sábado, 15 de agosto de 2009

Hebreus assando


Vocês já devem ter se perguntando porque Deus mandou os hebreus caminharem por quarenta anos no deserto, em vez de manda-los miraculosamente para um lugar decente. Se nunca se perguntaram, então são bruxos muito mixurucas. Mas levantei a questão e agora a dúvida foi suscitada.

Para quem chegou agora ao clube, existe algo chamado forma-pensamento. Trata-se, por assim dizer, de uma emanação que uma pessoa gera quando pensa. Pensamentos não são abstratos, eles produzem efeitos profundos no cérebro e outros ainda maiores no plano astral. Quando alguém pensa na Ana Paula Arósio, uma entidade pelo menos assemelhada se forma em algum lugar, ligando o pensador à moça. Quase sempre a forma-pensamento é efêmera, pois quase todos os pensamentos são logo esquecidos. sem pensamentos para alimentá-la, a forma-pensamento se dissolve, se não for engolida por um ibis.

Mas quando alguém pensa insistentemente na Ana Paula Arósio, se sonha com ela, projeta mil fantasias com ela durante muito tempo, então temos uma forma-pensamento que pode evoluir para uma larva astral. A larva astral tem a capacidade de buscar alimento, com isso pode obsediar o fã incauto e fazê-lo a pensar mais e mais na actriz, o que, convenhamos, não requer esforço algum. Sim, é por isto que certas pessoas não conseguem parar de pensar em algo ou alguém, também é por isto que vocês devem ter muito cuidado com seus pensamentos. Vocês devem controlá-los, vocês os criaram, vocês são os mestres, não troquem os papéis. O problema é que a maioria das pessoas não tem noção disso, e foi por isto que Moisés mandou todo mundo catar seus badulaques e ir passear no microondas de areia. Ele não estava sacaneando com os hebreus, ele os estava curando.

Esse povo magnífico, mas com um passado pra lá de beligerante, nutria sentimentos de rancor e vingança contra os egípcios. Lembremos do que eles mesmos escreveram no Velho Testamento, somos todos filhos do mesmo Pai/Mãe. Todos, inclusive o teu vizinho que torce para o Boca Júniors. Imagine a quantidade e força de formas-pensamentos e larvas astrais nutridas durante gerações inteiras por um povo inteiro. Decididamente, eles não poderiam ficar simplesmente livres no Egito, logo causariam problemas e poriam tudo a perder. Todo mundo para o deserto, onde o sol escaldante do dia, o frio kelviniano da noite, a fome, os esforços para vencer as areias e as perdas os fizeram pensar mais na própria sobrevivência e menos em esganar o faraó. Deu certo. Tanto que eles começaram a se revoltar contra Moisés, lembrando do tempo em que tinham pão e carne em abundância, o que era mentira, pois a comida racionada era um dos motivos do descontentamento no cativeiro. A radiação ultravioleta e a luz intensa deram cabo das formas-pensamento e das larvas astrais, que até tentaram, mas não conseguiram levar os hebreus de volta para o conforto do cárcere.

Vocês sabem (sabem, não sabem?) que um sonho dos hebreus sempre foi o Estado de Israel. Precisaram de milênios para conseguí-lo, mas conseguiram. Afinal era o desejo de uma nação, não de um indivíduo. Agora, se estão fazendo besteira, é outra história e eles terão que pagar por ela.

Pois, meus caros leitores, vocês podem fazer exactamente o mesmo, quando um pensamento maroto estiver lhes azucrinando as idéias, não lhes deixando tratar direito de seus assuntos. Com o sol a pino, passem um bloqueador na pele, uma roupa confortável (não curta, senão é queimadura na certa) um chapéu e vão caminhar sob o sol. Caminhem e deixem que esses pensamentos desobedientes torrem até serem reciclados. Na volta, esperem à sombra o corpo esfriar e tomem uma ducha fria. Vocês verão como faz efeito.

Não, não precisa caminhar por quarenta anos. Uma hora ou duas e o cabeção estará novo de novo. De preferência, caminhem por lugares aonde pouco vão, ajuda a ter pensamentos novos, apressando o enfraquecimento dos obsessores.

