiam o papa. Só que o primeiro grupo o confunde com Deus, portando odeia-O. Não é à toa, já que o pontificado foi proclamado como representante terreno do Criador, contrariando tudo o que Pedro Simão dizia e fazia. Lembremos que ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por não se considerar digno de morrer como seu Mestre. O papado subverteu e corrompeu tudo isso. Por a Igreja (ao menos uma justiça se fez) adorar Mãe Maria, que está praticamente no mesmo nível evolutivo que Jesus (olha a chance que nós desperdiçamos, dois anjos à nossa disposição e patinamos feio), os picaretas detratam e reduzem as mulheres a uma propriedade da família, só não o fazendo oficialmente porque cadeia no Brasil é uma antessala do inferno. Um grupo afirma que todas as outras religiões estão erradas, o outro que o facto de haverem tantas, invalida todas... Como se existisse consenso entre laboratórios e pesquisadores.

Dentre os que me conhecem, digam quando eu parei de questionar? Minha mente é uma metralhadora louca, que atira para todos os lados e consegue acertar a maioria, meu raciocínio não pára em momento algum. Posso parar de pensar, para descansar, de raciocinar não. E sei que vocês também pensam por conta própria e impõe limites à sua liberdade, para não ferir a dos outros.

Estejam prontos, amigos, pois logo vocês também serão ofendidos sem que o autor perceba, por ser do seu meio e não ter modulado devidamente as palavras em seu momento de ira. Daí a uns dias ele volta mais rubro do que sinal fechado para se retratar, e vocês precisarão estar prontos para acolher, mas também deixar claro os limites a serem respeitados. Não se trata de serem santos, apenas de serem os humanos que gostariam que povoassem o mundo, na medida do teu possível. Não tentem demovê-los e não aceitem que o façam consigo, imponham os limites que as cobras impõe; sutil, mas inequivocamente claro.
Ignorem o que lerem contra os teístas, se não ferir a lei. Voltem à página inicial e procurem outro site, outro blog, o que for. Vocês não são obrigados a ler e ouvir o que não precisam. Se forem formalmente afrontados, dêem o cartão do advogado e diga que amanhã ele ligará. Não adianta retrucar, eles vão retorizar e insistir até o universo se ajoelhar e admitir que a eles pertence A Verdade. Afastem-se, que revidar é oxigenar seus delírios, sejam materialistas ou supersticiosos. Se bem que o modelo de deus dos ateus também é uma superstição grotesca.

Meu temor é que em certo momento os dois grupos passem a agir como gangues, querendo eliminar o outro lado e se lixando para quem estiver no meio do fogo cruzado. Do ódio para a agressão física é só um empurrão. Um enxergará no outro o papa que odeia.

Só para constar, Einstein é teísta desde que reencarnou como Einstein. Porque ele está vivo, nós sabemos que a morte só vale para o corpo material... E ele deve ter saltitado ao se livrar daquela capinha miúda, que não comportava nem seus suspiros, quanto mais sua genialidade.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Regressão para quê?

 
Aonde pensas que vais?
  Vamos logo de início avisando, regressão não é brincadeira. Não é como uma sessão de cinema para um filme de terror, o qual acaba em menos de duas horas e te deixa ir para casa sem nenhuma seqüela, no máximo uns sustos na primeira semana seguinte.
Não há índices oficiais, por não haver um só estudo oficial a respeito, mas é sabido que a pessoa que faz regressão, se transforma em outra, muitas vezes comprometendo completamente os vínculos sociais que já tinha.
Via de regra, o cidadão chega ao "profissional" querendo saber que rei ou herói foi "na vida passada". Qual vida passada? Nenhum de nós tem menos de cem, só neste planeta. Existem muitas falanges das sombras dispostas a arruinar a vida de uma pessoa, alimentando a vaidade de querer ter sido algo mais do que é hoje. Pessoas despreparadas e médiuns corrompidos são portais abertos para esses seres. Eles sabem o que pensamos, fica fácil verem nossos desejos e inventarem uma estória qualquer, podem até te convencer de que és a reencarnação de Jesus.
Quero que vocês vão ao espelho, com cara de desprezo, e se perguntem que vantagem há em ter sido um figurão em alguma vida passada. Mas se olhem como se fosse um inimigo no espelho, não um reflexo, porque é um inimigo que quem embarca nisto se torna de si mesmo. Vão e perguntem que vantagem, hoje, se teria em ter sido a rainha da Inglaterra. E se realmente for verdade, vais fazer o quê? Vais reivindicar o título de princesa? Com que provas?
Qualquer um que tenha estudado história direito, sabe que raríssimos reis fizeram o que prestasse em seus reinados. Via de regra, ter sido figurão em outra encarnação é motivo mais de vergonha do que de orgulho. Muitos dos que realmente foram, se tornaram inimigos da realeza. Além do quê, por sua própria natureza, a realeza foi e ainda é para poucos, há muitas vezes mais gente querendo ter sido do que gente que realmente foi.
Outro risco é uma mãe zelosa descobrir, da pior forma, que assassinou seus filhos e marido. Quem não é mãe não sabe o trauma que isto causaria, então reitero que regressão não é passatempo, pode te induzir ao suicídio.
Certa feita, uma mulher chegou para Chico Xavier, toda pimpona e orgulhosa, e se pôs a contar potocas, chegando a dizer que foi uma rainha romana atirada aos leões, por simpatizar com o cristianismo. Para os amigos desencarnados ele sussurrou "E eu fui a pulga que chupou o sangue do leão". Mais uma vez pergunto: Qual a vantagem em ter virado ração para gatos? E qual colégio deu o diploma para esta mulher? Em história e interpretação de textos, deveria ter ficado perpetuamente no segundo grau. Com certeza os espíritos do local, com o tempo, conseguiram colocar algum juízo naquela cabeça delirante, mas a maioria não tem esta sorte.
Assim como a regressão ao útero, a de vidas passadas deve ser feita como uma prescrição médica, para curar. Deve ser executada para ajudar a pessoa a se livrar de travas e traumas que os profissionais de outras áreas não conseguiram atenuar a contento. O princípio é o de se conhecer a fonte e as circunstâncias para definir como extirpar o mal. Para isto não existe melhor do que a regressão de vidas passadas.
Com um bom condutor (e a não pretensão de ter sido Moisés) o cidadão consegue tranqüilamente encontrar as causas de suas aflições, quase sempre resultado de seus próprios erros. Consegue perceber o que o prende àquela situação cíclica, àquelas armadilhas em que sempre cai, como uma mulher que sempre se envolve com cafagestes e não consegue se interessar por quem a valoriza, ainda que seja esclarecida e bem formada.
Se for esta a tua intenção, se quiseres resolver realmente um problema de modo definitivo, sem correr o risco de reincidir ou mesmo trazer de volta parte de uma personalidade que deve ficar no passado, então a regressão é o teu caminho. De quebra trazes lembranças vivas de uma época que os historiadores só podem ter por documentos, que sabe-se lá que tipo de gente e com que intenções redigiu.
Há pessoas que os guias consideram devidamente preparadas e recebem, durante o sono, breves lembranças de uma época que pode ser de utilidade para o momento. Eu tive e de vez em quando tenho algumas. Porque as lembranças me foram muito úteis, eu recebi outros trechos. Não, não fui nenhum figurão na época em questão, graças à Deus! Mas para se ter este acesso natural ao próprio arquivo, é preciso amadurecer um pouco, não na idade, que para tanto pasta não morrer, mas como pessoa. É preciso querer se melhorar sempre, se esforçar sempre, fazer por merecer sempre. Lembrar sempre que ninguém está neste mundo a passeio, somos todos operários, do faxineiro que tira o pó até o presidente dos Estados Unidos, ningúém está aqui de férias. Isto não é uma colônia de férias, nunca foi, por isto mesmo uma lembrança longinqua pode trazer traumas muito maiores do que os já instalados.
Não se brinca com a vida actual, com as passadas menos ainda.

domingo, 14 de novembro de 2010

Lenda dos Índios Cherokees...

Confiança faz parte do crescimento, meu filho.
O pai leva o filho para a floresta durante o final da tarde, venda-lhe os olhos e deixa-o sozinho.



O filho se senta sozinho no topo de uma montanha toda a noite e não pode remover a venda até os raios do sol brilharem no dia seguinte.
Ele não pode gritar por socorro para ninguém.
Se ele passar a noite toda lá, será considerado um homem.
Ele não pode contar a experiência aos outros meninos porque cada um deve tornar-se homem do seu próprio modo, enfrentando o medo do desconhecido.
O menino está naturalmente amedrontado.
Ele pode ouvir toda espécie de barulho.
Os animais selvagens podem, naturalmente, estar ao redor dele.
Talvez alguns humanos possam feri-lo.
Os insetos e cobras podem vir picá-lo.
Ele pode estar com frio, fome e sede.
O vento sopra a grama e a terra sacode os tocos, mas ele se senta estoicamente, nunca removendo a venda.
Segundo os Cherokees, este é o único modo dele se tornar um homem.


Finalmente...


Após a noite horrível, o sol aparece e a venda é removida.
Ele então descobre seu pai sentado na montanha perto dele.
Ele estava a noite inteira protegendo seu filho do perigo.
Nós também nunca estamos sozinhos!
Mesmo quando não percebemos Deus está olhando para nós, 'sentado ao nosso lado.
Quando os problemas vêm, tudo que temos a fazer é confiar que ELE está nos protegendo.
Moral da história:


Apenas porque você não vê Deus, não significa que Ele nao esteja conosco.
Nós precisamos caminhar pela nossa fé, não com a nossa visão material.
 
Lição de psicopedagogia de matar a nossa de inveja, mandada pelo Fio, por e-mail.
Para quem sabe ler, um ponto é letra.