No caso de bruxos já com alguma experiência, e comprometidos a não fazer cocô com a magia, a fixação em um tema é até benéfico. Uma vez que o pensamento esteja son controle e as intenções sejam dignas da ajuda do alto, a forma pensamento gerada por alguns minutos de meditação por dia será útil, ajudará a te encaminhar para aquilo que precisas. Não necessáriamente o que desejas, que quase sempre é bobagem ligada ao ego. Ponham suas fichas no caminho do meio e apostem sem medo, as formas-pensamento te levarão para onde lhe for melhor, o que popde até coincidir com teus desejos, talvez até a Ana paula Arósio.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Semente de Mostarda

O que torna a semente de mostarda um exemplo tão notável para uma parábola?
Minúscula, a sementinha tem praticamente nenhum material à sua disposição, é frágil, fácil de ser danificada e esterilizada por incidentes e intempéries. Mas mesmo com esta aparente e imensa desvantagem, ela usa os recursos de que dispõe (ou seja, a terra e a água) para fazer o que precisa: Se transformar em árvore. Ela não questiona o que tem a fazer e não mede o tamanho da tarefa, ela literalmente transforma uma montanha em fonte de alimentação e sombra. O trabalho é lento, penoso, mas ela faz assim mesmo.

É assim que um milagre é operado. Não por pó de pirlim-pim-pim, mas pela conta dos recursos de que o próprio indivíduo dispõe.

É assim que a fé do tamanho de uma semente de mostarda, com seus miligramas, move uma montanha com suas mega toneladas. Não por agressão, não por imposição, mas a transformando por meios que qualquer um pode testemunhar. Basta ter paciência e atenção suficientes, nem precisa ver a transformação inteira para saber que ela será possível, logo nas primeiras safras de mostarda as alterações do relevo ao redor dirão o que acontecerá cedo ou tarde, mas de modo irrevogável. O trabalho é sutil e delicado, como se fosse uma bailarina.

Dizer que aqueles miligramas podem mover milhões de toneladas, mostra também a hierarquia do espírito diante da matéria. É como um general competente e bem assessorado comandando milhões de soldados capazes, mas obtusos. E é esta a posição do bem diante do mal. Se o bem se mover, o mal se afastará e até mesmo se converterá, porque não terá escolha. Um bom exemplo é a energia nuclear. Qualquer um que não tenha dormido nas aulas de física do antigo segundo grau sabe o que um quilo de matéria pode fazer, quando se transforma em energia. E afirmo que a energia obtida ainda assim é insignificante diante do espírito. Imaginem o que um quilo de espírito pode fazer.

Mas para que teu espírito trabalhe e se transforme de tal maneira, é necessário que lhe dê terra fértil, não precisa ser muito fértil, e que cuide de seu crescimento como um bom lavrador cuida de seu pomar.

A sutileza é que as sementes a que me refiro têm livre arbítrio, nem sempre germinam e crescem a contento, também nem sempre produzem como poderiam. felizmente o Bom Lavrador e o Bom Pastor são a mesma pessoa. Ele jamais desiste. Ele nos dará todas as condições para que cresçamos e frutifiquemos, e um dia teremos de volta a grória perdida de Capela. É um caminho sem volta.

sábado, 6 de junho de 2009

O Poder do Mito*

* alusão ao livro homônimo de Joseph Campbell

Terapia algumas vezes pode ser algo desagradável. Você se depara com partes da sua personalidade que nem sabia existirem. Se depara com seu próprio Ego. Com quem você realmente é.

Meu terapeuta, graças à Deus, além de estudante de temas espiritualistas, é um seguidor apaixonado de Carl Gustav Jung, que é, para mim, o maior expoente de todos na História da Psicologia.

Um dos pontos mais importantes na teoria de Jung é a comparação com os mitos, com as estórias (hoje consideradas mera ficção) antigas, que em seu lado mais profundo, nos revelam à nós mesmos.

Como dizia a inscrição na entrada do Oráculo de Delfos, "conhece-te a ti mesmo".

Esse é o poder do mito. Mostrar a você quem você realmente é, e o que realmente faz.

Semanas atrás, meu terapeuta indicou que eu estudasse o mito da Caixa de Pandora.

E como foi assustador entender que minha ex-esposa era a minha Pandora, eu era Epimeteu, que sem pensar, a desposei. E ela abriu a caixa da minha vida, e permitiu que de lá saissem tantas coisas, tantas mágoas, tanta dor, tanta tribulação. E ela prendeu na caixa, que carregou consigo, toda a minha esperança. Mas a esperança seria sofrimento? Segundo Nietzsche, sim.

Ou quando ele me pediu pra estudar o mito de Narciso. Seria eu um narcisista? E qual foi a dor de entender que sim... Que eu procuro um herói fora de mim, uma auto-imagem externa. Me prendo à algo que deveria estar dentro de mim, e SABIDAMENTE dentro de mim, mas procuro isso fora. E contemplo essa imagem de fora, e me perco esquecendo de viver o presente, o que me cerca.

E agora, ele me pede pra estudar o mito de Sansão e Dalila. Entendendo que eu sou Sansão, me entregando ao orgulho dos meus "cabelos", e pondo neles a crença da minha força. E Dalila, o medo que sinto. Me tira o orgulho, me tira os "cabelos", e me mostra o quanto sou fraco. Mas tenho que me humilhar perante Deus, e tirar d'Ele a força pra continuar, e romper os pilares do templo dos meus inimigos.

Mas o meu inimigo maior sou eu mesmo.

E nesse confronto, quem tem força suficiente pra suportar, ou vencer?

Enquanto não sei a resposta, aguardo o próximo mito para estudar. E me entender. E quem sabe, um dia, com as bençãos do Pai, me vencer...



Ou tentar um empate...

quinta-feira, 4 de junho de 2009

É difícil conversar com pessoas com as quais jamais encontrei, cujos rostos jamais vi se mexendo e cujas vozes jamais ouvi.
Há uns anos eu não me importava com isto, mas no último lustro minha vida virou pelo avesso, ou talvez tenha virado para o lado certo, pois escapei de me tornar ateu; isto sem ter que encher bolsos de um espertalhão, foi por conta própria.
Hora me xingando, hora me agradecendo, as pessoas começaram a desabafar comigo (logo comigo!) e contar detalhes de suas vidas.
Pode parecer banal, na maioria das vezes é, mas nestes melindres que é a vida eu já peguei gente desesperada. Uma tentou suicídio, outro conseguiu. A que tentou só agora, ano e meio depois, começa a se recuperar e reavivar sua chama. Ela e tantas outras pessoas passaram pela minha caixa de mensagens, ás vezes mudando de e-mail e usando pseudônimos, algumas sem a mínima noção desapareceram rapidamente.
Houve gente precisando do meu ombro, justo quando eu mesmo mais precisava de um. Eu, que cheguei a me preparar espiritualmente para a clausura, precisei atender a até sete cartas electrônicas por dia. Não simples cartinhas de "Oi, blz", mas mensagens densas, do tipo que se deve ler duas, três, quantas vezes forem necessárias para saber o que dizer à pessoa.
Ainda hoje sou um homem recluso e prezo a discrição, tenho quase que phobia pela notoriedade. Mas hoje sou blogueiro e há pessoas que pedem para eu falar de alguns assuntos.
É um dharma que conquisto, é certo, mas também é certo de que se trata de um trabalho tremendamente perigoso. Como transportar um coração de cristal fino para transplante; preciso ser ágil para chegar a tempo, mas cuidadoso o bastante para evitar a mínima trinca, ou o paciente padece.
Para vocês que já riram de alguns dos meus textos, digo algo que Hollywood descobriu há décadas: O palhaço é um homem triste, é o sujeito mais taciturno e retraído do mundo. É fácil para ele fazer rir, arrancar um riso dele são outros quinhentos. O pior é que nem sempre ele está disposto a fazer graça, como o cirurgião nem sempre está no melhor de sua coordenação. Mas quando a emergência se apresenta não há jeito, ele tem que pintar o rosto, subir ao palco e cordializar suas entranhas para fazer rir. Ainda que lhe custe uma lágrima. Muitas vezes custa.
Não reclamo, longe disso. Este nem deveria ser um texto tão denso, deveria ser apenas um tapa buraco para evitar um hiato muito grande até o próximo colega publicar. Mas foi o que saiu.
Hoje me escrevem bem menos, acredito que já cumpri com minha missão para com a maioria, da mesma forma alguns permanecem e outros chegam. É duro ter a vida alheia aos seus olhos, quando a tua mesma está complicada, mas não sei se eu compreenderia bem a dor do outro se estivesse escrevendo de um Apple com inernet sem fio de banda larga, em um chalé em Campos do Jordão. Talvez agora eu pudesse me dar este suporte, se a grana sobrasse para tanto, mas não sei se há cinco anos seria assim.
Não reclamo. Podem vir quantos precisarem, não estou no mundo a passeio e não será agora que vou enforcar o serviço.


P.S: Texto originalmente publicado no Talicoisa, trazido para cá a pedido do Filho de Oxóssi.

domingo, 24 de maio de 2009

De volta aos vivos...

Uma idéia não morre, e é à prova de balas, como teria dito V, de V de Vingança, obra de Alan Moore, que além de grande roteirista, é também bruxo.




Quando a idéia deste blog nasceu, veio com força, com amor, e com muita luz. Mas assim como os pais de uma criança, às vezes é necessário um tempo para reflexão, e compreensão do que tudo isso transmite, ou que traz de novo à vida corrente.

Exatamente como acontece conosco, ao voltarmos às encarnações. Enquanto estivermos presos à Samsara.


Samsara

Encarnação não é castigo. É possibilidade nova de aprender, de fazer, de crescer. É chance abençoada de nos ligarmos novamente à Deus (à religião, não uma específica, pois todas são de Deus, mas ao religare em si, à possibilidade de encontrar conexão com o Divino).

Deus e seus prepostos, que chamamos de anjos, ou os Nyrmanikayas, que são aqueles que já abandonaram a roda das encarnações, mas se mantem encarnando para ajudar a coletividade humana a crescer, todos eles se esforçam para que alcancemos o mesmo que eles.

Deus não é exatamente inatingível. É possível encontrá-lo, sim, desde que haja força de vontade para tanto.

Não, não é necessário encarnações e mais encarnações em diversas paragens do plano físico, através do Universo. Isso se trata do crescimento que TODOS teremos para um dia trabalharmos como prepostos do Altíssimo mesmo.

Encontrar Deus é uma tarefa tão simples como qualquer atividade rotineira.

Basta apenas contemplar a Criação. Você pode encontrar Deus no rosto de alguém querido, no céu azul e no Sol que te ilumina a face, ou até no luar que não te permite se perder à noite.

Você pode encontrar Deus no sorriso de uma criança, nas folhas de uma árvore, nas pétalas de uma flor, num pequeno cão que passe por você.

Deus se mostra pela sua própria Criação.

E o maior de todos os exemplos, é aquele que você enxerga diariamente na frente do espelho.

O Eterno te deu uma oportunidade de viver, de fazer, de crescer, de ser um bom filho, e de ser um bom servo nas sendas de trabalho d'Ele.

E a senda de trabalho do Altíssimo se revela sendo apenas amar ao próximo, e auxiliá-lo.

Bruxaria, Ocultismo, Magia, Ciências Ocultas, Fé, etc... Essa é a proposta do Demônios Internos.

Explicar aos que buscam as ferramentas que o Pai Eterno nos deu para seguirmos os nossos caminhos, sendo cada vez melhores servos de seu Amor.

E que Deus nos abençoe com sua Sabedoria, Amor e Misericórdia Infinitos.

Que Jesus Cristo nos ilumine os caminhos, sempre.

Que a Mãe Maria nos cubra sempre com seu manto, e nos alente o coração nos momentos difíceis.

Que os Prepostos de Deus nos deem força para prosseguir.

E que aqueles designados por Ele para serem os nossos Anjos da Guarda (aka Mentores Espirituais) nos protejam sempre. E nos inspirem as melhores idéias, e as melhores atitudes para nós e para todos.

Amém.

sábado, 16 de maio de 2009

Para discernir

O bom pastor leva suas ovelhas pelos campos, para que pastem e se fortaleçam com as dificuldades do terreno. Afasta lobos e cuida para que o rebanho esteja seguro à noite.

Algumas ovelhas se atrevem a enfrentar os lobos, algumas ovelhas se desgarram do rebanho. O bom pastor se esforça em trazer as ovelhas de volta, mas chega o momento em que uma se afasta demais e (aparentemente) se perde.

A ovelha perdida é encontrada por outro bom pastor, mas mais severo que o de origem. Nos primeiros tempos a ovelha desgarrada se rebela contra as novas condições. Em breve percebe que só machuca a si mesma com essa rebeldia.

Passa-se o tempo e a ovelha encontrada se enturma com as outras, passando-lhe o que o seu pastor original lhe ensinou, que ervas evitar, como caminhar com mais desenvoltura, acelerando a evolução daquelas mais jovens e amolecendo os modos do bom pastor, então menos rude.

Um dia o bom pastor original conversa com o actual e resgata sua ovelha. Ela já aprendeu sua lição, bem como ensinou as antes aprendidas, já valoriza a segurança e a companhia do rebanho, já sabe que não será livre na boca de um lobo, nem no fundo de um despenhadeiro, ainda que a queda dê uma efêmera sensação de liberdade.

A ovelha resgatada é recebida com festa por suas irmãs, ainda sem compreender o que estas aprenderam na sua ausência. Elas viram outros pastores, viram ovelhas indo e vindo, sabem que os bons pastores se conhecem e reconhecem, se comunicam, por isso mesmo uma ovelha jamais fica sem cuidados, não importa quanto tempo leve para aprender sua lição.

Como bom pastor, ele nunca abate suas ovelhas, apenas tira sua lã, de tempos em tempos, para o bem delas mesmas, pois sabe que lã em excesso também atrapalha.

Muitas ovelhas já voltaram ao paraíso que perdemos, mas isso foi há muitos milênios. Nós já não temos mais como nos adaptar àquele mundo que, se na época já era avançado demais para nós, hoje talvez nos seja inabitável.

Animais e elementais que haviam neste mundo, quando chegamos, precisam das lições e exemplos que a maioria de nós se recusa a oferecer. Já não podemos mais voltar à Capela, mas podemos fazer aqui mesmo um paraíso como o que perdemos, por nossa única e exclusiva responsabilidade.

Portais que tinham sido fechados na idade média estão se abrindo de novo, manifestações mediúnicas e aparições das quais falam (infantilizadamente) os contos de fadas voltam a acontecer aos poucos. Sinal de que algumas lições básicas um contingente suficiente de nós já aprendeu.

Não tenha medo nem vergonha de aceitar que acredita e pratica. Ninguém vai convencer um cego de que existem cores, se ele não crê, não podemos fingir que não cremos. Na próxima encarnação ele volta a enxergar e vai rir da história do ceguinho que refutava a idéia de cores.

Após as tragédias globais que ainda estão por vir, das quais só vimos o começo, teremos uma era glacial para uma humanidade já preparada. Nós, magos, bruxos e ocultistas brancos temos um papel basilar nesse processo, somos as ovelhas desgarradas que mais aprenderam no caminho. Nós temos conhecimento dos portais, muitos de nós têm acesso relativamente fácil a eles, é nosso dever desfazer a má impressão que deixamos nos habitantes das outras dimensões (ou reinos) e reestabelecer a cooperação desfeita com o fim de Atlântida.

Trabalhemos, pois o Bom Pastor não deixará nenhuma ovelha de fora. Não há pecado em desfrutar do mundo, se já fazemos nossa parte os campos verdejantes estão à nossa disposição. Voltemos para o ponto onde paramos e recomecemos a evoluir, como boas ovelhas.

sábado, 14 de março de 2009

Lucifer

Durante a fase de crescimento, nós podemos usar tanto roupas um pouco maiores, quanto roupas um pouco menores. Com o tempo, porém, as menores ficam desconfortáveis e chegam a rasgar se as vestirmos, então não tem mais volta. Precisamos usar as roupas que nos servem.
Com o espírito é a mesmíssima cousa. Com a evolução, ele cresce. Até certo ponto, enquanto está preso à reencarnação, ele pode estacionar e se rebelar inutilmente. Mas a partir do momento em que a fase reencarnatória se torna desnecessária, não há mais vestígio de sombra que dê margem para pensamentos perniciosos, então o espírito nunca mais volta a cair.

Muitos dizem que evocaram espíritos malignos em rituais negros, que receberam entre eles já se manifestaram os que se diziam Lúcifer.

Bem, eu posso aprender francês, estudar diplomacia e mandar e-mails como se fosse Albert de Mônaco. Mas me dizer Albert, não me torna Albert.

Um vidente competente não se deixaria enganar, pois o pensamento fora do corpo é indisfarçável, a mentira estaria escancarada à sua frente.

Lúcifer e Satanás não são a mesma pessoa. Este último, aliás, nem está mais na Terra, está aguardando na face escura da lua o transporte para sua próxima degredação. Coitado dele.

Lúcifer é um anjo, como tal deixou seu último corpo de carne há, no mínimo, muitos milhões de anos. Quem sabe o que isto significa (à quem não sabe é difícil explicar) conclui facilmente que ele não decaiu, pelo simples facto de que ele não tem absolutamente nenhuma necessidade de se afirmar, se enfrentar, nem de cousa alguma. Ele já é um ser realizado.

Leiam de novo: Lúcifer é um anjo. A parte da lenda que lhe atribui uma beleza extraordinária certamente é verdadeira, a outra é falsa. Quem começa a emitir luz não tem espaço para trevas, pois sua própria presença as debela. Emitindo ele sua própria luz, nem a mais densa sombra resistiria aos primeiros instantes de sua iluminação, sabe-se lá quando ela aconteceu.

Ele é um guardião do mundo inferior, daí terem lhe atribuído a identidade do outro. Para a sociedade da época, infinitamente pior do que a actual, quem estivesse em baixo pertenceria ao mundo de baixo, quem estivesse no alto pertenceria ao mundo do alto. Elevação por mérito era uma idéia perigosa, que de modo algum poderia vingar entre o povo humilde e sem amparo. Sabemos que muitos dos que se apropriaram do cristianismo eram ateus até a medula, sendo também políticos, não se importaram em deturpar o que já estava deturpado e deixar a batata quente para a posteridade. Para eles, se o mundo explodisse quando morressem, estaria óptimo, não acreditavam mesmo na vida fora do corpo. Tiraram da bíblia tudo o que lhes fosse incoveniente, permitiram ao longo dos séculos que surgissem dezenas de traduções que eram moldadas à cultura e política de cada região. Tenho notícias de que são cinqüenta e sete, pelo menos. Enfim, isto daria um livro inteiro para discutir.

Os antigos desaconselhavam evocar Lúcifer, não porque seria mau, mas porque é certamente a criatura mais ocupada do orbe terrestre. Ele tem a missão mais espinhosa de todos, que é manter os demônios em seu devido lugar, até que concordem em pagar karmicamente pelos seus delitos e aceitem evoluir. Se a maioria das pessoas encarnadas reluta em fazê-lo, imaginem eles.

Ele não nega ajuda no que for de sua competência, mas o trabalho que ele faz é demasiadamente denso, nem todas as criaturas trevosas resistem às profundezas em que ele realiza seus feitos. Experimente ficar trancado em uma câmara frigorífica cheia de carne podre, com uma roupa apertada, e terá uma vaga idéia do que ele enfrenta. Por que ele faz isso? Por nós. Por amor a Deus e a nós, ele está há centenas de milhões de anos no que é realmente o inferno, algo que somente um verdadeiro anjo pode suportar. Como um anjo de verdade, ele não dá a mínima para as difamações que lhe dirigem, simplesmente faz o seu trabalho com resignação e a determinação de não deixar ninguém para trás. Quando o último trevoso tiver se arrependido e subido à superfície, devidamente encarnado, então sim o trabalho dele estará terminado. Mas a julgar pelo que nós, caminhantes da magia, vemos e sentimos todos os dias, nosso pobre irmão vai amargar aquele lugarzinho por muito tempo.

Depende de nós abreviar essa missão. Todos sabemos o que devemos e o que não devemos fazer. Se querem agradecer pelo trabalho que ele faz, pratiquem o que devem fazer sem dar conversa às tentações de vingança, ressentimento e egoísmo. Esqueça o que não te serve e busque cousas novas. Só isso já basta.